Região – Durante décadas, o orelhão foi mais do que um telefone público, era ponto de encontro e elo entre cidades. Antes dos celulares, quem não tinha telefone em casa precisava se deslocar até centrais telefônicas ou cabines espalhadas pela cidade para se comunicar.
Com o tempo, fichas deram lugar aos cartões telefônicos, ampliando o acesso. “Os orelhões acabaram substituindo as cartas e facilitaram muito a vida das pessoas”, lembra o colecionador Luiz Carlos Zimmer, mais conhecido como Luizinho, que acompanhou de perto essa transformação. Ele recorda que ligações noturnas rendiam mais tempo de conversa e que muitos combinavam horários e locais para conseguir falar.
Com a popularização do celular, esse hábito foi enfraquecendo. A falta de manutenção, a queda na qualidade do serviço e o fim da produção de cartões aceleraram o abandono. Agora, a Anatel oficializa esse processo e a retirada dos orelhões começou em 2026, devendo ser concluída até 2028, mantendo aparelhos apenas onde não há cobertura móvel. O que antes era essencial, hoje se despede como símbolo de uma era que marcou gerações.
Cartões Telefônicos
Os cartões telefônicos viraram item de coleção. “As pessoas escolhiam o cartão pela imagem, como quem escolhe figurinha”, conta Luizinho, que hoje guarda milhares deles, muitos nunca usados. Diversas imagens estampavam os cartões e despertavam o interesse das pessoas unindo a necessidade de se comunicar ao prazer de colecionar. O charme do orelhão ficou no passado, e a decisão da Anatel apenas oficializa uma mudança que, na prática, já fazia parte do cotidiano do brasileiro há anos.
“Na época, a gente precisava se deslocar, combinar horários e confiar só na voz do outro lado da linha. Hoje, é tudo imediato, mas aquele mistério e aquele charme da comunicação se perderam”. Luiz Carlos Zimmer, colecionador.
Eu usava muito o orelhão para ligar para o meu cunhado. Depois surgiram os telefones residenciais. Lembro que há 28 anos, estava pintando uma casa no interior de Taquara e minha mulher ligou no residencial do meu patrão, dizendo que meu neto havia nascido”. Delói Böhler, morador de Sapiranga.
Utilizei o orelhão de cartão por volta de 2003. Para mim, ainda era novidade. Lembro do meu pai com as fichinhas e os cartões. Era normal acabar guardando e fazendo coleção. De alguma maneira, os orelhões viraram uma grande recordação do passado”. Cleisson Ronnau, morador de Sapiranga.












































