Campo Bom: Vereador por dois mandatos, deputado federal por três vezes, deputado estadual por outras três oportunidades, secretário estadual da Fazenda do governo Sartori e eleito prefeito de Campo Bom por quatro vezes. Giovani Feltes (MDB), no eixo da Região Metropolitana, sem dúvidas, é um dos políticos mais experientes em atividade. E, agora, ele volta a governar o município de Campo Bom. Confira o bate-papo do prefeito com o Grupo Repercussão.
Repercussão – Como o tema das enchentes será tratado no seu governo?
Feltes – Bom, em parceria com o Governo Federal e o Governo Estadual, em especial com o Governo Federal. É ele que dispõe do recurso, é ele que tem a responsabilidade quando se trata de mananciais hídricos, ainda mais do porte de uma bacia como a Bacia do Sinos. É ele que está anunciando R$ 1,9 bilhão já faz bastante tempo. Agora, tem que esperar que, efetivamente, esses R$ 1,9 bilhão acabem se traduzindo em obras e em benefícios, quer seja desassoreamento, elevação de diques, reposicionamento de diques, construção de novos diques. Aquilo que estiver na responsabilidade da Prefeitura, aquilo que estiver ao alcance da Prefeitura, faremos. Mas que fique bem claro, essa responsabilidade, ela é muito menos do município, um pouquinho mais do Estado e quase que a totalidade do Governo Federal. E estamos na expectativa. Sem dúvida.
Repercussão – Anualmente, ocorre o Rodeio de Campo Bom. Existem tratativas para a elaboração do evento, em 2025?
Feltes – Tem pessoas aqui da Prefeitura trabalhando nisso, colegas nossos, buscando informações, enfim. Vamos propor para a Câmara de Vereadores um projeto bastante diferenciado, que dá conta da criação de uma comissão. Uma comissão da propriedade dos bens públicos. Eu fiz um pronunciamento de posse na campanha falando que o público tem que voltar a ser público e não privado. Então, está nesse escopo exatamente a criação desta comissão. É uma comissão que tem voz deliberativa? Não. Mas tem opinativa de cobrança de resultados. E, ao mesmo tempo, de consorciar-se com o Poder Público na fiscalização daquilo que são os bens de todos. Por que eu falo isso? Isso significa que as entidades como um todo, todas aquelas que estão eventualmente sobre uma propriedade pública, área de terra do município, aquelas que têm eventos ou recebem subvenções, aquelas que eventualmente têm que pactuar alguma coisa com a Municipalidade de Campo Bom, vão ter uma agenda a ser cumprida e uma situação de regularidade a ser exigida. Claro, isso não vai ser feito a ferro e fogo, porque vamos que, eventualmente, um ou outro possa não estar absolutamente nas suas documentações totalmente em dia. Vai ter um prazo para que isso se estabeleça, não é verdade?
Repercussão – Os governos do MDB sempre tiveram tradição com os Conselhos Comunitários. Como vai ocorrer a volta desse instrumento?
Feltes – Ele está sob o guarda-chuva da Secretaria-Geral de Governo, que antes era uma secretaria com um secretário e, quem sabe, uma ou duas pessoas a assessorá-lo. Agora, não. Agora, por lei, nós instrumentalizamos a Secretaria-Geral de Governo, que é liderada pela Beatriz Gaspar Fagundes. Ela vai, sim, coordenar trabalhos importantes do ponto de vista da modernização administrativa, do ponto de vista das questões que dizem respeito à tecnologia e inovação, facilitar a vida do cidadão, ao mesmo tempo dar fluidez aqui do ponto de vista dos processos dentro da Prefeitura. Por outro lado, vai coordenar todas as ações do Conselho Comunitário, a inter-relação com o Poder Legislativo e com os outros poderes, assim como também é responsável por um banco de projetos, a captação de recursos, enfim. Esta responsabilidade do Conselho Comunitário, ela diz muito mais da mobilização, da forma de fazer a compilação dos dados que vão ser trazidos através da população. Assim como os dados e as informações que nós vamos obter com a melhoria do nosso sistema interno de gestão aqui da Prefeitura, isso tudo vai nos possibilitar uma condição mais favorável de governabilidade. Olhando não para o ‘achômetro’, mas para evidências, que é o que mais nos interessa e importa fazer. E começa em março o Conselho Comunitário.
