Nova Hartz – Depois de aterrorizar uma empresária com inúmeras ameaças de morte e exigência no pagamento de valores, um criminoso extrapolou todos os limites ao estender o terrorismo para um policial civil de Nova Hartz. Foram três meses de intensa investigação até que o bandido de alta periculosidade fosse identificado. Para revolta ainda maior, o criminoso já estava preso, na cadeia de Caxias do Sul, na Serra Gaúcha. Mesmo atrás das grades, ele seguia cometendo e orquestrando crimes.
A ocorrência iniciou quando a vítima, em pânico, procurou a Delegacia de Polícia de Nova Hartz. Ela, que é proprietária de um estabelecimento comercial, relatou que o bandido passou a fazer contato exigindo pagamentos. Ele se identificava como integrante de uma facção criminosa e, com a negativa de pagamentos, começou a enviar vídeos dando detalhes sobre a cidade de Nova Hartz e afirmando que a vítima seria assassinada.
No momento que ela registrava o crime, o bandido passou a ligar. O policial pegou o telefone e falou com o criminoso, se identificando e reforçando que ele iria ser identificado e pagaria legalmente pelos crimes cometidos. Sem se sentir intimidado, o criminoso encaminhou um vídeo, segurando um fuzil e sacando munições, e garantindo que mataria a vítima e, após, também iria executar o policial civil.
“Em pânico, vítima queria pagar a extorsão”
O chefe da investigação que conversou com o criminoso tem 18 anos de experiência, tendo atuado nas mais diversas ocorrências. Inicialmente, quando o bandido ameaçou também sua família, chegou a sentir abalo emocional. “Ele passou a dizer que Nova Hartz era uma cidade pequena, que iria matar a vítima, que iria atrás da minha família, que me mataria. Logo, isso nos dá um baque, mas passou. Me dediquei intensamente à investigação e cumprimos nosso papel: identificado, preso e irá pagar pelos crimes na justiça”, disse ele. Quando o bandido passou a ameaçar o policial e mandar o vídeo aterrorizando com fuzil, a vítima ficou muita nervosa. “Em pânico, ela queria pagar a extorsão. Procurei acalmá-la, dizendo que não adiantava pagar, quanto mais ela pagasse, mais dinheiro iriam exigir”, relatou o investigador. A empresária não pagou a exigência e, na última sexta-feira (12), a Polícia Civil conseguiu os mandados de prisão. O criminoso identificado como autor das ameaças, já estava na cadeia.
Entre os crimes pelos quais está respondendo, há extorsão, homicídio, tentativa de homicídio e porte ilegal de arma. “Mesmo cumprindo pena, dentro da prisão, isso não impediu que ele seguisse no crime. Esse indivíduo é bastante conhecido na Serra, já cometeu diversas ameaças lá, inclusive contra outros policiais”.
Companheira ajudava
Além do criminoso, a Polícia Civil também identificou que sua companheira, moradora de Garibaldi, era sua cúmplice. “Ela atuava como facilitadora externa, dando todo apoio logístico e operacional para a prática de crimes, inclusive habilitando linhas telefônicas em nome de terceiros para dificultar a identificação do autor das extorsões”, detalhou o investigador. A mulher foi presa em casa e, após os trâmites legais, foi transferida para a Penitenciária Estadual de Bento Gonçalves. Ela tem antecedentes, inclusive, em outras ocorrências envolvendo o companheiro.
Não ceder às ameaças
A delegada de Nova Hartz, Ariadne Langanke, reforça a necessidade das vítimas registrarem crimes desta natureza, de ameaças e extorsões para a Polícia Civil. “A ocorrência precisa ser feita para que os autores destes crimes sejam responsabilizados criminalmente”, disse ela, enfatizando, ainda, que nessas situações é importante que a vítima não tome a decisão de ceder às ameaças e às chantagens dos criminosos. As pessoas jamais devem fazer pagamentos.


















































