Sapiranga- Apesar de o verão iniciar só no dia 21 de dezembro, parques, rios, arroios e praias já são o destino de muitas pessoas, nos dias de calor que antecedem a próxima estação. A partir disso, as ações preventivas também já são intensificadas.
Atento ao assunto, o sargento Jorge Pereira, que comandava o Corpo de Bombeiros de Sapiranga e atualmente está na Operação Verão, destacou cuidados para evitar afogamentos, citando, principalmente, a “Cadeia de Sobrevivência do Afogamento”, da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), que inclui prevenção, vigilância, reconhecimento do risco, resgate, primeiros socorros e atendimento médico. “Cada passo interfere diretamente na chance de a vítima sobreviver sem sequelas. Se alguém se afoga e não houver ação rápida e correta, o risco de morte ou de sequelas graves é muito alto”, ressalta o sargento.
Em janeiro deste ano, um afogamento foi registrado em Sapiranga. A vítima foi uma menina de 1 ano e 11 meses, que morreu afogada na piscina de casa. Ela foi levada à Unidade Básica de Saúde e depois transferida ao Hospital Sapiranga, mas não resistiu. “No Brasil, morrem cerca de 5.400 a 5.700 pessoas por ano por afogamento, o que equivale a aproximadamente 15 por dia. As crianças e adolescentes são os grupos mais vulneráveis, sendo o afogamento a segunda principal causa de morte entre crianças de 1 a 4 anos. Quanto à faixa etária, a Sobrasa aponta que entre 1 e 9 anos, 55% dos óbitos por afogamento ocorrem em residências”, destaca o sargento Pereira.
Cadeia de Sobrevivência
O sargento Pereira compartilha também detalhes sobre a Cadeia de Sobrevivência do Afogamento da Sobrasa. Confira:
1- Prevenção: a maior efetividade vem de evitar o afogamento com cercas em piscinas, coletes salva-vidas, supervisão de crianças (mesmo que saibam nadar) e aprender a nadar.
2- Reconhecimento do afogado: identificar sinais como natação vertical, esforço sem deslocamento, cabelo no rosto e falta de gritos (o afogamento é silencioso).
3- Acionamento de emergência: ligar imediatamente para o 193 (Bombeiros) ou 192 (Samu).
4- Fornecer flutuação: jogar boias, cordas ou qualquer objeto flutuante para a vítima se segurar, sem entrar na água para não se tornar uma segunda vítima, mantendo a segurança do socorrista.
5- Suporte de vida: após remover a vítima para local seguro e firme, iniciar RCP (Respiração Cardiopulmonar) se inconsciente e sem respirar (compressões torácicas e ventilações), e manter o aquecimento até a chegada da equipe médica.
Saiba mais!
Quais são as principais causas de afogamento?
Sargento Pereira- A maioria dos afogamentos acontece em águas doces (rios, lagoas, represas), mas há um número importante de casos em piscinas domésticas, especialmente envolvendo crianças. Entre as causas estão falta de supervisão, desconhecimento dos riscos, falta de barreiras de segurança, comportamento de risco e, em alguns casos, problemas técnicos como sucção de bombas em piscinas.
Quais são as faixas etárias mais vulneráveis?
Sargento Pereira- As crianças de 1 a 4 anos são a faixa mais vulnerável. Para elas, o afogamento, muitas vezes em casas/piscinas, é a segunda principal causa de morte por acidente. Também há risco entre crianças e jovens até 14 anos, e jovens/adultos que frequentam rios, represas e balneários.
Por que tantas mortes ocorrem em piscinas de residências, e como evitar?
Sargento Pereira- Porque muitas vezes há relaxamento na vigilância quando se está em casa; pensamos que o risco é baixo, mas é exatamente aí que mora o perigo. Por isso, é essencial instalar barreiras, não deixar crianças sozinhas ou sem supervisão, e adotar práticas seguras mesmo em ambientes domésticos.
Que recomendação você dá para as famílias, especialmente com crianças, para este verão?
Sargento Pereira- Supervisão constante, barreiras em piscinas, conhecer o ambiente nas águas naturais, ensinar a criança a nadar e nunca subestimar o risco de afogamento. E, principalmente, conscientizar que prevenir é salvar vidas. Além disso, para os adultos, evitar consumo de álcool + água + mergulho e, ainda, importante ressaltar em balneários em que houver presença de guarda-vidas, seja do Corpo de Bombeiros ou particulares, que o banhista siga as orientações dos mesmos.


















































