Campo Bom– A Polícia Civil concluiu, neste mês de dezembro, um inquérito que investigou a morte do morador de Campo Bom, Luis Fernando da Cunha. Com 42 anos, ele foi executado com cerca de 20 tiros na madrugada de 20 de outubro de 2022. A vítima foi arrebatada de casa, no bairro Paulista, por um grupo fortemente armado com fuzis e pistolas, e executado junto ao Cemitério Municipal, no bairro Quatro Colônias. Ao concluir a investigação, três anos depois, os policiais civis, coordenados pelo delegado Rodrigo Câmara, chegaram a alta cúpula da facção criminosa que tem berço em Campo Bom.
Na época, após a execução do campo-bonense, o bando seguiu em direção à Serra Gaúcha, onde teria mais um alvo para matar. No caminho, no entanto, entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, os bandidos confrontaram com a Brigada Militar. Três criminosos morreram e outros quatro foram presos. Segundo o delegado Rodrigo, neste dia, um bandido conseguiu fugir. “A partir da investigação realizada, com a decretação de quebras de sigilo e análise minuciosa dos elementos de prova, conseguimos identificar a participação deste integrante que não havia sido preso no confronto, bem como reunir indícios da atuação coordenada entre executores e lideranças da organização criminosa, incluindo a identificação dos mandantes do crime”, disse o delegado.
Alta cúpula da facção criminosa
Segundo o delegado Rodrigo, os dois mandantes identificados são apontados como integrantes da alta cúpula do grupo criminoso. “Durante a investigação, foi comprovada a participação destes novos autores, sendo representado ao Poder Judiciário pela decretação das prisões preventivas, as quais foram deferidas pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, no julgamento de recurso interposto pelo Ministério Público”, explicou.
Preso em São Paulo
Um dos mandantes do homicídio de Campo Bom foi preso em janeiro de 2024, em um condomínio de luxo em São Paulo. A captura contou, inclusive, com apoio de helicóptero. Ele é apontado como uma das principais lideranças de uma facção, que comandava os núcleos do grupo criminoso nas regiões do Vale do Paranhana e da Serra Gaúcha, atuando na distribuição de drogas, homicídios e extorsões. O criminoso estava foragido desde 2019.
Ele foi localizado após cerca de nove meses de investigação, realizada pela Delegacia de Capturas (Decap), do Departamento Estadual de Investigação Criminal (Deic). Durante as investigações, iniciadas em abril de 2023, foi possível confirmar que o suspeito estava se escondendo em um apartamento de alto padrão, na Zona Oeste da capital Paulista. Ele levava uma vida de luxo.
Conclusão
Conforme o delegado Rodrigo, o segundo mandante também já está preso. “O terceiro indivíduo, identificado como um dos executores do homicídio e que fugiu após os confrontos da Serra, permanece foragido”, disse o delegado, que encaminhou o inquérito para o Fórum com os indicamentos de todos os envolvidos — os dois mandantes e cinco executores.
O índice de crimes contra a vida, seja execuções (como esta cometida em outubro de 2022), homicídios ou feminicídios, é baixo no município. Nos últimos oito meses, a cidade não registrou nenhum destes crimes, assim como também conseguiu reduzir outros crimes graves e elevar o número de prisões ao longo deste ano.
Conversas
O Grupo Repercussão teve acesso a um áudio, que é a conversa entre um dos matadores com um dos líderes da facção. “Ele pediu todas balas que tem de 9 (milímetros). Vou mandar 30 balas. E de 12 ele pediu se tem também”. Após a execução de Campo Bom, o mesmo criminoso informou o chefe de que a primeira execução “estava ok” e que o grupo estava seguindo para o próximo serviço. “Tamo indo pro segundo”, citou.


















































