Região – Alvo de queixas e discussões desde outubro de 2025, quando foi anunciado pelo Governo do RS, o projeto inicial de concessão de rodovias do Bloco 1, formado por RS-239, RS-115, RS-020, RS-040, RS-118, RS-235, RS-466, RS-474 e pela futura RS-010 (ligação entre Porto Alegre e Sapiranga), sofreu algumas mudanças, que foram compartilhadas pelo governo no dia 28 de abril. Elas ocorreram a partir de ações como audiências públicas, realizadas em novembro do ano passado, em Taquara, Gramado, Novo Hamburgo e Gravataí.
Entre as mudanças, está a redução no número de pórticos de pedágio no sistema free flow: de 23 previstos inicialmente, o total caiu para 17. Além disso, também foram reduzidas tarifas em rodovias como a RS-239, RS-115 e RS-020, a exceção do previsto na RS-020, em Taquara, onde houve aumento.
O free flow, sistema de cobrança automática sem praças de pedágio, é justamente um dos pontos de maior debate. Embora o governo destaque a fluidez e a modernização, moradores e autoridades de diversos municípios têm demonstrado forte descontentamento, temendo aumento de custos diários para deslocamentos curtos, cobrança excessiva em áreas urbanizadas e impacto financeiro para trabalhadores e empresas.
Mudanças serão anunciadas em junho
Em entrevista ao Grupo Repercussão, o vice-governador do estado, Gabriel Souza, ressaltou que a tendência é que haja, de fato, diminuição nas tarifas e na quantidade de pórticos free flow, no entanto, não deu mais detalhes, afirmando que as informações serão apresentadas durante o mês de junho, pelo governador Eduardo Leite.
Gabriel também falou sobre a RS-010, outro ponto de atenção, no projeto de concessão do Bloco 1. “Para incluir a obra, precisamos colocar dinheiro para dentro da concessão, isso significa eventual tarifa mais alta, então, talvez uma solução seja incluir no contrato a necessidade da concessionária fazer o projeto executivo com todo o licenciamento ambiental, que já é grande ganho. E aí, com isso, discutir, no futuro, talvez no próximo governo já, qual será a decisão; se vamos fazer com recurso público, se vamos reequilibrar o contrato para fazer essa estrada tão importante para o estado, na concessão. Acho que é um meio-termo que é possível que a gente chegue nesse nível, a partir dessa apresentação nova que faremos em junho, através do governador Eduardo Leite”, reforça.
Vice-governador afirma que diálogo segue aberto
O vice-governador também ressaltou que a gestão segue aberta ao diálogo, algo que lideranças do Sinos e Paranhana discordam, apontando justamente a falta de diálogo com o Governo do Estado, na solicitação por mudanças no projeto. “Tivemos quatro audiências públicas, uma consulta pública, recebemos inúmeras sugestões, mas aqueles que quiserem contribuir com algo que ainda não foi levado ao conhecimento do estado, estamos 100% à disposição”, afirma Gabriel. “Temos duas convicções: que as concessões são importantes para poder desenvolver o estado; são 5 bilhões de investimento, rodovia duplicada, viadutos, acessos, acostamentos, terceiras pistas, coisas que o Estado, infelizmente, não terá dinheiro para fazer; e ao mesmo tempo, a segunda convicção é diálogo; precisamos dialogar, radicalizar na conversa, para podermos exaurir esse debate. Claro que eventualmente terão insatisfeitos, mas o máximo possível que pudermos progredir, é do nosso interesse que a gente faça e, por isso, mesmo estamos abertos a ouvir ainda mais sugestões que eventualmente possam acontecer”, acrescenta.
