Campo Bom – O projeto da pobreza menstrual entrou em vigor nas escolas municipais de Campo Bom em junho de 2022. Por meio da distribuição de absorventes femininos nas escolas, a iniciativa busca evitar que alunas faltem à aula por não terem acesso ao item básico.
A proposta prevê o mapeamento e a distribuição dos absorventes para alunas que vivem em situação de vulnerabilidade. Em 2021, o Governo Federal vetou a lei que garantiria o fornecimento de absorventes para mulheres que não possuem condições de adquirir o produto. Diante disso, a cidade reconheceu a importância e aprovou uma legislação própria, que entrou em vigor em 2022. A lei municipal foi mantida mesmo após o Governo Federal implementar o Programa da Dignidade Menstrual, em 2023.
Por ser um espaço acolhedor, a cidade escolheu as escolas municipais como pontos de distribuição dos absorventes. A Emef Morada do Sol é um exemplo de apoio às meninas que necessitam da iniciativa. A escola possui um projeto pedagógico sobre o corpo feminino, que aborda a temática da menstruação, visto que há a iniciativa do município.
Quebra de tabus
O projeto “Espelho, espelho meu, quem dita o que sou eu?” é de autoria da professora Vitória Wingert e foca na pressão estética que a sociedade, por vezes, opõe às mulheres. Ao decorrer dos debates, se mostrou necessário o diálogo sobre a menstruação, que era visto como um “tabu”. Dessa maneira, tanto meninas quanto meninos têm acesso a uma normalização e importância do assunto.
Como adquirir
Vice-prefeita da cidade, Genifer Engers conta como as meninas podem adquirir o item básico. “Todas as meninas que necessitarem, podem solicitar os absorventes diretamente na secretaria da escola, com a equipe diretiva. Cada menina recebe uma necessaire com dois pacotes de absorventes dentro, uma vez ao mês. Escolhemos as redes municipais de ensino justamente por se tratar de um lugar acolhedor e de menos visibilidade negativa para aquelas meninas que precisam da iniciativa”, comenta.
Debate importante
A professora Vitoria ressalta a importância de dialogar sobre a menstruação dentro do ambiente escolar. “Usamos muito o termo da dignidade menstrual, pois a menina tem o direito a menstruar e a se sentir bem com o seu corpo. Para mim, quanto educadora, o mais importante é escutar a fala das meninas de aceitação, pertencimento e entendimento sobre seu próprio corpo. Muitas me relatam que não sentem mais vergonha de falar sobre o assunto”, diz.
Por Mariana Homem


















