Repercussão – O que vai diferenciar os temas que vão estar dentro do Conselho Comunitário dos temas, por exemplo, daqueles que foram promessas de campanha? Exemplo: Cercamento eletrônico?
Feltes – Todos os temas estarão dentro do Conselho Comunitário. Terá um momento onde, quem sabe, serão utilizadas ferramentas pedagógicas, utilizando mecanismos tecnológicos de imagem, de som, de fala, de impressos. Para que a população volte a se assenhorar, conhecer um pouco mais e melhor o que é o ente público-prefeitura que é dela. Estimular a Cidadania, para que cada um se toque que é necessário que eles saibam da sua responsabilidade na vida em sociedade. Tirar um pouco de tempo, quem sabe, da sua vida pessoal, familiar, profissional, um pouquinho que seja por semana para cuidar da vida em sociedade. Não arbitrar e atribuir todas as responsabilidades, os problemas da nossa vida em Campo Bom ao Poder Público ou aos poderes públicos. Cada um que se sente cidadão, ele é partícipe desse processo. Não é a Prefeitura que pode resolver tudo. Por outro lado também, criar mecanismos que nós todos nos aproximemos e façamos que a nossa comunidade demonstre, minimamente, união e um propósito de caminhar Juntos, tanto quanto possível. Para uma cidade que seja melhor do que ela já é, porque Campo Bom já é uma cidade diferenciada no contexto estadual.
Repercussão – A área da saúde é sempre muito sensível. Direcionou alguma determinação específica para a secretária Luana Schnorr equacionar?
Feltes – As decisões não são porque o prefeito as toma, é um conjunto de pessoas que discutem isso. Naturalmente, quem tem o condão de decidir sou eu, naturalmente, eu provoco a maioria dos assuntos, etc., porque me cabe fazê-lo, mas é um conjunto, é um coletivo que acaba decidindo. Não tenho nada, agora, a anunciar em nenhuma Secretaria. Mas, há um conjunto de ações que estamos planejando, começando a criar. Mas, antes disso, temos uma premissa, fazer funcionar mais e melhor a máquina pública, dar mais atenção às pequenas coisas. É necessário dar maior fluidez aos processos internos, observar ferramentas de gestão que não são absolutamente necessárias, ter mais controle e informação para poder, daí sim, decidir sobre evidências e números. Está nos faltando um pouco essa possibilidade. Está nos dificultando um pouco visualizar isso adequadamente. Então, nós vamos ampliar ainda mais as ferramentas que tem o município para termos esses dados. Por outro lado, eu diria o seguinte, vão haver ações importantes do ponto de vista da Saúde, eu não tenho a menor dúvida, especialmente, na relação e no contrato com a casa hospitalar (se referindo ao Hospital Dr. Lauro Reus), que hoje é realizada pelo Vila Nova, que tem capacidade de gestão, que tem responsabilidade e tudo. Tivemos algumas reuniões discutindo amplamente. Mas, se tem uma coisa que eu gosto é só cantar depois que o ovo está posto no ninho. Que nem a galinha, ela só canta depois que ela botou o ovo no gravatá ou no ninho. Ficar dizendo que vai fazer isso, vai fazer aquilo, deixa as coisas ‘serenarem’, para estarem um pouco mais tranquilas, né?
Repercussão – A área industrial do Firenze tem duas empresas operando. Outras duas estão em fase de construção. Existe a necessidade da cidade contar com uma nova área industrial? O que te preocupa nesse tema?
Feltes – A gente tem que considerar diversos fatores para decidir o que vai fazer agora. Não se trata tão somente de uma questão de área física. Nós temos uma reforma tributária que impõe um olhar bem diferente em relação às coisas no que diz respeito ao desenvolvimento sustentável de município. Como eu sou um dos proponentes da Reforma Tributária, da PEC 45, está lá minha assinatura como deputado federal, o Baleia Rossi (MDB/SP) era o titular, presidente do partido e líder da bancada na época. Eu tenho noção do que, eventualmente, embora as múltiplas alterações e a fusão da PEC 10 com a PEC 45 e algumas outras contribuições que foram acolhidas no texto da lei, eu acho que a gente tem que ler aquilo com atenção, e aí sim, escolher os melhores caminhos para Campo Bom. Lembrando, quem trouxe a Feevale para cá, criou o Parque Tecnológico de Inovação, a GetNet, a Ticket, oportunizando milhares de empregos e rendendo bastante há bastante tempo, acho que tem crédito para, eventualmente, avaliar adequadamente quais são as melhores formas de fazer com que Campo Bom se torne cada vez mais sustentável e com capacidade de investimento hoje, amanhã e sempre. E é essa a preocupação que a gente tem. Já discutimos, fizemos algumas reuniões em relação a isso, alguns ensaios. Estamos buscando, eventualmente, exemplos fora para que a gente se assenhore bem em que caminhos e passos agora a gente deve dar. Daqui a pouco a gente pode ter notícias boas para dar para a nossa população e para a região.
