Em meados do ano 50 d.C, os cristãos em Corinto, uma cidade da Grécia, estavam tendo dificuldades com alguns pontos de sua fé. Um desses problemas era a incredulidade na ressurreição dos mortos. Por se tratar de uma doutrina absolutamente fundamental para o cristianismo e para que os cristãos em Corinto tivessem a mesma certeza que ele tinha, o apóstolo Paulo resolveu escrever-lhes a respeito do assunto em uma carta. Escreveu ele: eu lhes transmiti o que eu recebi: que Jesus morreu por nossos pecados, foi sepultado e ressuscitou no terceiro dia (1ª Carta aos Coríntios 15:3-4). Para o apóstolo Paulo, para os demais apóstolos e ainda para outras quinhentas testemunhas (v. 5), a ressurreição era um fato! E esse fato era fundamental para o cristianismo por dois motivos principais: porque era a demonstração de que a obra de Jesus foi aceita pelo Pai (tendo uma vida de obediência e sem pecado, Jesus entregou-se à morte em favor dos pecadores, a fim de que estes pudessem ser justificados e salvos da morte eterna) e porque Jesus deveria vencer, não apenas o maligno e o pecado, mas também a própria morte (se tivesse permanecido morto, seu corpo teria se deteriorado e a morte o teria vencido).
Era esse o motivo, então, pelo qual os coríntios deveriam crer na ressurreição: se não há ressurreição dos mortos, Cristo não ressuscitou; se Cristo não ressuscitou, os seguidores de Jesus continuam nos seus pecados e permanecem condenados à morte eterna, sendo, assim, inútil a fé cristã (v. 16-17). E Paulo conclui o seu raciocínio no versículo 19: e são os mais dignos de pena!
Sim, Paulo estava certo. Sem a ressurreição de Jesus os cristãos são os mais dignos de pena. Porque são um povo que basearia suas vidas em uma mentira. Porque os cristãos aceitariam tribulações e perseguições por um nome sem receber o prêmio esperado. Porque teriam esperança em Jesus só nesta vida. Porque voluntariamente aceitariam viver agora uma vida de restrições visando receber a satisfação plena em um mundo vindouro que nunca chegaria. Porém, o apóstolo escreve um consolador “mas” (v. 20), e continua: “de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos”! E acrescenta para a alegria dos que creem: Jesus é o primeiro fruto, de modo que todos aqueles que pertencem a ele serão ressuscitados igualmente em sua segunda vinda (v. 23).
Paulo escreveu isto para que esses tais coríntios, embora não tivessem visto o Jesus ressuscitado, cressem na ressurreição dos mortos e tivessem a esperança de que viveriam para sempre com Cristo quando ele voltasse.
Já se passaram quase dois mil anos da escrita da 1ª Carta de Paulo aos Coríntios e Jesus ainda não voltou, e aqueles que pertencem a Cristo continuam esperando a sua volta – e também a ressurreição dos crentes mortos naquele dia. Diante dessas circunstâncias, é possível que as pessoas de hoje sejam mais semelhantes com os coríntios do que pensam, pois sua falta de fé decorreria de não terem visto o Jesus ressuscitado. Tomé, teimoso que foi, não creu nas palavras dos demais discípulos quando lhe contaram que Jesus havia ressuscitado e havia aparecido a eles. Por absoluta graça, Jesus após alguns dias quis aparecer a Tomé. Foi neste momento em que este clamou ao estar diante do Jesus ressuscitado: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20:28). Semelhantemente aos coríntios, nós não fomos destinatários de uma aparição como esta. Mas Paulo não se preocupava com isso; afinal, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos (Hb 11:1).
Portanto, tenham visto ou não, Paulo queria que os coríntios tivessem fé na ressurreição de Jesus para que pudessem ser ressuscitados por pertencerem a Cristo, porque a bem-aventurança não depende de ver, mas de crer (Jo 20:29). Longe de os cristãos serem dignos de pena, de possuírem uma fé inútil, de terem uma falsa esperança e de apenas possuírem uma vida aparentemente restrita. Jesus ressuscitou e seus discípulos voltarão à vida reinarão com ele!
Mais tarde, quando escreveu a sua 2ª Carta aos Coríntios, Paulo não defendeu novamente a verdade da ressurreição de Jesus Cristo.
Talvez não tenha sido necessário.
Talvez os coríntios tivessem crido, de vez, na ressurreição de Jesus, para a bem-aventurança deles.
Meu desejo é de que hoje tenhamos a mesma atitude que os coríntios tiveram no ano 50: que diante de um testemunho escrito decidamos ter fé em Jesus e em sua ressurreição, para a bem-aventurança, desta vez, nossa.
Feliz páscoa!
por Cauê Livi












































