Sapiranga – Romper ciclos de violência e evitar novas agressões são os principais objetivos dos Grupos Reflexivos de Gênero (GRG), projeto que acompanha homens autores de violência doméstica encaminhados por determinação judicial.
Realizada no Salão do Júri do Fórum de Sapiranga, a iniciativa promove conscientização, responsabilização e reeducação acerca de valores morais, éticos e psicológicos, além de buscar prevenir o descumprimento de medidas protetivas e situações extremas, como o feminicídio. Cada ciclo reúne seis encontros quinzenais, com duas horas de duração e comprovação de frequência e participação. O trabalho é conduzido pela assistente social e facilitadora Silvia Cristina Maciel, pela psicóloga Marinês Fernandes e pelo advogado criminalista Nicolas Kureki. “Os homens não entendem a aplicação da Lei Maria da Penha, muitos nem leem a intimação”, afirma Silvia. Nos encontros, a equipe aborda papéis de gênero e manifestações explícitas e sutis da violência, da agressão física e do abuso psicológico à humilhação, ao controle e ao machismo naturalizado. Marinês explica que o acolhimento não elimina a responsabilização. “A escuta psicológica permite compreender a história daquele sujeito e, ao mesmo tempo, ajudá-lo a reconhecer sua responsabilidade pelas próprias escolhas”, destaca.
A proposta amplia a percepção de participantes e incentiva relações pautadas no respeito.
Escuta e responsabilização para transformar as condutas
“Meu trabalho é oferecer escuta qualificada e psicoeducação, ajudando os homens a compreender sentimentos, comportamentos, crenças e padrões que podem contribuir para a construção de relações violentas”, comenta Marinês Fernandes, psicóloga do GRG.
“Criamos vínculos e realizamos a escuta ativa para que o homem se reorganize em suas condutas. O acompanhamento profissional é necessário quando os envolvidos não conseguem romper sozinhos a relação sem suporte”, destaca Silvia Maciel, assistente social de Sapiranga.
“Em 20 anos, a Lei Maria da Penha mostrou que punir não basta. Com abordagem transdisciplinar, os grupos reflexivos ajudam o agressor a reconhecer com clareza a violência, rever condutas e evitar a reincidência”, salienta Nicolas Kureki, advogado criminalista.
Atendimento amplia reflexões em encontros do projeto
Além dos profissionais que conduzem o projeto, os encontros contam com convidados da rede de atendimento e enfrentamento à violência. Representantes da Delegacia de Polícia, do Conselho Tutelar, do Ministério Público e da Patrulha Maria da Penha compartilham orientações. Há também diálogo com profissionais de outros municípios. Entre os convidados esteve o escritor Ismael Boeira, do Cras de Campo Bom. Autor do livro “Criada da Casa”, ele participou de atividade sobre crianças, adolescentes e ciclos de violência. Os encontros ainda utilizam o iceberg da violência de gênero, que mostra desde crimes explícitos até práticas sutis, como humilhação, controle, culpabilização, publicidade e humor machistas.
A proposta é tornar visíveis comportamentos naturalizados que sustentam relações desiguais e podem anteceder formas mais graves de violência.
















































