Campo Bom – O Parque de Saneamento Ecológico da Vila Rica, em Campo Bom, começou a ser monitorado em uma parceria entre a prefeitura e a Universidade Feevale. O projeto integra saneamento básico, recuperação ambiental e inovação, adotando Soluções Baseadas na Natureza (SbN), tecnologias inspiradas nos próprios ecossistemas naturais, para tratar o esgoto, melhorar a drenagem urbana e reduzir os impactos das cheias, um tema cada vez mais relevante diante das fortes enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024.
Situado na região sul da cidade, o parque foi desenvolvido para resolver antigos problemas de esgoto no bairro Vila Rica e, hoje, se tornou um exemplo de sustentabilidade urbana. Com área aproximada de dois hectares, ele recebe o esgoto doméstico de cerca de 2,2 mil moradores, além da água da chuva proveniente de uma bacia hidrográfica de 25 hectares. A área, que antes era um banhado natural aterrado há décadas, está sendo restaurada e volta a desempenhar o papel ecológico de filtrar e armazenar a água da chuva, atuando como uma esponja natural.
Segundo o biólogo Jeferson Timm, o sistema é composto por 11 lagoas dispostas em sequência, preenchidas por plantas aquáticas nativas como taboas, juncos e aguapés, que ajudam na depuração da água e na retenção de sedimentos. “Esse conjunto, conhecido como ‘banhados construídos’, funciona de forma integrada para promover o tratamento biológico do esgoto e, ao mesmo tempo, contribuir para a contenção das águas pluviais, evitando alagamentos”, disse ele.
Apresentação fora do estado
Os primeiros resultados do monitoramento mostram grande eficiência: o sistema reduziu em até 99% a presença de coliformes fecais e melhorou outros indicadores de poluição. Para a prefeitura, o parque representa um avanço no tratamento do saneamento, unindo sustentabilidade e educação ambiental.
Pesquisadores da UFRGS e do Instituto de Pesquisas Hidráulicas destacaram o valor científico do projeto, que será apresentado no 7º Simpósio Nacional de Wetlands Construídos, em Curitiba.
Biólogo e prefeito avaliam local que receberá melhorias
O biólogo Jeferson Timm detalha informações do projeto. “Essa área recebe esgoto de cerca de 1.500 pessoas, uma área de 25 hectares de captação da nossa cidade, e a proposta que trouxemos foi do emprego de soluções baseadas na natureza para a resolução desses problemas. Implantamos um parque de saneamento ecológico com banhados construídos, que trabalha abatendo a carga de esgoto”, explica.
O objetivo é mensurar os benefícios das estruturas e da vegetação no tratamento dos efluentes e na regulação hídrica do entorno. “Esse projeto representa uma nova forma de pensar o saneamento, em sintonia com a natureza. Estamos transformando um antigo passivo ambiental em uma solução sustentável e educativa para toda a cidade”, avaliou o prefeito Giovani Feltes.


















































