Região – Os números de reciclagem ainda estão muito abaixo do necessário. Segundo dados do Consórcio Pró-Sinos, a recuperação de resíduos secos na região Sul ainda varia entre 3% e 4%, índice abaixo das metas previstas pelo Plano Nacional de Resíduos Sólidos. Conforme o consórcio, a meta regional para 2028 é de 14,3%. Municípios como Araricá, Igrejinha, Campo Bom, Nova Hartz e Dois Irmãos já atingem ou se aproximam desse percentual, enquanto cidades maiores ainda enfrentam dificuldades para ampliar a reciclagem.
De acordo com a diretora técnica do Consórcio Pró-Sinos, Aline Fachini, a participação da população é essencial para ampliar esses índices. “A coleta seletiva só existe se as pessoas aderirem. É responsabilidade de cada cidadão separar os resíduos e destiná-los corretamente”, destaca.
Outro ponto de atenção é o lixo orgânico. Quando descartado de forma inadequada, ele pode gerar chorume, líquido com potencial de contaminar córregos e lençóis freáticos. O Pró-Sinos destaca que a reciclagem desse tipo de resíduo na região é praticamente inexistente, muito abaixo da meta regional de 7,2%. Por isso, o tratamento adequado dos resíduos orgânicos é considerado fundamental para reduzir impactos ambientais.
Esgoto sanitário e logística reversa em destaque
Apesar da contribuição dos resíduos para a poluição, o principal problema identificado na Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos continua sendo o esgoto sanitário. “O principal problema da Bacia do Rio dos Sinos ainda é o esgoto sanitário. Nosso monitoramento mostra mensalmente o quanto a qualidade da água é degradada por esse fator”, ressalta Aline.
A logística reversa, conforme Aline, é fundamental para ampliar a responsabilidade de fabricantes e comerciantes sobre o destino de embalagens e produtos após o consumo. A diretora destaca que nem tudo o que é descartado na coleta seletiva acaba sendo reciclado. Embalagens com materiais mistos, rótulos de difícil remoção ou sem viabilidade de mercado frequentemente são rejeitadas pelas cooperativas e seguem para aterros, evidenciando a necessidade de repensar a forma como os produtos são desenvolvidos e descartados.
Segundo ela, muitos materiais considerados recicláveis acabam não sendo reaproveitados por limitações técnicas ou pela falta de demanda da indústria recicladora, o que reforça a importância de ampliar a participação dos fabricantes na destinação adequada desses resíduos.
Responsabilidade de todos
O Pró-Sinos desenvolve ações de educação ambiental em parceria com cooperativas e municípios, além de apoiar campanhas de conscientização sobre a separação correta dos resíduos. Um projeto regional também prevê investimentos em reformas, equipamentos e ampliação da estrutura das cooperativas para fortalecer a coleta seletiva. Para Aline, a preservação dos rios depende do envolvimento de todos. “A população precisa fazer a sua parte, mas também é necessário que os municípios qualifiquem equipes, mantenham seus planos atualizados e busquem investimentos”, afirma.
Secretários ressaltam a importância da ação
“O descarte incorreto de resíduos traz uma série de impactos. Quando jogados em locais inadequados, esses materiais acabam chegando aos rios e arroios, comprometendo a qualidade da água e causando danos à fauna e à flora. Além disso, a presença de lixo nos mananciais dificulta e encarece os processos de captação e tratamento da água destinada ao abastecimento público. Outro prejuízo importante é a perda de materiais que poderiam ser reciclados que reduz a renda das cooperativas e a oferta de matéria-prima reciclada para a indústria”, pontua Ederson André Klein, secretário de Meio Ambiente de Sapiranga.
“A reciclagem tem papel fundamental na melhoria da qualidade da água dos rios, pois reduz a quantidade de resíduos descartados incorretamente no meio ambiente. Quando os materiais são reciclados, evita-se que cheguem aos cursos d’água, onde podem causar poluição, liberar substâncias tóxicas e prejudicar a fauna aquática. Além disso, a reciclagem diminui a necessidade de extração de recursos naturais e reduz a geração de efluentes industriais. Dessa forma, contribui para a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade”, pondera Ana Orsi, secretária de Meio Ambiente de Campo Bom.
“Quando reciclamos corretamente, evitamos que resíduos sejam descartados de forma inadequada e cheguem aos rios, causando poluição e prejudicando a vida aquática. Também reduz a extração de recursos naturais e a quantidade de lixo destinada aos aterros, contribuindo para a preservação ambiental e para a qualidade da água. Em Igrejinha, a população conta com a triagem dos materiais recolhidos nas residências e com um ecoponto garantindo o descarte adequado e incentivando práticas sustentáveis”, ressalta Willian da Silva Procksch, secretário de Meio Ambiente de Igrejinha.
“A reciclagem tem impacto direto na qualidade da água dos rios. Quando materiais são descartados corretamente, evitamos que cheguem aos cursos d’água, causando poluição e prejudicando a fauna e a flora. Em Parobé, temos um trabalho de desassoreamento histórico desde o ano passado, que vem recuperando a capacidade dos rios e arroios e melhorando seu fluxo. A união entre a preservação dos rios e a conscientização sobre a reciclagem é fundamental para uma cidade mais sustentável e com mais qualidade de vida”, comenta Vera Silveira, secretária de Meio Ambiente de Parobé.

















































