Região– Instituída pela Brigada Militar, em 2012, a Patrulha Maria da Penha acompanha mulheres em situação de violência, fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas de urgência, deferidas pelo Poder Judiciário após registro da ocorrência policial, e atua de forma preventiva, reduzindo a reincidência das agressões e fortalecendo a sensação de segurança das vítimas. O serviço está presente em 114 municípios gaúchos, contando com 2.908 policiais capacitados, distribuídos em 62 patrulhas.
Na área do 32º Batalhão de Polícia Militar (32º BPM), com sede em Sapiranga, cinco cidades do Vale do Sinos contam com Patrulha Maria da Penha: Sapiranga, Campo Bom, Nova Hartz, Araricá e Estância Velha. A guarnição é formada pelo soldado Joceli Araújo da Silva e pela soldado Poliana Del Castel, que, na primeira visita, são informados se a vítima deseja ou não ser acompanhada.
Há cinco anos atuando na Patrulha Maria da Penha, o soldado Araújo apresenta números atualizados. “Até novembro deste ano, 444 mulheres foram cadastradas e atendidas pela guarnição, com uma média de 120 fiscalizações mensais”, ressalta.
Os atendimentos são realizados por meio de visitas sistemáticas, além do acompanhamento semanal remoto, no qual as vítimas devem atualizar sua situação por telefone diretamente com a equipe responsável. Nesse contato, também podem esclarecer dúvidas e solicitar orientações.
Atualmente, há vítimas acompanhadas desde 2023, bem como outras que já receberam suporte pela terceira ou quarta vez.
Outras ações
Além da fiscalização e acompanhamento das mulheres, a Patrulha Maria da Penha atua na prevenção através de palestras, inclusive em encontros dos Grupos Reflexivos de Gênero (que reúnem homens acusados de violência doméstica). “Muitos deles resistem e demonstram falta de compreensão sobre as diversas formas de violência; eles têm dificuldade em reconhecer seus comportamentos abusivos”, ressalta o soldado, comentando, também, que só neste ano, a patrulha atendeu, por exemplo, 89 casos de descumprimento de medida protetiva de urgência, na qual os acusados desrespeitaram ordens impostas pelo Judiciário.
Atuação da guarnição
Comandante da 1ª Companhia de Sapiranga, capitão Rodolfo Petrus ressalta a atuação da patrulha. “É uma equipe especializada no atendimento a situações nas quais a vulnerabilidade das mulheres é prejudicada e acentuada. Então, nesse sentido, a Patrulha Maria da Penha realiza visitas periódicas a mulheres que se encontram em situações onde possa vir ocorrer algum risco. Isso é feito através de estudo em que se envolvem ocorrências policiais no tocante a situações em que a segurança da mulher se incorre em grande vulnerabilidade”, destacou.
Vítima ressalta sensação de segurança
Aos 42 anos, ela tenta recomeçar a vida. Ao saber que o agressor passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, admite que ficou apreensiva, mas destaca a confiança no trabalho da patrulha e da Brigada Militar.
Sobre o agressor, relata que, no início, ele se mostrava gentil, porém, com o tempo, revelou-se possessivo. “No começo, eu interpretava como cuidado, mas, na verdade, era porque ele tinha ciúmes das minhas amizades, das roupas que eu usava, até da maneira como eu sentava”, afirma. Ela lembra que o perdoou após a primeira denúncia. “Ele pediu desculpas, disse que me amava e que eu era a mulher da vida dele. Me senti culpada e, quando perguntaram se eu queria dar andamento ao processo, disse que não”, conta.
Entre idas, vindas e perseguições, a situação se agravou. O agressor passou a procurá-la insistentemente e foi visto rondando o prédio onde ela morava. “Ele veio armado e, segundo informações que obtive, queria me matar. Fiquei com medo e busquei ajuda”, relata, contando que sentia vergonha do que estava vivendo. O homem foi denunciado e preso em maio, pela Polícia Civil, em Campo Bom, após ser flagrado com um revólver com numeração suprimida e munições.


















































