Sapiranga – Uma história de vida, caracterizada pela paixão e apreço a um item cada vez mais raro. Bernardo Irineo Reich, sapiranguense de 80 anos, foi um ícone regional no conserto de Lambrettas no século passado. Hoje, detém uma modesta coleção do que outrora foi sua profissão.
Irineu estava encerrando sua adolescência quando foi convocado pelo tio, sócio-proprietário de um posto de combustíveis na Cidade das Rosas, para trabalhar como mecânico. Na segunda metade da década de 50, as Lambrettas chegaram da Itália e logo se popularizaram por todo o país. Porém, pouco se sabia sobre a manutenção do veículo, e foi assim que o jovem Irineo visualizou uma oportunidade.
Diante do serviço que batia à sua porta, Néo, como é conhecido até hoje, passou a estudar os manuais das Lambrettas, entendendo cada peça e detalhe destas motonetas. Com isso, foi se especializando no trato com os veículos da moda.
Irineo interrompeu suas atividades na oficina quando foi convocado ao Exército Brasileiro, entre 1963 e 1964. Lá, a fama de “lambretteiro” seguiu, e permitiu que ele atuasse na Companhia de Comunicação, via Pelotão de Transporte. “Os cabos e sargentos tinham umas 20 Lambrettas dentro do quartel. Daí, estragou a Lambretta de um sargento. Eu ia (para o quartel) com a lambrettinha, ele viu e veio falar comigo. Eu disse: entendo (do veículo). Ele disse: tu pode olhar o que é ali? Olhei, e fiz o motor da Lambretta dele. Ele foi falando para um, para outro, no fim, eu estava sempre fazendo uma coisinha (na área). Me dei bem com aquilo”, conta Irineo.
Continuidade na área
Depois de sair do quartel, Irineo ajudou um revendedor de veículos da região, quando este abriu uma oficina de Lambrettas. Permaneceu na função até o fim da década de 60, quando a preferência do público mudou e Reich seguiu carreira em outra área.
Para guardar na história
Durante os anos que ajudou este parceiro na oficina, Irineo Reich analisava a divulgação de Lambrettas para compra e conserto, de cidades como Novo Hamburgo e Porto Alegre. Ele, então, contatava estes proprietários, adquiria os veículos e iniciava a manutenção dos mesmos, antes de vendê-los. Nesta época, chegou a ter 20 Lambrettas simultaneamente.
Mas, as motonetas de Irineo não eram apenas para coleção. Como meio de transporte, usava para ir a qualquer parte do estado, levando, inclusive, esposa e filhos. Quando deixou de ser profissão, devido à popularização das motocicletas convencionais e contemporâneas, atuou por meia década em um frigorífico e depois reabriu uma gráfica da família. Para relembrar a história, adquiriu duas Lambrettas, uma em Picada Café e outra em Novo Hamburgo, conservadas até hoje.
Irineo Reich, admirador e ex-mecânico de Lambrettas. “Saíamos às 3h da madrugada (para a praia, com a Lambretta). Eu botava uma mochila, ela (esposa) tinha uns sacos brancos e enchia com roupas de cama, botava entre as pernas e, entre nós, iam os travesseiros. Cinco litros de gasolina, chegava em Tramandaí, abastecia de novo, andava lá a semana toda, completava uns dois litros e vinha embora”.
Por Bruno Morais























































