Quando penso em carência afetiva e limites de conduta, especialmente em crianças e adolescentes, vejo a complexidade de suas necessidades emocionais e sociais se entrelaçando com o ambiente escolar, onde a falta de orientação adequada pode gerar efeitos profundos. Como educadora ou psicóloga, percebo que a falta de afeto e limites sólidos no desenvolvimento desses jovens muitas vezes se manifesta no comportamento dentro da escola: inseguranças, rebeldia, ou até um distanciamento emocional que impede a construção de vínculos de confiança com colegas e professores. Isso gera um impacto direto na dinâmica da sala de aula e no rendimento escolar, evidenciando a necessidade de um olhar cuidadoso e preparado.
No ambiente escolar, o psicólogo pode desempenhar um papel essencial no acolhimento dessas crianças e adolescentes. A presença de um profissional capacitado para lidar com questões emocionais e sociais oferece um espaço seguro onde eles podem se expressar sem julgamentos, entender suas emoções e construir habilidades para lidar com seus conflitos internos e externos. É a partir desse acolhimento que muitos jovens encontram maneiras de se sentir pertencentes, de aprender sobre o respeito aos próprios limites e aos limites do outro. A escola, então, não é só um local de aprendizado acadêmico, mas também um espaço de desenvolvimento pessoal, de construção de identidade e de socialização saudável.
Muitos teóricos reforçam essa importância. Vygotsky, por exemplo, enfatizava que o desenvolvimento humano é profundamente influenciado pelo contexto social e pelas interações, e a escola é um espaço essencial nesse processo. Sua teoria sociocultural sugere que, com apoio adequado, o jovem pode superar seus limites e crescer, e o psicólogo escolar contribui diretamente nesse processo ao facilitar essas interações e a compreensão das próprias emoções. Já Winnicott, com sua ideia de “ambiente suficientemente bom”, ressaltava que o ambiente afetuoso e com limites claros é crucial para que a criança se sinta segura e desenvolva uma autoimagem positiva. Na escola, o psicólogo ajuda a criar esse ambiente “seguro”, onde o jovem se sente reconhecido e respeitado.
É ao refletir sobre essas teorias que percebo a necessidade de um psicólogo escolar com uma abordagem acolhedora e estruturada. Ele não apenas orienta os alunos em questões emocionais, mas também auxilia professores e toda a comunidade escolar a entender as complexidades do desenvolvimento infanto-juvenil, construindo um ambiente mais harmonioso, que valoriza a saúde mental e o desenvolvimento pleno de cada aluno. Essa prática é, portanto, uma soma de acolhimento, disciplina e respeito aos processos de cada criança e adolescente, para que a escola seja um espaço verdadeiramente inclusivo e transformador.
Convido toda a comunidade escolar — professores, pais e responsáveis — a refletir sobre a importância da presença da psicologia no desenvolvimento da resiliência de nossas crianças e adolescentes. Muitos desses jovens chegam à escola carregando marcas das deficiências afetivas que enfrentam em seus lares, e a escola, ao se abrir para a atuação do psicólogo, assume um papel de apoio fundamental.
Quando trabalhamos juntos, oferecemos um ambiente onde esses jovens podem encontrar acolhimento, aprender a lidar com seus sentimentos e construir ferramentas emocionais que os ajudarão a superar dificuldades. A psicologia escolar não se trata apenas de intervir em momentos de crise; é uma construção contínua de resiliência e empatia, um trabalho que beneficia toda a comunidade escolar. Que possamos, juntos, fortalecer esses alicerces emocionais, para que cada criança e adolescente encontre na escola um espaço de crescimento e de realização, capaz de ir além das carências e limitações que enfrentam fora dela.
Bruna Voese Caponi
Graduanda em Teologia Uninter
Psicologia Ulbra e Filosofia Unisinos













































