Região – O Reino de Judá viveu uma tensão por volta de 730 a.C.: o apóstata Reino de Israel e a idólatra Síria haviam feito uma aliança ameaçadora ao Reino de Judá (Is 7:2). Embora o rei de Judá, Acaz, não fizesse o que era reto aos olhos do Senhor, o profeta Isaías foi enviado ao rei com uma mensagem (Is 7:4): se confiasse em Deus, Deus iria protegê-lo. Mas o rei decidiu fazer algo diferente: pedir apoio ao Reino Assírio. Foi assim que o rei Acaz, confiando em homens, rejeitou confiar em Deus. O resultado irônico foi que os assírios foram justamente quem devastaram o Reino de Judá anos mais tarde e deixaram em pé apenas a capital Jerusalém (2Rs 18:15 e 17). O que se seguiu foram tempos de angústia para o Reino de Judá. Povo ferido, sem terra para cultivo, sem dinheiro e sem força militar… Os judeus haviam ingressado em profundas trevas. Mas isso é apenas parte da história, porque Deus não havia apenas dado a chance ao povo de confiar nele, Deus também tinha feito uma promessa (Is 9): embora tinha sido rejeitado pelo seu povo, Deus prometera que a terra que estava angustiada e humilhada um dia seria honrada e o povo que então andava em trevas e na sombra da morte um dia veria uma grande luz…
Mais de 700 anos depois, Mateus, no capítulo 4 do seu evangelho, aplica o cumprimento dessa profecia, não a uma vitória dos judeus em alguma batalha, mas a Jesus. E diferentemente do que você pode estar pensando, o evangelista não se referia ao nascimento dele. Não! De fato Mateus aplica ao nascimento de Jesus outras profecias, como a concepção por uma virgem (Mt 1:23), a cidade em que o Messias deveria nascer (Mt 2:6) e até mesmo a matança de bebês ordenada por Herodes, intencionando matar o recém-nascido Rei dos Judeus (Mt 2:18). Porém, a nossa profecia Mateus aplica ao início do ministério de Jesus, e não ao seu nascimento. Interessante! O povo veria uma grande luz não especificamente em razão do nascimento de Jesus, mas em razão do início do seu ministério (Mt 4:12), que consistia na seguinte proclamação: “Arrependam-se, porque está próximo o reino dos céus” (Mt 4:17).
Você pode estar se perguntando: “O natal não é importante, então? É isso o que está sendo dito?” Não, não é isso o que está sendo dito. A vinda do Salvador é absolutamente fundamental no plano redentor de Deus (Ef 1:7), e é conveniente separarmos uma época do ano para lembrarmos dessa verdade. Porém, mais importante do que saber que Jesus veio em carne é segui-lo. O Evangelho de Mateus, imediatamente após registrar o início do ministério de Jesus, registra o chamado para o discipulado. Simão Pedro e André foram vistos lançando a rede ao mar. Jesus os chamou, e eles deixando as redes o seguiram. Logo após foram vistos Tiago e João, e eles também fizeram assim… Esses homens vendo a grande luz e percebendo a honra que recebia aquela terra seguiram Jesus e foram feitos seus discípulos.
Então, o que está sendo dito é que não basta reconhecer o senhorio de Jesus nem comemorar, conscientemente ou por costume, sua vinda. Muitos que exclamam “Senhor! Senhor!” não serão recebidos por ele, como escreve o próprio Mateus (7:22-23). A grande luz consiste em decidir ouvir os ensinos de Jesus e segui-los (Mt 10:38).
As luzes de pisca-piscas e de estrelas de natal, por mais belas que sejam aos olhos, não servem para dissipar as trevas e vencer as sombras da morte – até porque deixarão de existir em janeiro. Já a grande luz é eterna, nunca passará (Mt 24:35), e é capaz de vencer trevas e as sombras da morte (Jo 5:24).
O número daqueles que ouvem Jesus e o seguem não se completou até o dia de hoje. Que nesta especial época do ano as estrelas nas árvores e as fachadas iluminadas das casas façam você lembrar da profecia da grande luz, e, lembrando-se dela, que você decida estar entre os discípulos, um povo que, embora antes tenha andado em trevas e na sombra da morte, decidiu seguir a Jesus em arrependimento e fé.
Que a graça do Senhor esteja com você. Feliz natal
Por Cauê Noé Livi
Bacharelando em Teologia Ministerial














































