Seremos melhores em algumas coisas. Os conceitos de heroísmo do povo gaúcho foram atualizados. São tantos os atos heroicos que espero tenhamos sido todos contaminados. E em alguma medida fomos. Creio que não há quem não esteja fazendo algo que lhe é pouco confortável, mas que representa muito e olhando com devoção para aqueles que estão na linha de frente.
Teremos dificuldade em sermos covardes se lembrarmos do homem que se arriscou no deslizamento, cavando com as próprias mãos para salvar o amigo. Conseguiu que o moço morresse em seus braços, sabendo que tinha um amigo herói. Que isso nos inspire e não nos deixe esquecer que “o que a vida quer da gente é coragem” e que todos podem ser um pouco heróis no dia a dia.
Nossas lembranças marcantes também foram atualizadas. Os que estão no campo de guerra, como vítimas diretas e como salvadores, terão feridas na alma que não cicatrizarão. Mas qualquer um de nós, dificilmente conseguirá cruzar Canoas sem enxergar com vivacidade aquela multidão nos viadutos, cenas até então inimagináveis por essas bandas. Acho que nem reclamaremos mais do trânsito excessivo da BR-116, quando pudermos novamente transitar por ela e entrar num Porto não muito alegre.
Na Capital, Serras, Vales, região sul, as cenas catastróficas vão manchar a beleza para sempre. Cada um viverá até o último dia com alguma lembrança viva e muitas mortas. Pobres netos, terão que ouvir tantas histórias da enchente de 24!
O pôr do sol do Guaíba continuará sendo o segundo mais lindo do mundo, (todos sabem que o primeiro lugar é do Morro Ferrabraz) mas será também o mais triste. Sim Exupéry, é verdade, quando estamos muito tristes gostamos de ver o pôr do sol. Mas hoje gostamos de apenas ver o sol. Tomara que doravante o prenúncio de chuva não nos agonie em excesso, precisamos dela também.
O conceito de gratidão deve voltar a ter o peso que perdeu nos últimos tempos. Há tantas pessoas e tanta coisa importante para endereçar o vocábulo. Até desconfio que ficaremos mais bairristas, mas também que seremos mais contidos em mostrar tal fraqueza aos irmãos que nos ajudaram tanto.
Felizmente pudemos contar com muitos heróis que não são tecnicamente gaúchos, mas nos nossos corações passaram a sê-lo. Todos, e são tantos, que de alguma forma ajudaram e continuarão ajudando o estado, são gaúchos, são heróis, são gente que não se entrega, que mantém viva a fé e a esperança de uma nação inteira.
A batalha mais sangrenta está acabando, mas a guerra será longa. Sirvam nossas façanhas, de modelo a toda terra!
Maristela Cardoso da Rosa,
advogada especialista em Direito Tributário na Arnold da Fonte & Cardoso da Rosa Sociedade de Advogados. OAB/RS 096.430


















































