Região – O Programa Libertar, com foco na prevenção e repressão de crimes sexuais contra crianças e adolescentes, tem ampliado a sua atuação no Rio Grande do Sul. A iniciativa da Polícia Civil busca orientar jovens, educadores e famílias sobre formas de proteção e denúncia, além de estimular vítimas a romperem o silêncio.
Atualmente presente em 39 municípios gaúchos, o projeto foi criado pela escrivã da Polícia Civil Bianca Benemann. Na área de abrangência do Grupo Repercussão, a iniciativa já tem articulações em diferentes cidades. Em algumas delas o trabalho ainda está em fase de implementação, enquanto em outras já ocorre na prática, com resultados concretos.
Em Campo Bom, segundo o delegado Rodrigo Câmara, a delegacia está habilitada para participar do programa desde março de 2025. Até o momento, uma palestra foi realizada pela equipe, em uma escola de Novo Hamburgo, onde uma estudante relatou ter sido vítima de abuso sexual cometido por uma pessoa próxima da família.
O caso foi acolhido conforme o protocolo do programa e encaminhado para investigação da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher do município. Para 2026, a intenção é implantar as palestras nas escolas de Campo Bom, iniciativa que conta com apoio da vice-prefeita Gênifer Engers e da vereadora Michele Closs.
ATUAÇÃO NOS MUNICÍPIOS
Já em Dois Irmãos, o delegado Felipe Borba informou que as primeiras ações devem iniciar ainda neste semestre. Segundo ele, uma reunião está prevista para este mês, com o objetivo de alinhar a realização das palestras e integrar o projeto à rede local de proteção.
Onde o programa já ganhou força é em Taquara. De acordo com a policial Débora, o Libertar chegou ao município em 2025, após ser apresentado na Câmara de Vereadores. A iniciativa foi articulada pelo delegado Valeriano Garcia Neto, que buscou o projeto após a investigação de um grave caso envolvendo centenas de vitímas de um estuprador.
Diante da gravidade da situação enfrentada pela equipe da delegacia de Taquara, o delegado entendeu que a Polícia Civil precisava atuar em duas frentes: não apenas na repressão ao crime, mas também na prevenção. A partir dessa compreensão, foi feito o contato com a equipe do programa Libertar, com o objetivo de levar às escolas ações de orientação e conscientização.
Desde então, a delegacia passou a atuar também na prevenção. Antes de chegar às escolas, o programa foi apresentado à rede de proteção — incluindo conselheiros tutelares, professores, assistentes sociais e representantes do Judiciário. Em Taquara, três escolas já receberam o Libertar, alcançando cerca de 1.109 pessoas entre rede de proteção, alunos e professores.
Como funciona o programa?
As palestras, destinadas a jovens a partir de 10 anos, duram cerca de 45 minutos e abordam temas como abuso e exploração sexual, estratégias utilizadas por estupradores, riscos nas redes sociais e nos jogos online, além de orientações sobre denúncia e autoproteção. Durante as apresentações, policiais capacitados em escuta especializada estão preparados para acolher eventuais revelações espontâneas de vítimas. Segundo Bianca, a criação do programa surgiu da experiência de mais de 15 anos atuando em investigações desse tipo de crime. Somente em 2025, o Libertar esteve ligado a 71 registros de ocorrência, sendo 43 de estupro de vulnerável. Em mais de 90% dos casos foi possível identificar os autores. Ainda foram solicitadas 13 medidas protetivas de urgência e ocorreram quatro prisões preventivas. Além de Campo Bom, Dois Irmãos e Taquara, a meta da equipe é ampliar o programa na região, com expansão para Riozinho, Rolante e Igrejinha.
Relato de vítima reforça importância das ações
Um dos casos marcantes compartilhados pela equipe foi o de uma menina que revelou ter sido estuprada na noite anterior à palestra, pelo próprio primo. Ela ainda apresentava vestígios da violência e foi imediatamente acolhida pelo Conselho Tutelar e encaminhada para atendimento e profilaxia, procedimento essencial quando o atendimento ocorre em até 72 horas. Para atuar nessas situações, os policiais do programa passam por uma capacitação de quatro dias, com formação em escuta especializada e investigação de crimes contra crianças e adolescentes. Instituições interessadas em receber as palestras podem solicitar por meio de formulário disponível no Instagram do programa (@programalibertarrsoficial).
Autoridades
A iniciativa ajuda a combater crimes sexuais contra crianças e adolescentes ao informar e orientar os jovens. As palestras incentivam vítimas a falar, romper o silêncio sobre abusos, muitas vezes cometidos por pessoas próximas, e fortalece a prevenção e a denúncia desses casos”. Delegado Felipe Borba, de Dois Irmãos
A aproximação dos órgãos públicos com estudantes, através das palestras, cria um canal seguro de escuta e acolhimento, encorajando vítimas ou testemunhas a relatar abusos e permitindo a atuação das instituições, a investigação dos fatos e a responsabilização dos abusadores”.Delegado Rodrigo Câmara, de Campo Bom
A importância está em os vulneráveis saberem identificar quando estão sendo vítimas e aprenderem formas de evitar que isso ocorra, além de contribuir para a redução da subnotificação por meio dessa busca ativa”. Delegado Valeriano Garcia Neto, de Taquara
O Programa Libertar tem caráter preventivo e reforça a importância de estar presente nas escolas, pois nós somos, muitas vezes, a última esperança para que essas crianças se vejam protegidas e alcancem justiça”. Bianca Benemann, escrivã e criadora


































A iniciativa ajuda a combater crimes sexuais contra crianças e adolescentes ao informar e orientar os jovens. As palestras incentivam vítimas a falar, romper o silêncio sobre abusos, muitas vezes cometidos por pessoas próximas, e fortalece a prevenção e a denúncia desses casos”. Delegado Felipe Borba, de Dois Irmãos
A aproximação dos órgãos públicos com estudantes, através das palestras, cria um canal seguro de escuta e acolhimento, encorajando vítimas ou testemunhas a relatar abusos e permitindo a atuação das instituições, a investigação dos fatos e a responsabilização dos abusadores”.Delegado Rodrigo Câmara, de Campo Bom
A importância está em os vulneráveis saberem identificar quando estão sendo vítimas e aprenderem formas de evitar que isso ocorra, além de contribuir para a redução da subnotificação por meio dessa busca ativa”. Delegado Valeriano Garcia Neto, de Taquara
O Programa Libertar tem caráter preventivo e reforça a importância de estar presente nas escolas, pois nós somos, muitas vezes, a última esperança para que essas crianças se vejam protegidas e alcancem justiça”. Bianca Benemann, escrivã e criadora















