Campo Bom – Histórias reais, de quem, por uma série de circunstâncias, se tornou vítima de si mesmo. Entre essas vidas marcadas pela adversidade, está a de Valdir Buhl, 59 anos. Há 12 anos, Valdir vive nas ruas de Campo Bom, um reflexo de conflitos familiares e do consumo de álcool, que o afastaram do aconchego de um lar.
Durante esse período, ele encontrou companhia e afeto nos dois cachorros, Belgo e Belga, que se tornaram suas únicas companhias. “Eu não me considero um mendigo, me vejo como um ‘acampado’, alguém que vive à margem da sociedade, mas ainda preserva a dignidade”, destaca Buhl.
Valdir sobrevive com doações da comunidade e um benefício do Governo, no valor de R$600,00, que utiliza para comprar sua cachaça, consumida diariamente. Para ele, a convivência com os animais é uma forma de resistir à solidão e à dureza da vida na rua.
Durante a entrevista, Valdir mostrou, à equipe de reportagem do Grupo Repercussão, a barraca onde se instalou, em uma área que carece de condições mínimas de higiene. Suas posses estavam armazenadas de maneira improvisada, e o fogareiro, que utiliza para cozinhar, é o único recurso para preparar suas refeições.

“A rua agora é minha casa”
Seu quadro de saúde também é preocupante. Valdir sofre de ferritina e já foi internado, mas se recusou a continuar o tratamento. Ele rejeita qualquer atendimento médico.
A escolha de Valdir é marcada pela negação. Apesar das diversas ofertas de apoio e dos serviços disponibilizados, ele se recusa a buscar uma mudança das condições de vida.
Resistência e não utilização
Quando se trata de higiene, Valdir utiliza o banheiro do Parcão para se banhar, mas não tem uma rotina definida, já que nem sempre faz uso do local. Ele também faz coletas de recicláveis para complementar sua sobrevivência e depende de doações de comida, água e gelo, sempre recebidas da comunidade.
Embora esteja inscrito no Cadastro Único, Valdir não acessa os serviços oferecidos pelo município, que disponibiliza alimentação, lavagem de roupas, banho e itens de higiene.
A cidade de Campo Bom ainda mantém parcerias com mais de 10 comunidades terapêuticas, sem custos, para apoiar pessoas em vulnerabilidade, mas Valdir segue resistindo.
Por Kainã Bohn


















































