Região – Fundamental para a qualidade da água e para o equilíbrio ambiental, a mata ciliar é um dos elementos essenciais na proteção dos rios da região. Presente nas margens dos cursos d’água, essa vegetação possui proteção prevista no Código Florestal Brasileiro, que determina uma faixa mínima de preservação de 30 metros em cada margem dos rios.
Apesar da importância ambiental, a realidade observada ao longo do Rio dos Sinos e Paranhana preocupa especialistas. Segundo a diretora técnica do Consórcio Pró-Sinos, Aline Fachini, há diversos trechos com áreas degradadas e ocupações que avançam sobre espaços que deveriam permanecer preservados.
A mata ciliar atua como um filtro natural, reduzindo a chegada de sedimentos e poluentes aos rios, ajudando na infiltração da água da chuva e diminuindo processos de erosão. Além disso, contribui para a estabilidade das margens e para a manutenção dos ecossistemas. “Ela é o que a natureza desenhou da melhor forma para que aquele ecossistema dê certo e se sustente”, explica Aline.
A diretora destaca que muitas pessoas ainda desconhecem o papel dessas áreas e acabam ocupando locais que fazem parte da dinâmica natural dos rios. Segundo ela, os cursos d’água precisam de espaço para expandir em períodos de cheia e retornar ao seu leito normal quando o volume diminui. “Quando alguém diz que o rio invadiu sua propriedade, muitas vezes aconteceu o contrário: a pessoa ocupou o espaço que naturalmente pertence ao rio”, afirma.
Além da retirada da mata ciliar, o avanço do concreto e do asfalto nas cidades impede a água da chuva de infiltrar no solo, aumentando alagamentos e fazendo a água chegar mais rápido aos rios, favorecendo enchentes.
Papel das prefeituras
As prefeituras desempenham papel importante na conservação das matas ciliares, por meio de ações locais como plantios e criação de unidades de preservação. No entanto, segundo Aline, a preservação efetiva depende de iniciativas mais amplas e regionais. Ela explica que projetos integrados exigem articulação entre municípios, governos estaduais, recursos e até mudanças na legislação. “A gente só consegue realmente uma mudança se todos os municípios estiverem engajados”, afirma. A partir disso, o Pró-Sinos procura atuar em escala regional para que todos andem na mesma direção.
“PRESERVAR É SEMPRE O MELHOR CAMINHO”
Na parte mais urbanizada, onde a pressão por ocupação é maior, a situação é ainda mais delicada. Em muitos trechos, a faixa de vegetação necessária para proteger os rios foi reduzida ou eliminada. No Rio dos Sinos, por exemplo, seriam necessários no mínimo 100 metros de mata ciliar devido ao seu tamanho, mas em vários pontos essa realidade não é encontrada. Para a diretora técnica, recuperar áreas degradadas é um processo complexo e demorado. “Um ecossistema é tempo. Às vezes são necessários 30, 50 anos para recuperar uma área. Por isso, preservar é sempre o melhor caminho”, finaliza.

















































