Nota da redação: No dia 22 de maio, um familiar de Kauany entrou em contato com o Grupo Repercussão e solicitou que a expressão ‘órgão perfurado’ fosse corrigido, e substituído por ‘órgão machucado’. A matéria foi atualizada no dia 22 de maio, às 9h18.
Sapiranga – Os familiares da jovem sapiranguense Kauany Ventura de Vargas, de 16 anos, devem registrar um boletim de ocorrência na Delegacia de Sapiranga nas próximas horas. A adolescente morreu na noite do sábado (17), após complicações de uma cesárea realizada no início de maio, no Hospital Sapiranga. No entendimento do tio Ronaldo Ventura e da mãe Catiele Ventura, a adolescente foi vítima de negligência médica durante a cirurgia obstétrica e atendimentos subsequentes que ocorreram nos dias seguintes ao nascimento da criança. O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers/RS) também será notificado a respeito do episódio nos próximos dias. No momento, a família aguarda o recebimento dos prontuários de atendimento da filha para dar prosseguimento à parte jurídica do caso.
Em contato com o Grupo Repercussão, a mãe de Kauany, Catiele Ventura, explicou que tudo iniciou com o primeiro atendimento, em 2 de maio. “Desde o início foi um atendimento conturbado. A minha filha estava com quatro dedos de dilatação. Em razão disso, o obstetra encaminhou para a cesárea. O tempo foi passando, o procedimento não era realizado. Foi quando comecei a questionar, pois a minha filha estava perdendo sangue. Outro agravante foi de que o bloco cirúrgico estava ocupado. Mas, depois de muita preocupação e pressão, a cesárea foi realizada. E, acreditamos, que neste momento, algum órgão pode ter sido machucado”, conjectura a mãe de Kauany.
HOSPITAL SAPIRANGA ENVIA NOTA
Confira abaixo a nota enviada à imprensa sobre o caso
Estamos profundamente sensibilizados e solidários com os sentimentos da família envolvida, que desde o início foi acolhida com empatia e atenção.
Afirmamos que estamos comprometidos em analisar minuciosamente todos os fatos relacionados ao caso, o que vem sendo feito junto à família, às equipes médicas e de segurança do paciente, as quais estão empenhadas em avaliar, de forma cuidadosa, toda a trajetória da paciente na instituição, desde o primeiro atendimento prestado.
Ressaltamos nosso compromisso com a verdade e transparência das informações, bem como com a saúde, bem-estar e confiança de todos que buscam pelos nossos serviços, seguimos à disposição da família para os esclarecimentos necessários.
DIAS DE ANGÚSTIA E SOFRIMENTO
No dia 4 de maio, um domingo, Kauany recebeu alta hospitalar e os problemas teriam aumentado. “Ela saiu do hospital reclamando de dores. Questionamos o obstetra responsável, que nos deu uma justificativa que não concordamos. Mas, a dor que ela sentia só aumentava. Na quarta-feira (dia 7 de maio), os pontos da cesárea estavam avermelhados e com um aspecto preocupante. Levamos, novamente, a minha filha para o hospital. Um outro profissional que atendeu analisou, prescreveu um medicamento para dor e nos orientou a retornar para casa, mesmo com um quadro febril”, recorda a mãe de Kauany, explicando que a orientação era voltar na sexta-feira (dia 9).
“Nesse dia, minha filha foi internada, mas o obstetra continuava argumentando que tudo estava dentro da normalidade. Mas, era nítido que ela estava com um problema grave. No dia seguinte (no dia 10), após insistência, um outro profissional fez uma reavaliação e, no domingo (dia 11), ela foi levada para a emergência com o propósito de aguardar liberação de um leito de UTI, pois ela estava em estado grave”, comenta a mãe.
CIRURGIA DE EMERGÊNCIA
Catiele relatou que na segunda-feira (dia 12), a sua filha foi submetida a uma cirurgia de emergência, pois o estado era crítico. “A médica que atendeu a minha filha me explicou que não sabia o que iria encontrar. Devido ao quadro crítico, a equipe necessitou retirar o útero da Kauany. Na terça-feira (dia 13), ela foi internada na UTI do Hospital Sapiranga onde permaneceu até a noite do último sábado (dia 17), quando não resistiu e acabou morrendo”, explica a mãe de Kauany, ainda perplexa com tudo o que aconteceu. No domingo (dia 18), os pais da jovem, que residem no bairro Voo Livre, sepultaram a adolescente no Cemitério Parque Municipal, em Sapiranga, bastante abalados.
O QUE DIZ A DIREÇÃO DO HOSPITAL SAPIRANGA
Ao Grupo Repercussão, a diretora executiva do Hospital Sapiranga, Elita Hermann, disse que não houve demora no atendimento da paciente. “A cesárea foi feita no mesmo dia da internação. Ainda não possuímos todas as respostas, mas a equipe de Segurança do Paciente, conjuntamente com os médicos, estão empenhados em diagnosticar o que aconteceu. Efetuamos uma série de exames, análise de sangue, tomografia e outra série de acompanhamentos. O fato é que a paciente apresentou um quadro grave de infecção, que é um risco do procedimento de cesárea. Vamos cumprir com o nosso papel de investigar e entender o que aconteceu, e se tivermos oportunidade de melhorias internas, faremos”, justifica a diretora Elita.

















