Repercussão – Houve bastante barulho na votação dos projetos da CIP, da elevação dos salários dos secretários, e ainda, o PL 9/2025. Passados os ruídos, como avalia essas modificações?
Feltes – Olha, se é para resumir em uma palavra, é democracia. A oposição cumpre o seu papel e acho que fez adequadamente dentro daquilo que acredita e pensa estrategicamente e a situação cumpre propor e fazer. A questão da CIP, fazia alguns anos que não havia nenhuma correção. A correção não é legalmente, por lei, arbitrada pelo município. É arbitrada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). E, naturalmente, no início do governo, eu não queria, eventualmente, alguém apontar o dedo para mim e dizer assim, renunciou receita, portanto, deve ser responsável. Tem gente que não observa isso. Eu observo. Então, a gente observou um tempo que não ocorreu nenhuma correção e tratou de arbitrar os valores que a ANEEL colocou na sua correção, porque é isso que coloca a lei. Então, tem anos que deu um aumento muito acima da inflação e teve alguns anos que deu deflação, diminuiu o valor, ou deveria ter diminuído o valor da Contribuição de Iluminação Pública. Pergunta isso nas prefeituras, a maioria não se dá conta dessas coisas. Por isso, que gestão pública é um pouquinho diferente da fanfarra. Eu prefiro, muitas vezes, afirmar o seguinte, porque é o que eu procuro exercitar. Eu faço governo de atacado. Política pública para a maioria. Claro que tem que ter um pouquinho de varejo. Afinal de contas, você não sabe o infausto que pode ser uma casa deste aliado que na hora precisa, com certeza, o acolhimento de uma lona preta. Você não sabe a fome repentina por conta, eventualmente, de um incêndio que pode acometer uma casa de um trabalhador na nossa cidade.
Propomos um aumento para os secretários de R$ 3 mil reais para cada um. Confesso para vocês que em qualquer pequena empresa um diretor ganha mais que ganha um secretário municipal aqui em Campo Bom ou secretário municipal de qualquer uma das cidades aqui na região. Para ter o seu CPF diretamente envolvido, acho que minimamente a gente deveria considerar. Aqui, o secretário responde com seu CPF e todo o seu histórico de vida. Por qualquer coisa que ele fizer de forma errada, ele pode ser condenado. Na vida privada, não é exatamente assim.
Repercussão – Prefeito, deixe uma mensagem para todos os moradores pela passagem do aniversário do município.
Feltes – Bom, hoje (31 de janeiro) é o aniversário de Campo Bom, é feriado. Mais um ano da emancipação política e administrativa da cidade de Campo Bom. A minha e a tua Campo Bom. A Campo Bom de toda a região. A Campo Bom do Rio Grande e do Brasil. Na quinta (dia 30), tivemos um evento bacana, ocorrido no Largo Irmãos Vetter. A gente espera, para o futuro, ter uma escala também de ampliação desses eventos, da oportunidade de termos mais cultura na cidade, com muita efervescência e participação na área da educação e também de toda a Fundação Cultural, dessas pessoas que, eventualmente, sabem o quanto isso é importante para a vida em sociedade. E eu sou uma delas, eu acredito nisso. Mas, ontem também tivemos uma palavra de fé, de fortalecimento do espírito com a presença de lideranças eclesiásticas, falando um pouquinho para nossa gente no nosso aniversário. Ontem à noite, 30 de janeiro, hoje, feriado municipal, para todos reconhecermos a boa cidade que juntos nós temos feito até aqui. E, que Deus nos ilumine e proteja a você, campo-bonense, para que nós possamos continuar juntos a fazer nossa cidade cada vez melhor. É possível. Depende de mim, mas depende de você.


















