Autoridades reforçam opiniões sobre o assunto, que deve ter novos desdobramentos no mês que vem
Nesta semana, o deputado estadual Joel Wilhelm esteve em Sapiranga conversando com empresários e, mais uma vez, demonstrou contrariedade à concessão do Bloco 1 das rodovias. “Nós não vamos parar até que o governo desista da publicação desse edital; a cada dia temos mais motivos para isso, um exemplo disso é o Bloco 3, que abrange as regiões do Vale do Caí e Serra, concessão esta que está em andamento, nós estamos com obras há três anos atrasadas, já houve o reequilíbrio do valor do pedágio, que aumentou assustadoramente”, diz ele, afirmando que segue somando forças para evitar a concessão, da forma como está apresentada. “Vamos seguir apresentando os nossos números, demonstrando que o custo está equivocado, os custos operacionais com o sistema, com diretorias, com o pessoal. É disso que nós estamos falando e vamos seguir firmes e fortes defendendo a nossa região”, ressalta.
Deputado estadual, o delegado Zucco ressalta que desde o início é contra o modelo de concessão apresentado pelo Governo do Estado em outubro do ano passado, principalmente a modelagem do Bloco 1 que, segundo ele, vai impactar significativamente a competitividade dos produtores da região e no deslocamento da população.
O deputado também comenta sobre ações lideradas por ele, que tratam de concessões. “Protocolei um Projeto de Lei que retira do governador a prerrogativa de conceder estradas sem passar pela Assembleia. O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça e deverá ser votado em breve. Vejo como positivo o posicionamento do meu irmão pré-candidato ao Governo do Estado (Luciano Zucco) de ser contrário também. Vamos ter que rever vários contratos cujas concessões estão sendo prejudiciais na prestação de serviços públicos concedidos”, destaca.
Deputado estadual, Felipe Camozzato criticou a postura do governador Eduardo Leite, diante da falta de diálogo sobre o projeto. “O governador está sendo teimoso, e não consigo entender porque essa teimosia, começo até a ficar desconfiado do que
há por trás disso, porque a comunidade inteira, todo o Paranhana, Vale do Sinos, com algumas exceções contadas a dedos, é contrária a esse modelo que está aí, com tarifas altas, sem estudo de impacto socioeconômico na região, onde existe um valor de investimento que é muito elevado”, diz ele, reforçando que o ideal seria postergar esse debate para, em um novo governo, realizar novo estudo sobre o assunto, sobre possíveis alternativas. Ele cita o exemplo de rodovias mistas estadual e federal, como no Paraná. “Lá, com o aumento de fluxos de veículos, tem redução de tarifa. Tu tem modelos onde o governo entra com o Capex, com o investimento da infraestrutura, para depois fazer uma concessão só da manutenção, também é tarifa mais baixa”, comenta.
Prefeito de Dois Irmãos, Jerri Meneghetti reforçou que segue contra o projeto, como está apresentado. “Desde o início, nós formamos um consenso entre os prefeitos da região, que nós somos contra, a grande maioria dos prefeitos pelo menos, porque mesmo que a rodovia não passe no território de Dois Irmãos, a nossa gente, a nossa população, ela circula, é móvel, então o nosso pessoal acessa as universidades, há trabalho, as empresas precisam também circular dentro da região, então nós somos contra. Agora, se o governador não vai retroceder, se ele realmente vai manter a ideia e seguir em frente com essa construção, pelo menos teria que revisar valores, teria que revisar o número de pontos onde vai ser operado, porque da forma como está, vai inviabilizar economicamente a vida de muita gente”, lamenta.
Prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes comenta sobre o assunto. “Quando eu trato desse tema, gosto de usar a imagem de uma balança. Em um dos pratos, está o custo do pedágio e dos investimentos necessários para viabilizar as obras. No outro, precisamos colocar o custo de não fazer: continuar convivendo com estradas inseguras, falta de acostamentos, ausência de viadutos, congestionamentos, acidentes, perda de tempo, maior consumo de combustível e dificuldades logísticas que freiam o desenvolvimento da região. Precisamos refletir sobre o custo de manter toda essa estrutura funcionando ao longo de 30 anos. A realidade mostra que o Estado e a EGR não conseguiram executar essas obras na velocidade que a região precisa. Então, a pergunta é: terão condições de fazer agora ou ali na frente? É uma discussão que exige olhar racional, pensando no futuro, na segurança, na competitividade e no desenvolvimento da nossa região”, finaliza.
