Região – Marcada por histórias trágicas, a RS-239 é uma das rodovias com maior índice de acidentalidade da região – seja acidente com danos materiais, lesões ou óbitos.
Conforme levantamento do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), de janeiro até o dia 19 de abril, foram registrados 99 acidentes no trecho entre Novo Hamburgo e Rolante, sendo sete com vítimas fatais. Duas mortes aconteceram em Parobé, no Km 47, além de Araricá (Km 34), Rolante (Km 63), Taquara (Km 54), Nova Hartz (Km 37) e Sapiranga (Km 29). O horário de maior incidência de óbito ocorreu entre 16h e 19h. Dos quase 100 sinistros, 23 aconteceram em Sapiranga e 17 em Novo Hamburgo – sendo 56 com lesões corporais e 36 com danos materiais, além das seis mortes. No total, 79 pessoas ficaram feridas.
No ano de 2024, foram contabilizadas 17 vítimas fatais – seis em Sapiranga (Km´s 24, 26, 27, 28 e 31), seis em Novo Hamburgo (Km´s 13 e 18), duas em Parobé (Km´s 46 e 48), Araricá (Km 36), Campo Bom (Km 22) e Taquara (Km 54). Os horários de maior incidência com mortes ocorreu entre 6h e 7h e 18h e 19h. No comparativo entre os dois anos, os acidentes com vítimas fatais continuam na mesma estatística.
“Imprudência”, diz capitão
O comandante do CRBM, capitão Thomas Pereira, reafirma que, hoje, a RS-239 é uma das que mais recebe atenção do batalhão, justamente pelos indicadores. “A gente identifica que muitos dos acidentes ocorrem, obviamente, por imprudência. Temos casos de velocidade acima do permitido, uso de celular no volante, esse tipo de situação acaba agravando um pouco os sinistros e acabamos tendo que atuar na fiscalização. A gente vem testificando cada vez mais a fiscalização na área”, pontuou ele.
“MUDANÇA POSITIVA”
Para o capitão, a redução da velocidade de 80km/h para 60km/h, ocorrida no ano passado, após elevação dos acidentes entre Sapiranga e Campo Bom, já surtiu resultados. “Tivemos dois óbitos registrados nos Kms 22 a 28 (onde houve redução) no ano de 2024, e este ano ainda estamos zerados. Então, verificamos que essa redução de velocidade é, sim, positiva, assim conseguimos controlar um pouco mais a velocidade, principalmente por ser uma área praticamente urbana”, avaliou o comandante.
Apesar de ser uma rodovia estadual, o capitão cita que ela tem características muito urbanas, com passagem de pessoas e diversos acessos. “A redução de velocidade nesses trechos é importante e já temos algum impacto positivo, mas, claro, que essas mudanças levam um tempo até elas serem completamente absorvidas pelos motoristas”.
“O carro é uma arma, se não for usado com cuidado”
Em fevereiro, Dilair Quilin, morador de Dois Irmãos, perdeu a mãe Edite Quilin, 80 anos, em um acidente de trânsito na Rs-239, em Araricá. Ela morreu no local e o irmão, Ademir Nogueira, ficou internado quase 50 dias, correndo risco de morte e passando por intensas cirurgias. De alta, sua vida ainda se resume a cama e sofá, pois não consegue dobrar o joelho. Ademir passa por seis sessões de fisioterapia por semana, e o processo de recuperação será lento e doloroso. “Minha mãe era uma mulher cheia de vida, que se cuidava, muito à frente das mulheres da idade dela, tirou a carteira de habilitação aos 73 anos, fazia pilates, caminhava, morava sozinha; tinha uma vida de independência. Esse acidente mudou drasticamente a vida da nossa família, nos últimos 70 dias”, disse ele, pedindo que as pessoas tenham mais consciência na direção. “O trânsito é muito dinâmico, você que vai sair dirigindo, tome muito cuidado, pense na sua vida, na vida da tua família, e pense na vida das outras pessoas, o carro é uma arma, se não for usado com cuidado”, disse ele.


















































