Campo Bom – A espera por uma consulta ou exame médico é comum no sistema público. Infelizmente, nem mesmo em clínicas privadas, na maioria das vezes é impossível realizar de imediato um atendimento que não seja emergencial e, por isso, se trabalha com os agendamentos.
Na rede de saúde de Campo Bom, ainda no ano de 2019, o gabinete da primeira-dama, Kátia Orsi, observou que um fato era prejudicial para o andamento das consultas: o número de faltantes. Em junho daquele ano foram 1.559 faltas em consultas agendadas para unidades de saúde de todo o município.
Muitos motivos podem levar à falta na consulta, seja uma outra emergência ou mesmo um compromisso inesperado. O fato, no entanto, é que todas as unidades possuem o telefone para contato e até mesmo a Secretaria da Saúde pode receber o pedido de remarcação. E, em uma união de esforços entre o gabinete da primeira-dama, a Secretaria de Saúde e também a Secretaria de Educação, surgiu o programa “Saúde sem Falta”.
As ações focam na conscientização dos pacientes para que eles adquiram o hábito de avisar quando não vão comparecer à consulta, possibilitando, assim, que outra pessoa que está na espera possa consultar – o mesmo vale para exames agendados.
“O grande número não é nem por aguardar muito tempo, são consultas de 15 a 20 dias de marcação. O paciente precisa prosseguir com o tratamento, é também uma responsabilidade que ele precisa ter”, comenta a secretária de Saúde, Suzana Ambros Pereira.
O trabalho de conscientização começou ainda em 2019, com visitas nas unidades de saúde, material para divulgação e outras ações. No entanto, como a partir de 2020 as atenções se voltaram para o combate à pandemia e a maioria dos agendamentos precisaram ser remarcados, o programa também ficou parado, sendo retomado neste mês de outubro.
Ações para conter faltas nas unidades
São distribuídos panfletos sobre o tema, promoção de diálogo com a comunidade nas unidades de saúde; além disso, a cada agendamento é feita a entrega de um lembrete do dia da consulta, com todos os contatos para remarcação com antecedência se for necessário.
Outra ação é o levantamento das faltas em consultas ou exames da rede a cada mês. Esse controle é importante para que a Secretaria identifique as unidades em que há maior incidência e possa realizar o trabalho de conscientização mais focado.
Saúde precisa ser pensada na coletividade
“Fazemos esforços significativos para garantir a marcação destes exames e consultas. Os diversos mutirões que já realizamos também exigem dedicação especial, promovemos tudo isso para contemplar a nossa população, para que não precisem ficar aguardando por muito tempo. Mas esses altos quantitativos de faltas acarretam no aumento da fila de espera, o que gera, novamente, a demora para outros pacientes. É tempo de serviço pago pelo Município e desperdiçado, o profissional fica lá parado porque o paciente não vai, porque, como não teve aviso prévio, não temos como fazer o remanejo”, comenta o prefeito Luciano Orsi, pedindo para que todos colaborem.
Conscientização dos pacientes
O projeto é uma iniciativa da Secretaria de Saúde e do gabinete da primeira-dama, Kátia Orsi, que é farmacêutica e compreende a importância da continuidade de um tratamento, bem como conseguir que os atendimentos cheguem a mais pessoas. Com o hábito de reagendar, ou avisar que não vai comparecer, é possível remanejar a consulta ou exame para outro usuário. Kátia destaca que “o objetivo de desenvolver a conscientização dos usuários e pacientes sobre a importância de comparecer às consultas e exames agendados, visto que o número de faltas é muito elevado. Constatamos que até mesmo nos mutirões de consultas e exames, realizado pela prefeitura, justamente para reduzir a fila de espera pelos serviços e oferecendo especialidades que não tem normalmente disponíveis nas unidades, infelizmente as pessoas não comparecem. Essa consciência é uma questão de respeito com aquele que também aguarda os serviços, além de minimizar o tempo de espera. Avisando a ausência, com certeza, todos serão beneficiados”, destaca.
Número das faltas demonstra que todo o fluxo de agendamentos é prejudicado
Conforme os dados da Secretaria de Saúde, nos últimos três meses foram registradas 5.253 faltas, o que resume a uma média mensal de 1.751 pacientes que faltam as suas consultas agendadas. “Esse é o número apenas das consultas médicas, com clínico e especialistas, nem estão contabilizadas as faltas em exames”, comenta a secretária Suzana Ambros.
Outro número que determina a necessidade do programa “Saúde sem Falta” é do Centro Materno e Infantil que registra uma média de 155 faltas nos últimos 3 meses. “No total foram 466 faltas no Centro Materno nos últimos meses. Só para o ginecologista, 192, o que é um número muito significativo para uma especialidade que tem muita demanda”, comenta Suzana.
Em um dos mutirões de exames, realizado pela SMS, de 10 colonoscopias agendadas, 7 pacientes faltaram. O mesmo número de faltas para o exame de ergometria, de 11 agendas.


















































