Sapiranga – Para além de relatos e narrativas, a história de um município se constrói com hábitos, culturas e estilos de vida. Nestes moldes, os ambientes de época são responsáveis por carregar os princípios e crenças de um povo, indicando a infraestrutura dos mais diversos espaços. Em Sapiranga, um destes endereços se estabelece no Parque Municipal do Imigrante, com a Casa do Imigrante.
De cara, já é possível notar características incomuns nos dias de hoje no aspecto estrutural da casa. Seguindo a técnica construtiva enxaimel, o local apresenta as raízes germânicas, traços do DNA no Vale do Sinos e que, há cerca de 200 anos, condiziam com a realidade comum.
Mas não é apenas do lado de fora que se observam curiosidades de tempos passados. No interior da Casa do Imigrante, o que se vê pode ser descrito como um verdadeiro lar de famílias que viviam na cidade e na região por volta do século XVIII. Cozinha, ambientes de convívio e quartos carregam todo um estilo de vida e particularidades da época.
Dentre as especificidades, estão expostos os princípios de união entre as famílias. Próximo à mesa, por exemplo, não há a presença de cadeiras, e, sim, de bancos, transmitindo a ideia de coletividade entre os grupos. Já no quarto, são observados símbolos de religiosidade, como bíblia e crucifixos nas paredes, expondo o conceito da fé e do cristianismo, atributos muito presentes no convívio familiar retratado no local.
Objetos diferentes chamam a atenção
Hoje presentes na Casa do Imigrante, os objetos expostos foram transferidos do Museu Municipal Adolfo Evaldo Lindenmeyer, localizado no Centro da cidade. “Esses ambientes que procuram reproduzir não apenas a dimensão material desse passado, mas simbólica, também, e cultural no qual esses objetos estavam inseridos”, define o diretor do Museu, Daniel Gevehr.
Um dos conceitos que mais chamam a atenção é a geladeira da casa. Confundida com armário, a estrutura de madeira conservava alimentos com o uso de sacos de gelos, despejados pelas famílias na parte inferior. Os objetos que compõem a louça, também, são destaque pelas decorações: cada peça apresenta decorações únicas, sendo que as mais decoradas representam as famílias de maior poder aquisitivo da época, já os pratos e xícaras mais simples, uma outra realidade financeira.
Outra curiosidade é notada em um dos quartos: o berço. No local onde o bebê ficava, os traços e detalhes de madeira chamam a atenção, pela delicadeza e individualidades apresentadas.
Futuro do Museu
O diretor do Museu Municipal, Daniel Gevehr, revela planos que indicam a valorização de outros povos importantes para a cultura local na Casa do Imigrante. A proposta utiliza acervos exclusivos, coletados junto a outros grupos étnicos.
“A ideia é trazer isso, essa polissemia para essas diferentes vozes. Já fizemos todo um trabalho onde fomos atrás destes migrantes. Temos um repositório de depoimentos de pessoas muito interessantes, que vieram dos mais diferentes lugares e que adotaram Sapiranga há muitos anos”, detalha.
No projeto, serão construídos totens, com acesso multimídia, onde os visitantes poderão conhecer histórias narradas pelos próprios personagens. A iniciativa, ainda em fase de elaboração, deverá ser instituída no segundo andar da casa.
Por Bruno Morais

























































