Sapiranga- Um amor de irmão, multiplicado pela certeza de que, ao ter um ao outro, jamais estarão sozinhos. Esse sentimento se torna ainda mais forte ao saber que há um pouco dele em você.
Moradores de Sapiranga, Mara Rosane Silva da Rosa, 52 anos, e Leopoldo Silva da Rosa, 55 anos, compartilham deste sentimento. Há 30 anos, Leopoldo doou um rim à irmã, que era acometida por um grave problema renal, dando a ela uma nova chance de vida. “É um sentimento difícil de colocar em palavras. Sou muito grata, porque é graças a ele que estou aqui, hoje. Graças ao nosso bom Deus, lá se vão 30 anos e ele está muito bem de saúde, assim como eu”, completa Mara, relembrando o transplante, realizado no dia 5 de março de 1996, no Hospital Santa Casa, em Porto Alegre. Ela conta que se sentiu como se tivesse renascido. “A doação, vinda do meu irmão, foi um ato de amor”, completa, emocionada.
Após a confirmação dos médicos sobre a necessidade do transplante, todos os irmãos se uniram para ajudar, realizando exames de compatibilidade. A família se manteve unida, enfrentando momentos de alegria e tristeza, mas aprendendo a importância do apoio mútuo. “Minha família me apoiou muito nessa hora tão difícil da minha vida. Todos poderiam doar, mas o Leopoldo era o mais compatível, então o médico optou por ele, por ele não fumar, não beber, ser solteiro, na época”, conta Mara.
Luta após o diagnóstico
Mara conta que nasceu com atrofia renal, mas só foi diagnosticada aos 14 anos de idade. Aos 16, descobriu que o outro rim operava com apenas 50% da capacidade e três anos depois, este também parou de funcionar, exigindo a realização do transplante.
A partir dali, foram oito meses de diálise peritoneal, que é um tratamento de substituição renal para insuficiência renal crônica, utilizando o peritônio como filtro natural. “Na época, fazia diálise quatro vezes por dia, em casa. Era feito com um líquido vindo de São Paulo, que eles mandavam para a minha casa. Demorava um tempo até fazer, pois era preciso lavar as mãos até o antebraço, cinco minutos cada mão, e tinha que ter um cuidado muito grande, devido ao risco de infecção. Fiz a diálise esses oito meses, até conseguirmos realizar todos os exames, todo o preparo para o transplante”, comenta Mara, que permaneceu internada durante 20 dias após a cirurgia, sendo três na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Depois do transplante, eu renasci”, finaliza.
Um gesto de amor e uma gratidão levada para o resto da vida

Mara demonstra gratidão eterna ao irmão. “Em momento algum, ele cogitou não doar. O médico disse que eu precisava, e ele foi lá e doou. E hoje estamos aqui, 30 anos depois, celebrando a vida. É muita gratidão por tudo e um amor sem limites”, diz ela, que tem muita vontade de viver. “Acho que a cada dia quero viver mais e mais. Estar bem, com saúde, com um rim novo; poder andar, comer, dormir bem e tranquila, não precisar fazer a diálise”, comenta Mara, reforçando o agradecimento à Leopoldo. “Ganhei a primeira vida dos meus pais, e a segunda, dele. O amor é enorme, e a gratidão, maior ainda”, finaliza.
Reforçando o amor que demonstrou no ano de 1996, quando fez a doação, Leopoldo fala com carinho sobre o gesto que os uniu ainda mais. “Foi uma felicidade, para mim, poder ajudar ela. Hoje, ver ela bem, nós dois bem, com saúde, não tem dinheiro que pague”, diz ele, contando que seguiu com uma vida normal após a doação. “Levo uma vida normal, como se tivesse os dois rins”, completa Leopoldo, que, em tom de brincadeira, avisa que, se Mara não cuidar bem do rim dele, vai pegá-lo de volta, arrancando gargalhadas da irmã. Os dois fazem exames de acompanhamento, em Porto Alegre.


















































