Região – A onda de calor que atinge o Rio Grande do Sul entrou na segunda semana e segue castigando milhões de gaúchos com temperaturas muito acima da média para esta época do ano. O fenômeno é resultado de um bloqueio atmosférico que afeta grande parte da América do Sul, impedindo a chegada de frentes frias e mantendo o tempo seco e quente por períodos prolongados.
Esse bloqueio é causado pela Alta Semi-Estacionária do Atlântico Sul (ASAS), um sistema de alta pressão localizado sobre o oceano, próximo à costa brasileira. Esse sistema age como uma barreira, impedindo a formação de nuvens e chuvas, resultando em dias ensolarados e temperaturas elevadas. O fenômeno não impacta apenas o Sul do Brasil, mas também estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que enfrentaram um dos fevereiros mais quentes e secos da história.
No Rio Grande do Sul, os termômetros têm registrado valores extremos. Entre 20 de fevereiro e 3 de março, cidades como Santiago e São Gabriel, no oeste do estado, superaram os 38°C. No dia 3 de março, Santiago atingiu 40,5°C, um dos maiores registros do ano. Já no Vale dos Sinos e Paranhana, muitos municípios chegaram a registrar mais de 38°C. A persistência do calor deve seguir nos próximos dias, pois a ASAS continua atuando na região.
Enquanto o Brasil enfrenta temperaturas escaldantes, a umidade que normalmente se deslocaria para o Sul e Sudeste do país está sendo desviada para a Argentina e Uruguai. Com isso, essas regiões enfrentam chuvas intensas e tempestades severas, com acumulados superiores a 300 mm em algumas áreas. Somente em Buenos Aires, foram registrados 100 mm de chuva em um único dia, causando alagamentos.
Os meteorologistas alertam que, enquanto o bloqueio atmosférico persistir, o calor não dará trégua ao Sul do Brasil.
Por Luís Felipe Feller Werf
Fonte: MetSul Meteorologia



















































