Região– A enchente histórica registrada no Rio Grande do Sul em maio de 2024 evidenciou a importância do trabalho das equipes da Defesa Civil. Das 497 cidades gaúchas, 478 foram atingidas pelas chuvas, que afetaram cerca de 2,4 milhões de habitantes, com quase 200 mil pessoas desalojados ou desabrigadas. O estado chegou a registrar 81,2 mil pessoas acolhidas em abrigos. Pelo menos 184 morreram e algumas seguem desaparecidas.
Cidades dos vales do Sinos e Paranhana, que fazem parte da área de abrangência do Grupo Repercussão, também foram atingidas. Nestes casos, também ficou clara a necessidade e importância da atuação da Defesa Civil, que coordena uma série de ações preventivas, de socorro, assistenciais e recuperativas com o propósito de evitar ou minimizar desastres, guiadas pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sintdec). “A Defesa Civil, em geral, tem como objetivo prevenir, assistir e recuperar em casos de desastres. Sua atuação visa proteger a vida humana, o meio ambiente e o patrimônio”, ressalta o secretário municipal de Segurança e Mobilidade e coordenador da Defesa Civil de Sapiranga, coronel Ubirajara Caetano de Souza.
Segundo o coronel Caetano, as principais situações atendidas pelas equipes são alagamentos, enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra. Em Sapiranga, por exemplo, um alagamento mobilizou a equipe (formada por quatro pessoas) e demais servidores da prefeitura, no dia 15 de janeiro.
Coordenadores ressaltam ações de preparação e prevenção
O coronel Caetano ressalta a importância da preparação e prevenção em gerenciamento de desastres, incluindo ações como desassoreamento de rios, manutenção de galerias pluviais e recomposição da mata ciliar. Falando especificamente sobre Sapiranga, ressalta que o principal problema que causa alagamentos são os entupimentos de bueiros devido ao descarte inadequado de lixo. Segundo ele, a solução passa por educação ambiental, conscientização sobre coleta seletiva e a importância de destinar o lixo corretamente. “Já tiramos pneu, colchão e até geladeira do rio”, lamenta.
Com atuação intensa, a Defesa Civil de Taquara, no Vale do Paranhana, é composta por três agentes e coordenada por Alessandro Santos. A equipe é vinculada à Secretaria de Ambiente e a Causa Animal, contando com o apoio de mais dois profissionais. “Temos o Plano de Contingência do município e, em caso de sinistros de qualquer espécie, acionamos as demais secretarias”, comenta Alessandro, ressaltando a importância de um trabalho conjunto, para que a atuação seja rápida e eficiente.
Entre os trabalhos realizados pela equipe destacam-se a limpeza de ruas e bueiros; a entrega de lonas e avaliação de necessidades das pessoas e, ainda, quando se trata da causa animal, da atuação em casos de maus-tratos, atendimento veterinário e castrações.
Segundo Alessandro, a equipe da Defesa Civil também apoia as forças de segurança, como Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, Polícia Civil e Samu, sempre que solicitada em caso de ocorrências mais graves.
Critérios utilizados
De acordo com o secretário-executivo da Defesa Civil de Porto Alegre, coronel Evaldo Rodrigues, a estrutura básica de Defesa Civil nos municípios deve ser dimensionada de acordo com o porte, população, território e áreas de risco.
Segundo ele, a atividade da Defesa Civil deve ser permanente e ininterrupta, 24 horas por dia, de forma a atender a sua população. Ainda segundo ele, em Porto Alegre, a equipe é formada por 65 servidores, que monitoram as condições climáticas. Eles contam com meteorologistas e suporte de hidrólogo e geóloga para emitir alertas e informações.

















































