Campo Bom – A histórica vitória do filme “Ainda Estou Aqui” no Oscar deste domingo (2), trouxe à tona uma conexão inesperada entre o diretor Walter Salles e o Vale do Sinos. Aos 68 anos, o cineasta integra uma das famílias mais ricas do Brasil, os Moreira Salles, cujo patrimônio, segundo a Bloomberg, gira em torno de US$ 26 bilhões. Mas, além do reconhecimento no cinema, os negócios da família têm impacto direto na economia da região, especialmente por meio da multinacional Verallia, instalada em Campo Bom.
A Verallia, gigante do setor de embalagens de vidro, tem operações em 12 países e produz anualmente 16 bilhões de garrafas e potes para alimentos e bebidas. No Brasil, a empresa investiu mais de R$ 500 milhões na ampliação de sua unidade em Campo Bom, marcando o maior aporte privado da história do município. Esse crescimento reforça a importância da cidade como polo industrial e logístico estratégico.
O family office dos Moreira Salles, BWSA, é o maior acionista da Verallia, com participação de 28%, e agora avalia ampliar ainda mais sua influência na empresa francesa. Recentemente, o BWSA iniciou negociações para adquirir um novo lote de ações da Verallia, movimento que pode exigir apoio do governo francês, dado que a estatal Bpifrance também detém participação significativa na companhia.
O impacto do investimento dos Moreira Salles na Verallia não se restringe à geração de empregos e desenvolvimento econômico local. O crescimento da empresa fortalece o setor industrial do Rio Grande do Sul, consolidando Campo Bom como um importante centro produtivo dentro da cadeia global de embalagens de vidro.
Enquanto isso, Walter Salles segue brilhando no cinema. Ainda Estou Aqui, baseado na história real da família Paiva durante a ditadura militar brasileira, fez história ao se tornar o primeiro filme brasileiro a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional. A produção também concorreu à estatueta de Melhor Filme e Melhor Atriz, reforçando a força do cinema brasileiro no cenário mundial.
A trajetória de Salles, tanto no cinema quanto nos negócios da família, exemplifica como diferentes setores podem se conectar de maneira inesperada. O diretor, que já havia conquistado reconhecimento global com Central do Brasil e Diários de Motocicleta, agora se vê ligado ao Vale do Sinos não apenas pelo impacto de seu trabalho artístico, mas também pelos investimentos que sua família faz na economia local.
A Verallia, por sua vez, continua expandindo sua presença no Brasil, reforçando seu compromisso com inovação e sustentabilidade na produção de embalagens de vidro. A recente movimentação do BWSA para ampliar sua participação na empresa indica que novos investimentos podem estar a caminho, consolidando ainda mais a posição de Campo Bom no cenário industrial global.
Por Luís Felipe Feller Werf


















































