O Rio Grande do Sul começa 2026 marcado por uma realidade que já não pode mais ser
tratada com normalidade. Em poucas semanas, sete mulheres tiveram suas vidas
interrompidas pela violência. Sete histórias que não continuarão. Sete famílias que jamais
serão as mesmas.
Essas mulheres não são estatísticas. São mães, filhas, trabalhadoras, vizinhas. São vidas
que foram ceifadas dentro de uma sociedade que ainda tolera comportamentos violentos,
silenciosos e cruéis contra mulheres.
A violência de gênero não é um fato isolado nem um desvio pontual. Ela é estrutural.
Acontece dentro de casa, atravessa gerações e revela uma cultura que ainda insiste em
tratar a mulher como posse. Isso precisa ser dito com clareza: não existe justificativa para a
violência. Nenhuma.
Como mulher, profissional da saúde e como gestora pública, eu me recuso a aceitar que
essa seja uma realidade inevitável. Já vi de perto o impacto da violência na saúde, no
psicológico das famílias e no tecido social das cidades. O custo humano é imenso e
irreparável.
Medidas de segurança são fundamentais, mas não bastam. Precisamos ir além da reação
ao crime consumado. É urgente fortalecer a prevenção, o acolhimento às mulheres, a
educação desde cedo e a responsabilização efetiva dos agressores. O Estado e a
sociedade precisam agir antes que mais vidas sejam perdidas.
Chega de luto. Chega de discursos vazios. Defender a vida das mulheres é um dever
coletivo e inadiável. Nenhuma mulher deveria morrer por ser quem é.
Por Tânia Terezinha da Silva
Profissional da Saúde e ex-prefeita de Dois Irmãos

















































