Novo Hamburgo – Acidentes de trânsito são registrados quase que diariamente na RS-239, rodovia que passa por oito cidades de atuação do Grupo Repercussão: Campo Bom, Sapiranga, Araricá, Nova Hartz, Parobé, Taquara Rolante e Riozinho. Além disso, a rodovia também atravessa as cidades de Novo Hamburgo, Estância Velha e Maquiné.
Noticiamos colisões envolvendo carros, motocicletas, caminhões, ciclistas, pedestres e até mesmo animais, ocorridos em nosso trecho e, infelizmente, muitos deles com óbitos ainda no local do acidente ou com vítimas que foram socorridas com ferimentos graves e que travam verdadeiras lutas pela vida.
As causas apontadas para os acidentes registrados na rodovia são diversas e geram diversas opiniões. Elas vão desde a falta de infraestrutura em pontos específicos da estrada até a imprudência dos condutores e pedestres que a utilizam.
Buscando levantar estas questões e também discutir soluções para problemas estruturais e de comportamento dos usuários da RS-239, o Grupo Repercussão planejou uma série de reportagens sobre o assunto, partindo de trechos considerados críticos em toda a extensão da rodovia.
Para dar início às reportagens, convidou o tenente da reserva Fernando Mujica dos Santos e o sargento da reserva Everton Cassere, ambos com mais de 30 anos de experiência no Policiamento Rodoviário da Brigada Militar, principalmente neste trecho, para acompanhar a redação até os locais, avaliá-los e apontar sugestões de melhoria.
Nesta reportagem, abordamos os pontos mais problemáticos apontados no trecho de Novo Hamburgo.

Atenção dos motoristas no trânsito
Além de melhorias estruturais na rodovia, Mujica e Cassere falaram sobre a prudência dos motoristas, tendo em vista que muitos dos acidentes são causados por imprudências. “Quem está no trânsito, precisa ter paciência. Em horário de pico, não adianta ficar buzinando. O trânsito é calma, tranquilidade e bastante observação”, destaca Cassere, usando como exemplo o congestionamento. “Se o trânsito parar e você ficar no celular, vai diminuir o tempo para arrancar e vai atrapalhar ainda o trânsito”, completa.
1. Trânsito congestionado
Congestionamento devido ao afunilamento da pista antes do viaduto sobre a BR-116, na divisa de Estância Velha e Novo Hamburgo. A sugestão, a longo prazo, é aumentar de duas para três pistas o viaduto. A curto prazo, visando melhorar o tráfego no local e aumentar a segurança dos motoristas, a sugestão é reforçar a sinalização. “Teria que colocar tachões para orientar melhor o condutor”, acrescenta o sargento Cassere, ressaltando, também, a atenção dos condutores ao dirigir.
2. Redutor no lugar certo?
Redutor de velocidade instalado muito próximo do retorno (imediações da Bento Gonçalves e Germano Friedrich), no km 14.8. Sugestão é instalar o equipamento antes, mais afastado do cruzamento, permitindo que os veículos façam o retorno com mais segurança. “Como a rodovia é larga, seria interessante, também, uma análise para discutir a instalação de uma rotatória, que facilitaria o trânsito no local”, completa o tenente Mujica.
3. Local precisa de redutor?
Estudo sugere a instalação de redutor de velocidade no Km 15,8, em frente à Universidade Feevale, visando mais segurança a quem acessa o local, no entanto, neste ponto os policiais da reserva acreditam que o retorno ainda é uma alternativa eficiente. Em uma visão muito otimista, eles comentam sobre a construção de um acesso direto ao câmpus, no entanto, reconhecem que é um projeto de grande porte e que dependeria de articulação entre os setores público e privado.
4. Fechar este retorno?
Condutores relatam preocupação com o primeiro retorno após a empresa Beira Rio, no sentido Campo Bom/Novo Hamburgo, na altura do km 17, por ser muito próximo da saída da mesma. Usuários sugerem o fechamento do mesmo, relatando acidentes no local, no entanto, Mujica e Cassere, sugerem outra alternativa: aumentar a faixa de aceleração de quem sai da calçadista, logo, os motoristas terão mais tempo para pegar velocidade e ingressar na rodovia.
EGR reforça melhorias
De acordo com Luís Fernando Pereira Vanacôr (foto), diretor-presidente e diretor-técnico da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), foram intensificadas medidas efetivas para qualificar a segurança viária na RS-239, entre Novo Hamburgo e Riozinho.
Segundo ele, “os trabalhos iniciaram com a alteração da velocidade máxima permitida de 80 km/h para 60 km/h no segmento do quilômetro 25 ao 28, em Sapiranga, e no quilômetro 22, em Campo Bom – trechos escolhidos e respaldados em tratativa com o 3º Batalhão Rodoviário da Brigada Militar”. Vanacôr também ressalta que foram instaladas 30 placas “para incentivar a condução do veículo com maior cautela por parte dos usuários e evitar a ocorrência de acidentes no local”. Ele afirma, ainda, “que conforme levantamentos, foram alcançados os objetivos que era a redução dos acidentes”.
A EGR também destaca outras medidas, como o reforço na sinalização horizontal e vertical destes trechos, com pintura do pavimento e a implantação de placas para melhorar a fluidez do tráfego. O objetivo é “garantir a segurança dos motoristas e transmitir informações visuais assertivas para coibir a imprudência”.
O que a EGR fala sobre as sugestões?
1. A EGR fará avaliação da necessidade de reforçar a sinalização orientativa. Cabe lembrar que mudanças nos acessos ao viaduto foram solicitadas pela prefeitura de Estância Velha para maior segurança.
2. O dispositivo eletrônico foi instalado próximo com o objetivo de garantir a redução de velocidade próxima ao cruzamento. Caso fosse instalado mais recuado, daria espaço para o motorista retomar a velocidade e cruzar no ponto em aceleração, possibilitando gerar colisões de forma violenta.
3. A indicação é pertinente, entretanto cabe mencionar que a instalação de dispositivos eletrônicos de controle de velocidade é de responsabilidade do Daer, pois tem em seu diretor geral a autoridade de trânsito no Estado, sendo que a solicitação deve ser precedida de estudos conforme Resolução Contran nº 798/2020.
4. A EGR avalia a situação para buscar a solução mais apropriada. Fechar o retorno pode vir a trazer transtornos de acessos.
Melhorias em acesso à universidade
Contatada pelo Grupo Repercussão, a Feevale comentou sobre possíveis melhorias no trecho e destacou que está sempre aberta a discutir melhorias.
Na nota enviada à redação, a instituição informou que “eventualmente é acionada por diferentes frentes que estão pensando sobre a mobilidade e segurança viária no entorno de seus câmpus” e que considera positiva toda iniciativa que contribua para a melhoria dos acessos e para a segurança de estudantes, colaboradores e comunidade em geral”.
Sobre a sugestão de instalar um redutor de velocidade em frente ao câmpus às margens da RS-239, a universidade destaca que está à “disposição para dialogar e colaborar com os órgãos competentes, sempre em busca de soluções que favoreçam a mobilidade e garantam mais segurança a todos que circulam pela região”.


















































