Nova Hartz – A atualização do Plano de Ação de Emergência (PAE) da Barragem do Arroio da Bica, em Nova Hartz, chegou à etapa final na sexta-feira (11), durante encontro entre um representante da barragem e engenheiros da empresa Terraservice Geologia e Engenharia, de Caxias do Sul. A revisão busca adequar o documento à legislação vigente e estabelecer os procedimentos que deverão ser adotados diante de qualquer irregularidade.
O engenheiro civil Bruno Susin, responsável técnico pela barragem, explicou que a estrutura, construída na década de 70, passa por uma avaliação atualizada dos possíveis impactos. “Estamos adequando a barragem à legislação atual e modernizando a forma de avaliar, interpretar e compreender os riscos que ela pode oferecer à comunidade”, afirmou. Conforme a supervisora de engenharia, Caroline Cichin Spigolon, a apresentação reuniu as conclusões de anos de acompanhamento técnico que incluíram sondagens, levantamento topográfico, ensaios e batimetria. “A barragem se apresentou em todos os estudos como segura. Ela está completamente segura, em nível verde, nível zero de emergência”, destacou.
Com base nos dados, foram definidos os limites usados para classificar eventuais níveis de emergência, as providências correspondentes e os responsáveis pelas comunicações. O treinamento foi direcionado à equipe da barragem, Defesa Civil e Corpo de Bombeiros.
Estrutura e operação da represa
Construída em 1975, a Barragem do Arroio da Bica é uma propriedade particular. Formada por terra e rochas, armazena 254,2 mil metros cúbicos de água e é considerada de pequeno porte. Segundo os responsáveis, nunca houve uso de recursos públicos em manutenção ou reforma. A barragem possui vertedouro e descarregador de fundo com duas comportas. Tecnicamente, apresenta categoria de risco médio, dano potencial associado alto e classificação A.
Estudos geotécnicos atestaram a estabilidade dos taludes, com fatores de segurança de 6,10 e 4,99, acima do índice mínimo de 1,5. A base é de rocha arenítica. O documento prevê monitoramento a cada dois meses e inspeções regulares em intervalos de seis meses.
Avaliação segura
“Fomos contratados para regularizar a situação da barragem. É uma barragem antiga, construída na década de 1970, e, desde então, não houve registro de problemas maiores. A existência de uma estrutura assim naturalmente gera dúvidas sobre segurança, especialmente depois de casos como Brumadinho. A atualização traz mais clareza”, destaca Bruno Susin, mestre em engenharia civil e responsável técnico pela barragem.
“A partir dos estudos, são determinados os limites que a barragem pode atingir até chegar a cada nível de emergência, quais ações podem ser tomadas e quem deve ser comunicado. Esse treinamento busca capacitar a equipe da barragem, o empreendedor e, futuramente, também a população. Tudo se baseia nos estudos”, comenta Caroline Cichin Spigolon, supervisora de engenharia.
Manutenção
O plano estabelece uma rotina contínua de conservação da Barragem do Arroio da Bica. Os taludes e a crista devem receber manutenção mensal, enquanto a régua que indica o nível da água e os piezômetros são verificados quinzenalmente. A cada chuva está prevista a leitura pluviométrica. O teste das comportas e as manutenções do vertedouro e da saída do descarregador de fundo devem ocorrer a cada seis meses. O reservatório e as comportas possuem serviços programados a cada cinco anos. Esses procedimentos permitem acompanhar o funcionamento da estrutura e preservar suas condições.


















































