Região – Caracterizada por uma inflamação nos bronquíolos (as menores vias aéreas dos pulmões), a maioria dos casos de bronquiolite é registrada no período de outono e inverno, e atinge, principalmente, crianças de até 2 anos de idade. Se não for tratada, pode evoluir para casos graves e precisar de internação.
Visando informar e alertar as famílias sobre a doença, o Jornal Repercussão entrevistou o médico Thiago William Souza Dias, plantonista e clínico especializado em atendimento infantil, que atende na UPA de Sapiranga. De forma simples, ele falou sobre a bronquiolite. Confira!
Repercussão – Qual é a principal causa da bronquiolite?
Dr. Thiago – A principal causa é o contato com vírus respiratórios, sendo o vírus sincicial respiratório o principal agente causador (responsável por 50-80% do total de casos).
Repercussão – Quais são as formas de transmissão?
Dr. Thiago – A doença é transmitida por gotículas respiratórias ou fômites (superfícies contaminadas).
Repercussão – Quais são os sintomas iniciais da doença? Como ela avança?
Dr. Thiago – Os sintomas iniciais da bronquiolite são semelhantes a um resfriado comum, ou seja, os bebês terão febre nos primeiros dois dias, associada à coriza, à obstrução nasal, espirros, tosse seca e a algum grau de irritabilidade. Por volta do segundo ao terceiro dia, a doença evolui com piora da respiração. Nesse momento, encontramos sibilos (chiados) na ausculta pulmonar devido à inflamação das vias aéreas, o que dificulta a passagem normal de ar.
Repercussão – Em que momento deve-se buscar atendimento médico?
Dr. Thiago – A criança deve ser avaliada num primeiro momento. A maioria dos casos não necessitam de internação hospitalar, pelo quadro ser em sua maioria autolimitado. Se houver dificuldade para respirar, diminuição da aceitação dos alimentos, apneia (parada da respiração) e respiração ofegante, leve seu filho(a) imediatamente a uma unidade de urgência/emergência.
Repercussão – Quais medidas preventivas podem ser tomadas para evitar a doença?
Dr. Thiago – A bronquiolite possui diversas medidas de prevenção, entre as quais estão: evitar locais de muita aglomeração, higienização das mãos dos cuidadores das crianças, evitar contato com crianças e adultos com sintomas gripais e, principalmente, fazer a vacinação contra a gripe, pois protege não só as crianças, mas também toda a sociedade.
Fisioterapia respiratória
Para ajudar no tratamento da bronquiolite em crianças, uma opção é a fisioterapia respiratória. Neste procedimento, como explica a fisioterapeuta Adriana Martins, especialista em pediatria e UTI Neo, são utilizadas diversas técnicas e dispositivos para auxiliar na remoção de secreções, melhorar a expansão pulmonar e fortalecer a musculatura respiratória. A fisioterapia é indicada desde os primeiros sintomas da bronquiolite até quadros mais graves. O número de sessões dependerá da gravidade e da quantidade de secreção que a criança apresentar.
Pai chama atenção para avanço da doença
Em 30 de maio deste ano, um bebê de 37 dias morreu em Taquara. Hariel da Rosa faleceu menos de 24 horas após ser atendido no Hospital Bom Jesus. Ele foi levado até lá com congestão nasal e secreção nos olhos. Filho de Luana e de Cleiton da Rosa, o menino foi levado para atendimento junto com a irmã gêmea, Antonella Correia da Rosa, que apresentava os mesmos sintomas. Na casa de saúde, receberam diagnóstico de gripe e conjuntivite e, em seguida, foram liberados para tratamento em casa.
Hariel faleceu e não há confirmação de bronquiolite. Antonella piorou e precisou ser internada horas depois. Até 9 de junho, seguia na UTI do Hospital Vila Nova, em Porto Alegre. Segundo Cleiton, os médicos confirmaram o diagnóstico de bronquiolite. “O caso se agravou muito, com crises de falta de ar, e ela foi transferida para a UTI. Dentro de horas, precisou ser entubada e sedada”, relembra o pai, contando que o quadro clínico se agravou no decorrer dos dias. “Essa doença atinge os pulmões e afeta a respiração”, diz ele, contando que a menina segue entubada e sedada. “A doença afetou o lado direito do pulmão. Ela está melhorando bem devagar mesmo”, completa. A filha mais velha do casal, Maya Alice Correia da Rosa, de um ano e dois meses, também precisou ser internada devido à bronquiolite. Ela foi a primeira a apresentar sintomas. Estava internada no Hospital Vila Nova, recebeu alta em 7 de junho e segue com tratamento em casa. “Ela apresentou sintomas de tosse e muita secreção nasal após retornar para a creche. Até então, tudo bem! Alguns dias depois, os gêmeos demonstraram sintomas: tosse, secreção nasal e muita remela nos olhos”, lamenta.
Rápido avanço preocupa
Cleiton reforça a necessidade de atenção para a bronquiolite. “Aos pais, alerto para que fiquem atentos aos sintomas e levem seus filhos ao médico, pois essa doença não é brincadeira. Minha filha está lutando para vencer. A pior fase já passou; agora é aguardar e ter fé”, completa.
Autorizados a acompanhar a filha durante a internação, mesmo estando em uma unidade de terapia intensiva, Cleiton e Luana se revezam para cuidar de Antonella.
Números do vírus sincicial respiratório (VSR)
– 1.366 hospitalizações (636 mulheres e 730 homens)
– 380 pessoas precisaram de UTI
– 16 óbitos
– 943 internações foram de crianças com menos de 1 ano de idade e duas morreram
– 343 internações foram de crianças de 1 a 4 anos e cinco morreram
* Dados do Painel de Hospitalizações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no RS. Última atualização: 16/06, às 12h18

















































