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Por Nicole Roth

Por alguns minutos, na cerimônia do Oscar deste ano, o vencedor da categoria de Melhor Filme foi La La Land – isso é, até que a organização se dar conta de que algo estava errado e os próprios produtores do musical estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling anunciarem que na realidade Moonlight: Sob a Luz do Luar, filme autobiográfico de Barry Jenkins, era o dono da estatueta.

Guilherme Pilger


Trapalhadas à parte – nem Warren Beatty nem Faye Dunaway questionaram o conteúdo do envelope, que na verdade informava a vencedora pelo prêmio de Melhor Atriz, algo impensável -, há mais do que motivos suficientes para que Moonlight tenha ganho a estatueta. O filme, que mostra três momentos distintos da vida de Chiron, seu personagem principal – infância, adolescência e a fase adulta -, não foi o vencedor do Oscar por se tratar de um filme sobre negros, sobre vícios e tráfico de drogas ou sobre identidade, de forma geral e sexual. Moonlight é merecedor do prêmio por falar sobre tudo isso, por dar voz àqueles que raramente se veêm representados, quanto mais em um filme que alcance visibilidade o suficiente para conquistar indicações ao prêmio máximo da indústria cinematográfica norte-americana.

Mahershala Ali, que ganhou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, é responsável por algumas das cenas mais emblemáticas do longa – incluindo a sequência que dá nome ao filme -, como o traficante de drogas que, de forma improvável, serve de figura paterna para Chiron. Tecnicamente, Moonlight é impecável: a trilha sonora arrebatadora por vezes é substituída por momentos de silêncio muito bem colocados no filme, dando um peso necessário a diversas cenas. Os três atores que dão vida a Chiron conseguem transmitir suas dúvidas, dilemas e também seu desamparo frente aos problemas que precisa enfrentar. Outra escolha brilhante para o casting é Naomie Harrus, que inclusive foi indicada ao prêmio de Melhor Atriz por sua performance como a mãe drogada de Chiron. Moonlight é um filme cujo peso está no roteiro e nas atuações daqueles escolhidos para dar vida aos seus personagens e na própria história que o diretor traz à tela: é uma realidade que precisa ser contada, para ser reconhecida.

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