Campo Bom – Nos últimos meses, Campo Bom tem se tornado uma das principais áreas de atuação do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).
O município é considerado uma das células de uma das principais facções criminosas de atuação no Rio Grande do Sul e, por isso, conforme o diretor de investigação do Denarc, Alencar Carraro, a cidade tem sido alvo constante de operações e de grandes apreensões de cocaína, maconha e crack. “Em Campo Bom, temos uma liderança importante dessa facção recolhida em penitenciária federal. E estamos em constante trabalho de acompanhamento de membros dessa célula, para que sejam responsabilizados”, disse o delegado, citando que também tem feito acompanhamento da mesma facção em Novo Hamburgo, Parobé, Sapiranga e São Leopoldo.
Somente em Campo Bom, desde o mês de fevereiro, já foram apreendidos mais de 400kg de maconha, cocaína e crack, somando um prejuízo superior a R$ 8,5 milhões para a facção. “E esse é um trabalho que vai prosseguir, vamos ter mais resultados em breve”, garante o diretor de investigações.
SERRALHERIA COMO DEPÓSITO
A última atuação do Denarc ocorreu no dia 13 de setembro, quando os agentes descobriram que uma serralheria de Campo Bom era utilizada como depósito de drogas para a facção. O delegado Alencar explica como ocorreu o trabalho da sua equipe, que também prendeu duas pessoas. “Temos realizado apreensões de grande quantidade de drogas, sobretudo cocaína, dentro dessa sistemática de acompanhamento dessa facção, principalmente de suas lideranças. Assim foi possível mais essa apreensão de importante quantidade de droga. Inicialmente, a informação recebida da comunidade era de que uma serralheira de Campo Bom poderia estar agregando ou recebendo grandes quantidades”. Com o trabalho de monitoramento, os agentes se depararam com um veículo que saiu do local e foi abordado no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, nas proximidades de onde um policial do Denarc foi baleado no mês passado. No veículo, havia cerca de 10kg de maconha e, na serralheria, em Campo Bom, mais droga, somando 30kg de maconha.
PERFIS DIFERENTES
Os dois presos da ação na serralheria, assim como a maioria dos últimos detidos, não possuíam antecedentes por crimes graves. A facção tem mudado o perfil dos distribuidores da droga. “São jovens, brancos, classe média, um deles, aliás, com emprego fixo. Isso é uma característica que temos notado, dos novos integrantes dessas facções”, revelou Alencar, citando ainda: “Até há alguns anos, eles (acusados) tinham vasta ficha de antecedentes e sabiam que estavam sendo monitorados pela Civil e Brigada Militar. Agora, o recrutamento é de jovens de classe média, estabelecidos e sem antecedentes. Isso não chama a atenção dos policiais. Só se fizer um trabalho pormenorizado e exaustivo, como é nosso caso”.


















































