Região – Vários são os impactos quando uma empresa fecha uma unidade fabril e faz demissões em massa. O desemprego, por exemplo, reduz o número de pessoas com renda fixa e acaba refletindo na diminuição do consumo, atingindo de forma direta a economia. Aqui no Vale do Sinos, uma das principais empresas brasileiras do setor calçadista, a Arezzo, com sede em Campo Bom, fez centenas de demissões.
O desligamento em massa de funcionários, de diversos setores, foi feito no mês de abril pela empresa. A unidade é responsável pelas produções dos calçados para as marcas Schutz, Alexandre Birman e Fiever, e é uma das maiores fabricantes de sapatos femininos da região.
Estima-se que cerca de 250 funcionários tenham sido desligados pela Arezzo, em Campo Bom. A presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados do município campo-bonense, Regina Knevitz, acredita que a situação foi pontual e que as demissões integram um processo de reestruturação da empresa. Em maio, mais de 160 trabalhadores foram demitidos após a empresa encerrar as atividades em Veranópolis, na Serra Gaúcha.
A reportagem do Grupo Repercussão tentou contato com a empresa, pedindo um posicionamento, mas até o fechamento da matéria não obteve retorno. O espaço segue à disposição para contraponto.
SAPIRANGA SENTIU DEMISSÕES
O setor calçadista é a principal frente econômica das regiões dos vales do Sinos e Paranhana. E essa sequência de demissões de trabalhadores tem chamado a atenção. Além dos desligamentos em Campo Bom e Veranópolis, em dezembro de 2022, em Sapiranga, a fábrica de calçados Brasil Shoes fechou e quase 300 trabalhadores foram demitidos. A empresa prestava serviços terceirizados para a Arezzo. Em janeiro, a Arezzo&Co adquiriu a Vicenza, uma fabricante de calçados de Igrejinha. A aquisição foi aprovada pelo seu conselho administrativo e ultrapassou os R$ 100 milhões.
FALTA DE MÃO DE OBRA NA SERRA
Não havia passado um mês das demissões em Campo Bom, quando na última terça-feira (16), 163 funcionários foram desligados da unidade de Veranópolis. O anúncio foi feito no início de maio. A fábrica na cidade havia sido inaugurada no fim de 2021, com a expectativa de empregar mais de 600 pessoas. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Caxias do Sul e região (Sindvest), os trabalhadores serão indenizados. Um dos motivos do fechamento da fábrica na cidade da Serra foi a falta de mão de obra.
“A unidade não se viabilizou aqui, analisando as questões técnicas e financeiras. A expectativa do quadro de funcionários, que não foi alcançada, foi frustrada, assim como os custos ficaram maiores. Tornou-se inviável. Além disso, Veranópolis já foi muito forte no setor do calçado. Mas, hoje, o setor metal mecânico tem ganhado força, com salários maiores do que o calçadista”, explicou à reportagem o presidente do sindicato, Jandir Zaccaria.

















