Prefeito em exercício de Sapiranga, Caleb Santos destaca que entendem que a concessão é um meio importante para uma rodovia segura e funcional, no entanto, reconhecem que o modelo apresentado pelo Governo do Estado não contempla o que Sapiranga precisa. “Está claro que a população e o setor produtivo não querem e não podem assumir novos encargos, como o de mais pedágios. A RS-239 corta a nossa cidade e é o meio para trabalhadores se deslocarem, escoamento da produção e do comércio, e caminho para estudantes e turistas, ou seja, é um impacto direto no custo de vida. As obras de melhorias precisam ser efetivas e realizadas o quanto antes, temos um alto índice de acidentes. Por isso, precisamos que as sugestões sejam ouvidas e que os municípios tenham voz. Esse é um movimento primordial numa resolução tão importante: escutar o que a população precisa”, finaliza.
Prefeito de Araricá, no Vale do Sinos, Oseas Garcia lamenta a falta de diálogo sobre o projeto de concessão das rodovias do Bloco 1. “Ainda está faltando escutar quem são os maiores afetados por essa concessão, porque da forma que está proposta, está horrível, porque vai impactar diretamente a vida de todo mundo, principalmente dos estudantes e dos trabalhadores das nossas regiões”, diz ele, citando o exemplo da sua cidade. “Araricá é um município pequeno e, infelizmente, será muito afetado. Vai comprometer a estrutura da nossa rodovia”, comenta, reforçando que as mudanças divulgadas, recentemente, ainda não atendem aos apontamentos das lideranças e entidades. “Ele (governador Eduardo Leite) mudou pouca coisa, e não conseguiu explicar os questionamentos que foram levantados na CPI”, finaliza Oseas.
Prefeito de Nova Hartz, também no Vale do Sinos, Neri Chicatto reforça que é contra a concessão, da maneira como está sendo proposta pelo Governo do Estado. Ele comenta que obras de melhoria são necessárias, sim, nas estradas, no entanto, discorda sobre a instalação de tantas praças de pedágio no modelo free flow, que é o que prevê o atual projeto do Bloco 1 das rodovias, e o que mais gerou a indignação de lideranças da região. “Aqui na nossa região, Vale do Sinos e Vale do Paranhana, a maioria é contra esse tipo de pedágio. Ele torna-se inviável para as nossas cidades, que são muito próximas umas das outras”, diz ele, citando exemplos de usuários que serão afetados com as cobranças, principalmente estudantes, que utilizam as rodovias para seguir para a faculdade. “Certamente, isso vai dificultar ou até inviabilizar o transporte deles”, lamenta o prefeito.
Também participando das discussões sobre a concessão do Bloco 1 das rodovias desde o início, o prefeito de Parobé, Gilberto Gomes, ressalta a necessidade de o assunto seguir sendo pauta, na região e no estado. “Seguimos abertos ao diálogo, e precisamos conversar. Esperamos que, antes de ir para leilão, que tenha uma conversa com os prefeitos, para que possamos dialogar e explicar as nossas situações”, diz ele, se referindo principalmente ao Vale do Paranhana e Vale do Sinos. O gestor também comenta sobre as pequenas mudanças já anunciadas, mas ressalta que não são suficientes. “Nós, enquanto prefeitos, estamos aguardando o Governo do Estado chamar, para conversamos e podermos apresentar uma proposta que realmente não impacte tanto, principalmente o Vale do Paranhana”, finaliza.
