Sapiranga – Aos 64 anos, Sueli Ferreira Gomes está retomando a sua rotina aos poucos. No mês de setembro, a idosa foi atacada pelo ex-companheiro dentro da própria casa, em Sapiranga. Após ser atingida por tiros de revólver, foi socorrida em estado grave ao Hospital Sapiranga. Foram 40 dias de internação e, agora, na sua residência, enfrenta sessões diárias de fisioterapia para conseguir voltar a caminhar.
Sueli e o ex-companheiro tiveram uma relação de três meses. Apesar do pouco tempo, ela contou que o excesso de ciúmes foi o causador da separação. “Logo que conheci ele, em um bailinho, ele se mostrou ser uma pessoa e, com o passar dos dias, era outra pessoa. Ele começou a ter ciúmes até quando eu prozeava (conversava) com minhas comadres”, relembrou. A separação aconteceu poucos dias antes da tentativa de feminicídio, em 14 de setembro. Os dois se encontraram em uma baile e, na hora de vir para casa, o idoso entrou no mesmo carro de Sueli. “Quando chegamos em casa, ele começou a me insultar. Falei que não queria mais ele, daí ele disse: ‘eu te mato e depois me mato’. Depois, correu na pia e pegou uma faca; eu corri e me tranquei dentro do quarto, e ele cortou duas vezes o próprio braço”, contou ela. A Brigada Militar foi acionada e Sueli registrou ocorrência e também pediu medida protetiva. “Na frente dos policiais, ele disse ‘vou terminar o serviço, vou matar essa mulher’. Ele prometeu na frente da polícia”, lembra.
“Tenho medo por mim e minha família”
Após o ocorrido na sua casa, Sueli procurou ajuda na polícia e a medida protetiva foi decretada pelo Judiciário. O ex-companheiro não podia se aproximar dela, a restrição era de 500 metros. “Ele foi notificado disso e, revoltado, se armou e veio atrás de mim. Ele invadiu a minha casa e me esperou chegar. Na hora, ele não disse nada. Colocou o revólver nas minhas costas e atirou; foi muito covarde”, conta a idosa, que acabou sendo salva pelo filho deficiente visual, que escutou os tiros e pedidos de socorro da mãe. Na luta corporal, o idoso acabou disparando um tiro contra si mesmo. Ele segue preso e Sueli já fica nervosa ao pensar no retorno à sua rotina. “A volta vai ser tudo mais restrito, porque ele prometeu, enquanto segurava meu filho, ele gritava que iria sair e voltaria para terminar com tudo. Tenho medo por mim e pela minha família. Ele não pode ser solto, se for, vai voltar e matar a gente”, comenta, preocupada.
Processo lento de recuperação
A recuperação de Sueli será um processo lento. Desde que foi atingida pelos tiros, ela não sente as pernas. Conforme os médicos, a expectativa é de ela consiga voltar a andar, mas terá que cuidar do tratamento, que incluiu diversas sessões de fisioterapia em casa, além dos medicamentos. A rotina, hoje, se resume ao quarto e sala. “Preciso revezar tempo deitada com tempo sentada, para me movimentar e ajudar na recuperação”, conta Sueli, que recebe o cuidado das filhas.

Por Melissa Costa


















































