Região – Pode parecer inofensivo ou até mesmo uma forma de obter uma renda extra. Mas, na realidade, as apostas de jogos on-line têm provocado grande preocupação. A busca por dinheiro de certa forma fácil, tem causado grandes roubos financeiros e destruído finanças de famílias.
Os aplicativos de apostas, que permitem fácil acesso de todos, é um campo muito perigoso, como alerta o delegado Valeriano Garcia Neto, da Polícia Civil de Taquara. “Esses jogos não levam a nada, é uma perda de dinheiro, não existe dinheiro fácil. Só existe uma forma de obter dinheiro na vida: trabalhando e estudando e as pessoas têm que lembrar disso, principalmente os mais jovens”, alertou o chefe da PC taquarense.
Os jogos de apostas on-line se tornaram uma febre moderna do “entretenimento” digital em um mundo envolvente; por outro lado, esse universo também provoca uma dependência surreal. O fácil acesso e a complexidade desses jogos podem prender os jogadores em ciclos viciantes. Os usuários também são, muitas vezes, incentivados por marketings milionários com celebridades e influenciadores.
O delegado Valeriano também faz alerta para que as pessoas, principalmente os jovens, não se deixem envolver por falsas promessas de um mundo perfeito e com somente ganhos milionários. “Há um poder de persuasão enorme nas pessoas que vendem esses jogos. A conversa atraente, o poder de convencer, isso é a principal ferramenta dela. No crime, chamamos as pessoas que cometem isso de estelionatários”, disse ele, que já investigou casos de jogos de apostas on-line na cidade.
Três perfis de “vítimas”
O delegado Valeriano Garcia Neto cita que observa que há três tipos de perfis de pessoas que optam pelos jogos online. “Há aquele jogador contumaz, compulsivo, que joga qualquer tipo de jogo, que acaba propagando, fazendo crescer todo esse movimento, de jogo; segundo perfil, aquela pessoa que não é compulsiva, mas vê ali uma vantagem desproporcional, torpeza bilateral como a gente diz, igual a pessoa que compra um falso bilhete premiado; e o terceiro, que mais nos preocupa, são as pessoas vulneráveis que vão no embalo e cedem às tentações mostradas por outras pessoas”, citou ele, contando que já investigou o caso de uma professora de Taquara que incentiva seus alunos à prática do jogo de apostas on-line. “Isso me preocupa, pois essas pessoas (alunos) estão com o processo desenvolvimento ainda acontecendo e, por isso, se deixam influenciar por terceiros”, pontua
O que eles dizem
A gerente de controles internos – Sicredi Caminho das Águas, Gleice Keli da Rosa Hermann, cita o quanto os jogos de apostas on-line podem ser prejudiciais para quem joga como para a economia em geral. “Entendo que os jogos de apostas vêm impactando na saúde financeira das famílias e das empresas. Os danos não atingem apenas aqueles que apostam. Podemos ter efeitos nocivos, impactando o consumo, o comércio, o varejo, ou seja, a economia. Isso prejudicaria, inclusive, aqueles que não apostam. Na medida em que, se o orçamento das famílias diminui, isso impacta a capacidade de pagamento, impacta o comprometimento de renda das famílias. Isso eleva a inadimplência, além de sobrar menos recursos para o consumo”, disse ela. Para tanto, a orientação é sempre fazer investimentos com instituições consolidadas.
“Não existem milagres, tudo é construído”, diz gerente
O gerente da Cresol, Anderson Bastos, pontua que como agentes financeiros “temos a necessidade de levantar questões educacionais que contrapõem essas apostas. Na cooperativa, temos um papel importante na construção da saúde financeira e cada associado precisa entender que, poupando, consegue garantir um futuro mais tranquilo. A grande questão é a ilusão do imediatismo que o jogo proporciona. Sempre mostramos as alternativas de investimentos com uma previsão de retorno no longo prazo e sempre trazemos essa questão das apostas, onde todo o valor que é gasto poderia estar sendo depositado para garantir alguma estabilidade no futuro”. Sempre que a agência percebe alguma prática que envolve esse tipo de comportamento, “orientamos com dicas de educação financeira, porém, não existem milagres ou ganhar dinheiro fácil, tudo é construído”. No entanto, as redes sociais fomentam este comportamento de apostar e, que, geralmente, deixa o usuário no negativo. “Para não mostrarem para a família esta perda financeira, muitos utilizam recursos de linhas de crédito e cheque especial para tentar reaver os valores perdidos, porém, na maioria das vezes, acabam contraindo um endividamento em função disso. Neste sentido, como agentes propulsores do desenvolvimento social e econômico, temos a obrigação de passar as melhores práticas para que a pessoa deixe de jogar e passe, de fato, a investir em uma instituição financeira que é consolidada”.


















































