Sapiranga – Falar do Morro Ferrabraz e não pensar em preservação e meio ambiente é impossível. Questão que, felizmente, vem se tornando cada vez mais comum e importante entre as rodas de conversas de cada cidadão, que, aos poucos, se transforma em agente da mudança, ajudando a cobrar e também a fiscalizar.
Sapiranga está localizada na base da Encosta Inferior da Serra Geral, com o predomínio do Bioma Mata Atlântica, que mesmo com a enorme devastação registrada ao longo dos anos, e com uma tímida recuperação, segue sendo o bioma com maior biodiversidade do planeta. Foi por essa relevância que em 1990 a Mata Atlântica passou a ser considerada patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas, que passou a buscar formas de protegê-la. Em 1991 o Rio Grande do Sul ingressou neste projeto e identificou as áreas com melhor estado de conservação.
A área núcleo dos Contrafortes do Ferrabraz é uma das três categorias oficiais criadas e foi classificada como área de proteção integral da natureza, conforme a Lei 9.985/2000. Assim, o Morro e seu contraforte são tombados e possuem o status de Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A Floresta Atlântica ainda é um dos ecossistemas mais ricos em termos de diversidade de espécies vegetais, mas algumas são muito raras, como a Eugenia Multicostata Legra, conhecida como araçá-piranga.
Região da espécie araçá-piranga é uma das mais devastadas no RS
Plantas raras, como a araçá-piranga precisam de uma grande área para que a sua população esteja em equilíbrio, de modo que possam se manter ao longo do tempo sem risco de extinção. A região fitoecológica original da espécie é o Vale do Rio dos Sinos, uma das mais devastadas áreas do estado, onde houve uma intensa supressão da cobertura florestal original, causada pelas atividades agropecuárias, urbanização desordenada e a rápida industrialização após a chegada dos imigrantes alemães. O araçá-piranga possui casca lisa, de cor avermelhada com madeira dura e resistente. Seu fruto se parece como o da pitanga, porém de tamanho maior, variando entre 3 a 5 centímetros de diâmetro, sendo as costas profundas e sulcadas. Em 2001, o araçá-piranga foi acrescido na lista de espécies ameaçadas de extinção da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), caracterizada como prioritária e rara, sendo reconhecida como de utilização para madeira industrial, para alimentação humana e de caráter medicinal.
É imperativa a proteção da área de Relevante Interesse Ecológico do Morro e arredores
Com base na antiga lei 1.400 de 1987, que tratava o Morro como área especial de interesse, e com largo apoio popular, 6.817 assinaturas, é que foi reconhecida a relevância do patrimônio histórico, paisagístico e ambiental de Sapiranga. A partir daí foi criada a categoria de Unidade de Conservação Área de Relevante Interesse Ecológico, pela lei municipal 5.900/2016, com uma área total de 5.671 há, aprovada por consulta popular.
A Área de Relevante Interesse Ecológico do Ferrabraz é uma região inserida na formação da Encosta Inferior da Serra Geral do RS, tendo como ponto culminante o Alto Ferrabraz. Envolve as localidades do Morro Ferrabraz, Picada São Jacó, Picada Verão, Picada Cachorro e Fazenda Padre Eterno. Dos montes da Serra do Ferrabraz é possível vislumbrar as paisagens em 360° de circunferência da serra, de todo o Vale do Rio dos Sinos e Região Metropolitana.
1 – Biodiversidade significativa chama a atenção
Com uma biodiversidade significativa, a ARIE Ferrabraz abriga uma diversidade de fauna e flora que chama a atenção: são 57 espécies diferentes de mamíferos, mais de 133 espécies de aves, 192 arbóreas entre outros organismos relacionados ao epifitismo (vegetal fixado em outro) e invertebrados.
2 – ARIE para manter os ecossistemas
Área de Relevante Interesse Ecológico, conforme lei 9.985, de 200, é uma categoria de unidade de conservação de uso sustentável. Caracterizado por traços naturais extraordinários ou que abriga exemplares raros de fauna e da flora regional, com objetivo de manter os ecossistemas naturais de importância para a região e regular o uso dessas áreas.
3 – Parcelamento irregular do solo é grave
Hoje, o grande desafio é conter o processo de parcelamento irregular e desordenado do solo, denominados, disfarçadamente, de condomínios rurais. Sem base legal, contaminam e descaracterizam a paisagem rural, além de prejudicar o desenvolvimento turístico, os recursos hídricos e a segurança alimentar.
4 – Convenção da Biodiversidade no Japão/2020
O Núcleo Sócio Ambiental Araçá-piranga foi convidado pelo Ministério do Meio Ambiente a apresentar metas de conservação, restauração de ecossistemas, desenvolvimento sustentável e educação ambiental para a ARIE Ferrabraz, simultaneamente, as metas de Archi Nagaya, cidade do Japão onde, em 2020, acontecerá a Convenção da Biodiversidade, das Nações Unidas.
Texto: Sabrina Strack
Foto Capa: Júlio Haag
Fotos: Araçá-Piranga


















