Em Taquara, no Vale do Paranhana, a prefeita Sirlei Silveira segue acompanhando o andamento do projeto, mas também ressalta obras já realizadas, contando com o apoio do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. “No momento oportuno, nós já nos manifestamos com relação à questão dos pedágios. Todavia, hoje, o nosso posicionamento sobre o atual governo também é de gratidão porque, desde que assumimos o governo em Taquara em 2021, realizamos obras com incentivo do governo estadual, com recursos que ultrapassaram os R$ 20 milhões em frentes importantes de infraestrutura, saúde, cultura e outras áreas primordiais. Concluímos obras importantes como Complexo de Saúde, a nova Casa Vidal, pavimentações em ruas da área central, e teremos, em breve, uma nova emergência e ampliação do Hospital Bom Jesus”, diz ela, citando outras obras públicas.
Prefeito de Igrejinha e presidente da Ampara, Leandro Hörlle lamenta a falta de diálogo do governo. “Acompanhamos, mais uma vez pela imprensa, o anúncio de assuntos envolvendo a concessão dos pedágios. Infelizmente, o governador, que sempre foi uma pessoa do diálogo, dessa vez não vem sendo. A Ampara, em três oportunidades, solicitou a possibilidade de conversar diretamente com ele, para que a gente evite a concessão dos pedágios, porque a questão vai muito além das tarifas. Nós falamos de modelagem, de reflexos no sistema viário da região. Infelizmente, o governador, mais uma vez, não foi sensível aos nossos apelos, e informou mudanças sem nos consultar. Então, continuamos com a nossa posição de contrariedade ao bloco de pedágios, até que possamos ser ouvidos e possamos dialogar sobre as necessidades e realidades da nossa região”, conclui.
Prefeito em exercício de Três Coroas, Lauri Ott reforça a posição contrária ao projeto de concessão de Bloco 1 das rodovias, que vem sendo pauta de debates desde o final do ano passado. “Seguiremos debatendo e manifestando posição contrária ao modelo de concessão de rodovias apresentado pelo Governo do Estado, por entendermos que a iniciativa poderá gerar impactos econômicos negativos para o Vale do Paranhana”, diz ele. Ele ressalta, ainda, que entende a necessidade de melhorias. “Reconhecemos a importância de investimentos em infraestrutura e melhorias nas estradas, mas defendemos um modelo mais equilibrado e viável para a população e os setores produtivos. Também esperamos o apoio das entidades da indústria, do comércio e dos serviços para fortalecer a mobilização regional em defesa de alterações no projeto”, acrescenta Lauri.
Prefeito de Rolante, no Vale do Paranhana, Alceu Trevizani afirma que é a favor de obras de infraestrutura, mas reforça que, desde o início, critica a quantidade e os valores dos pedágios propostos pelo governo estadual. “Sempre falei que obras são importantes e precisam acontecer; não podemos parar no tempo, mas sou contra tantos pedágios, então, isso precisa ser reavaliado e melhor discutido”, diz ele, compartilhando sugestões como a isenção de pedágio para veículos locais. “É preciso pensarmos em algo que seja bom para todos, porque precisamos avançar. O mundo avançou, a tecnologia avançou. Se pararmos no tempo, não teremos obra nenhuma, e essas obras precisam acontecer. Imagina Rolante, daqui a 30 anos, como vai ficar se parar no tempo?”, questiona o prefeito, comentando que muitas obras estão para acontecer.
Prefeito de Riozinho, Airton Trevizani, mais conhecido como Alemão, afirma que ainda tem esperança que novas mudanças, e mais significativas, serão anunciadas pelo Governo do Estado, nos próximos meses. “Ainda temos a esperança de que o governador irá ceder”, diz ele, ressaltando que é a favor de obras de infraestrutura, que melhorem o tráfego nas rodovias e levem mais segurança aos usuários, mas que segue contra tantos pontos de pedágio e tarifas elevadas. “Não somos contra os pedágios, somos contra a quantidade e os valores. Então, queremos que o governo diminui um pouco mais as tarifas e o número de pedágios, para termos as obras, que, sem dúvida, são extremamente importantes para nós”, completa, ressaltando a importância da busca pelo equilíbrio que permita a realização dessas intervenções.


















































