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Por Nicole Roth

A História está repleta de figuras que, embora extremamente importantes, foram pessoas que estavam a frente de seu tempo – e por isso, não eram compreendidas por aqueles com quem conviveram -, pessoas que não se encaixavam no padrão esperado pela sociedade de sua época. O Jogo da Imitação, filme que foi indicado a várias categorias do Oscar 2015 – incluindo Melhor Roteiro Adaptado, que lhe rendeu sua única estatueta da noite -, trata de uma dessas figuras históricas. O matemático Alan Turing, hoje reverenciado como um dos “pais da computação”, é interpretado por Benedict Cumberbatch, a perfeita escolha para viver um gênio tão incompreendido quanto socialmente desajeitado.



O espectador é apresentado a Turing durante a Segunda Guerra Mundial, quando ele, com ajuda do Governo Britânico, monta uma equipe para quebrar o Enigma, código utilizado pelos alemães para enviar mensagens aos seus submarinos. O diretor norueguês Morten Tyldum conseguiu transpor para a tela o clima opressor da Segunda Guerra, auxiliado pela fotografia por vezes sombria da cinebiografia, que tem em seu elenco o seu maior trunfo. A indicação ao Oscar de Melhor Ator Principal de Cumberbatch não veio à toa: dono de interpretações como Sherlock Holmes na série de sucesso da BBC, o ator provou mais uma vez sua capacidade ímpar de dar vida a personagens que, mesmo estando de certa forma alienados em relação ao resto da sociedade, ainda assim são carismáticos o suficiente para cativar o público e fazer com que o espectador se importe com seu futuro. No caso de Turing, mais do que sua afinidade volta mais aos números do que às pessoas, sua homossexualidade – o que era considerado um crime gravíssimo, na Inglaterra daquela época – aumentava ainda mais a distância entre o matemático e aqueles com quem ele convivia. Além de Cumberbatch, o elenco de apoio também faz de O Jogo da Imitação um grande desfile de atuações: o veterano Charles Dance empresta experiência e intensidade à cinebiografia, assim como Mark Strong e Matthew Goode dão uma enorme credibilidade ao filme. A única exceção fica por conta de Keira Knightley (cuja indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante parece desnecessária), em uma atuação que não difere em nada da apresentada em seus últimos filmes


O Jogo da imitação, misturando uma trama de espionagem na Segunda Guerra com o drama pessoal do personagem principal – por mais que a batalha interna travada por Turing fique em segundo turno – se apresenta como um filme sobre pessoas singulares que fazem escolhas difíceis em um tempo difícil. É uma cinebiografia que busca fazer jus a um nome injustamente apagado da nossa História recente.

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