Campo Bom – Os primeiros sete meses de 2024 foram marcados por três crimes violentos contra a vida – sendo um deles duplo homicídio – em Campo Bom. Quatro pessoas foram assassinadas de janeiro a julho e, dos três casos, dois já foram esclarecidos e os autores presos. O último crime, cometido no dia 5 de julho, ainda está sob investigação do delegado Rodrigo Câmara.
O primeiro crime foi o mais violento deste ano. Em 12 de janeiro, um casal foi executado a tiros dentro do veículo Creta, na Avenida 20 de Setembro, em Campo Bom, quase divisa com Sapiranga. A psicoterapeuta Maria Rosane Stefanello, 53 anos, e o microempresário Valdir Meller, 54 anos, foram encontrados mortos com diversos disparos. Em menos de 15 dias, a Polícia Civil conseguiu identificar e prender o assassino. Ele devia o montante de R$ 200 mil para as vítimas. Conforme a investigação, o casal morto é suspeito de agiotagem, o que justificaria o valor “emprestado” ao assassino.
Ainda conforme a equipe, as cobranças feitas pelo casal ao devedor eram constantes, mas sem violência. O criminoso, sem conseguir pagar o que devia, teria armado uma emboscada para assassinar o casal. “No dia, ele marcou com as vítimas dizendo que pagaria R$ 20 mil. O ponto de encontro ocorreu na estrada de chão porque ele falou que estava com IPVA vencido e não queria passar na frente da polícia na RS-239”, contou o delegado Rodrigo.
Executado em segundos
Uma câmera também foi essencial para a elucidação do assassinato de Diordinis Maciel Mello, de 42 anos, no dia 26 de abril. O crime foi cometido por um vizinho, que lhe alugava uma casa. Eles tiveram desentendimento sobre custos de melhoria da residência e, numa discussão rápida, o assassino sacou a arma e atirou no pescoço de Diordinis, que morreu no local. O acusado do crime já era investigado por tráfico de drogas em Campo Bom. “Após a morte, ele fugiu para Rolante. Duas semanas antes da prisão, descobrimos qual carro ele estava usando. Na tentativa de abordagem, ele tentou atropelar os policiais”, conta Rodrigo, que também lhe indiciou por tentativas de homicídio.
PROVAS ROBUSTAS

O delegado Rodrigo revela que o inquérito do duplo homicídio está repleto de provas contra o acusado preso. “Além das conversas do telefone, temos a geolocalização dele (assassino) no momento do crime no local e há câmeras de segurança que mostram ele chegando à cena do crime em um veículo branco, que havia pego emprestado. Após as mortes, ele retirou a placa do carro para fugir”, conta o delegado.
Pelo que foi apurado pela investigação, Valdir havia emprestado dinheiro para o assassino, mas não estava conseguindo pagar. A esposa, acredita-se, que foi morta por estar na companhia do marido. Ela não atuava com os empréstimos. “Talvez, ele não esperasse que ela estivesse junto, mas como ela o conhecia, acabou matando-a também”, comenta.
“As primeiras horas são cruciais”
O terceiro homicídio do ano foi cometido em 5 de julho. Dirceu Inácio da Silva, 65 anos, foi alvejado da varanda da casa e caiu morto no quarto, com quatro tiros nas costas e dois nas pernas, no bairro Paulista. “Provavelmente, o assassino conhecia a vítima. Ele não entrou na casa, atirou da rua”, disse Rodrigo, sem dar mais detalhes do caso que ainda está em andamento.
Os crimes de homicídio são considerados prioridades do Setor de Investigação. Quando acontecem, todos os esforços são para a elucidação o mais rápido possível. “Para tanto, sempre temos uma equipe de plantão e também vou pessoalmente nos crimes. Esse é o momento que a gente diz que a prova está quente, as pessoas as vezes acabam falando, o que em outra ocasião não falam mais, principalmente quando envolve crime organizado. Assim como o momento do crime, as horas seguintes, são cruciais e fazem toda a diferença para o andamento da investigação”, destacou ele.
Denúncias podem ser sempre feitas para a Polícia Civil, que preserva a identidade do denunciante.


















































