Região – Você imaginaria que uma tecnologia criada para procurar água em Marte hoje ajuda a localizar vazamentos na rede de abastecimento do Rio Grande do Sul?
Desde 2023, a Corsan vem utilizando inovação e inteligência operacional para combater um dos maiores desafios do saneamento: as perdas de água tratada antes que ela chegue às residências.
Entre as tecnologias adotadas está um sistema de monitoramento por satélite desenvolvido originalmente para identificar água no planeta vermelho. Combinado ao uso de geofones, equipamentos capazes de “escutar” vibrações e sons subterrâneos, o sistema consegue localizar vazamentos ocultos com alta precisão, mesmo quando eles não aparecem nas ruas.
Na prática, isso significa menos escavações desnecessárias, menos transtornos para a população e reparos muito mais rápidos e eficientes.
O avanço tecnológico tornou-se essencial diante de um cenário que exigia transformação. Em 2023, 44,3% da água produzida nas estações de tratamento da Companhia era perdida antes de chegar às casas dos cerca de 6,5 milhões de clientes atendidos.
Perdas impactam sistema e abastecimento
Mais do que um desafio operacional, isso representava o desperdício de um recurso precioso. Água tratada exige captação, energia, produtos químicos, controle laboratorial e uma complexa estrutura de distribuição. Quando ela se perde pelo caminho, perde-se também parte da capacidade de abastecimento da população.
Naquele mesmo período, foram identificados cerca de 23 mil vazamentos ocultos ao longo dos aproximadamente 36 mil quilômetros de rede operados pela Companhia, uma distância que equivale quase à circunferência da Terra.
Tecnologia acelera Localização dos escapes
O grande desafio é que muitos desses vazamentos acontecem abaixo do solo, sem sinais aparentes. Durante anos, localizar esses pontos exigia abrir longos trechos de ruas até encontrar a origem do problema.
Hoje, a tecnologia mudou essa lógica. Com monitoramento por satélite e análise acústica subterrânea, a Corsan consegue identificar os pontos exatos onde a água está se perdendo, acelerando os reparos e reduzindo impactos urbanos.
Os resultados já começam a aparecer. O índice médio de perdas caiu de 44,3% para 41%. Pode parecer uma diferença pequena à primeira vista, mas o impacto é enorme: a redução representa cerca de 30 milhões de metros cúbicos de água tratada recuperados por ano.
É água suficiente para abastecer uma cidade do porte de Canoas durante aproximadamente 18 meses.
Combater perdas é produzir melhor antes mesmo de produzir mais. É usar tecnologia para proteger um recurso essencial, aumentar a eficiência dos sistemas e garantir mais segurança hídrica para milhões de pessoas, porque, no saneamento, muitas das transformações mais importantes acontecem onde quase ninguém vê.



















































