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Patrimônio Cultural ainda necessita de conscientização

SENAC Novo Hamburgo

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Campo Bom – Cultivar e valorizar a história de um povo inicia pela preservação da sua história, que se reflete no patrimônio deixado para as futuras gerações. Em Campo Bom, o inventário do patrimônio cultural da cidade, arquitetônico e paisagístico, foi finalizado em 2016 pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural, em parceria com o Iphae (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado). Todos esses bens não podem ser derrubados, apenas reformados, mas a fachada deve ser mantida. Conforme Jorge Luís Stocker Jr., arquiteto e presidente do Conselho, a intenção é construir, a partir do levantamento, políticas de preservação. “O que existe hoje é um acordo do Ministério Público com a Prefeitura que impede que seja autorizada a destruição desses bens, o que ainda é insuficiente, já que os bens são destruídos sem autorização”, destaca Stocker.

O Conselho foi instituído em dezembro de 2016, constituído por quatro representantes da Prefeitura e quatro da sociedade civil. Uma dificuldade ainda enfrentada, segundo o arquiteto, é o fato de o município ainda não possuir políticas para preservação. “O Conselho surgiu para discutir demandas, que seriam levadas para a prefeitura em forma de sugestão, mas acaba que temos que resolver problemas porque a cidade não tem solução para situações ligadas a patrimônio, é preciso ter procedimentos administrativos, um setor que trate disso para que o Conselho possa atuar como Conselho”, aponta Jorge.

Guilherme Pilger


Segundo a Prefeitura, a administração possui interesse na preservação do patrimônio histórico da cidade, e a intenção inicial é divulgar aos proprietários o valor de manter os bens preservados. Ainda não se tem nenhuma forma de incentivo, o que está sendo avaliado, e que envolve uma reunião entre prefeito, conselho e câmara municipal, para que sejam definidos alguns parâmetros. Atualmente, não existem planos para conter o desmoronamento de prédios históricos.

No quesito conscientização, a cidade ainda caminha devagar. A comunidade, para Jorge, tem pouco contato com o patrimônio. “Campo Bom teve um projeto bem pioneiro na década de 1980, em que havia educação patrimonial nas escolas. Depois disso, são gerações e gerações que cresceram sem ter uma opinião formada a respeito”, ressalta o presidente do Conselho.

Débora Trierweiler, membro do Conselho e grande entusiasta da manutenção dos bens históricos, também fala da dificuldade de conscientizar. “As pessoas não entendem isso como uma possibilidade de negócio, e também falta ainda estruturação da própria cidade, precisamos uma consciência coletiva”, ressalta.

Manter a história de pé é reconhecer as próprias raízes

Débora ainda fala da importância de se valorizar o patrimônio. “Nós somos um país jovem, as pessoas quando vão à Europa tiram fotos nos prédios antigos. Aonde está a história da cidade, as raízes? Como você vai respeitar tua cidade se você nem conhece ela?”, questiona.

Dentre os casos de patrimônios bem conservados está o prédio do antigo Cinema Imperial, mantido pela própria Débora e outros proprietários, hoje utilizado para fins comerciais. Outro caso de sucesso, mantido pelo município, é o prédio da antiga estação ferroviária, que há pouco tempo foi recuperado, e é utilizado como centro cultural. Stocker ressaltou espaços urbanos da cidade que também foram inventariados, como o Parque da Integração Arno Kunz, o Parcão, que é um projeto urbano da década de 1950, realizado ainda antes da emancipação, e segue como referência. Outro bom exemplo é a sede do clube 15 de Novembro. “Um dos prédios mais importantes de Campo Bom, por sua relevância histórica e arquitetônica”, ressalta Jorge. A Casa de Carlos Blos, um dos fundadores do Clube 15 em 1911, é outro bem ainda conservado pelos herdeiros.

A casa construída pelo avô de Débora, Sr. Alfredo Blos, ao lado do antigo cinema, é outro excelente exemplo de preservação. “A parte de cima da casa está intacta, inclusive com os móveis, louças e copos. Uma família mora embaixo, até para evitar vandalismos”, conta Débora. Ela ainda pontua que ao valorizar esses espaços é possível estimular a curiosidade das pessoas, e desenvolvendo o turismo. “Temos que resgatar costumes, fazer as pessoas terem orgulho. Meu avô construiu a história dele, deixou sua marca. Então eu penso, me cabe destruir a história dele? Claro que não!”, avalia. Sobre o futuro da casa, ela ainda não sabe. “A única coisa que eu sei é que não quero desmanchar”.

O Monumento ao Oleiro foi o primeiro monumento da cidade, construído na década de 1960, em homenagem aos cidadãos que desenvolveram as olarias na região do Porto Blos. E, conforme Stocker, uma ação de recuperação do espaço está prevista para este ano.

FUTURA CASA DA MEMÓRIA DE CAMPO BOM
A antiga residência de Miguel Blos, hoje pertence ao município, que está buscando recursos para recuperar o local e transformá-lo em um museu municipal. Esta será a primeira casa a ser tombada em Campo Bom. O Conselho já fez o encaminhamento do processo.

VILLA ELLA – ANTIGA RESIDÊNCIA DE ARNO KUNZ
A casa, localizada na Avenida Brasil, em frente ao Clube 15 de Novembro, foi construída entre os anos de 1930-31 para o casal Arno Kunz e Ella Blos. Arno foi um dos principais líderes emancipacionistas de Campo Bom. O prédio se destaca pelo bom estado de conservação.

CICLOVIA ESTÁ NO INVENTÁRIO PELO VALOR CULTURAL
A Ciclovia Nestor Guilherme Fips Schneider se destaca na cidade pelo seu valor cultural, pois possui referência histórica além de já ser tradicional no município e fazer parte da paisagem. Ciclovia foi construída a partir de pesquisas com operários realizadas na década de 1970.

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