Dois Irmãos – Mês de conscientização sobre a doação de órgãos e de destacar a importância do diálogo com as famílias, o Setembro Verde chegou às salas de aula, em Dois Irmãos. Na Emef 29 de Setembro, no bairro Moinho Velho, as professoras Sabrina Dornelles e Sandra Heck, com o auxílio da monitora Sueli Medeiros, estão desenvolvendo o projeto “Doação de órgãos: uma conversa que pode salvar vidas!”, com os alunos do 7º e 9º ano. A ideia é, posteriormente, compartilhar tudo o que aprenderam com a comunidade, através de ações no bairro e nas redes sociais.
O objetivo das atividades é estimular o diálogo sobre o assunto. “É a família que permite a doação de órgãos de um parente que faleceu. Então, se essa conversa ocorrer antes, teremos mais chances de aumentar as doações. Queremos superar esse tabu, promovendo reflexões e incentivando que as famílias conversem sobre o assunto para normalizá-lo e aumentar as doações”, diz Sabrina. A professora Sandra reforça a importância da doação. “O transplante não é apenas um procedimento médico; é um recomeço. É a chance de voltar a fazer planos, de abraçar quem a gente ama e de olhar para o amanhã sem o peso do medo. Por trás de cada órgão doado existe uma história que pode continuar, uma dor que se transforma em alívio e uma generosidade que desafia a própria perda”, destaca.
Bate-papo com transplantada
O projeto iniciou com estudos sobre o assunto a partir de notícias e reportagens, que deram origem à produção de textos argumentativos. “Também recebemos a visita de Elizete Lacerda, que realizou um transplante de coração em 2021. Ela nos emocionou com a sua história. Tanto ela como a irmã passaram por transplante de coração por causa de uma doença hereditária”, conta Sabrina.

“É dar vida e esperança a outras famílias”
Elizete nasceu com uma doença genética, herdada do pai, falecido por cardiopatia grave, aos 48 anos. “Adoeci progressivamente depois dos 40 anos, até que em 2021 entrei em lista de espera. Tive a benção de receber uma oferta de órgão apenas quatro meses depois. Mas essa não é a realidade da maioria. Alguns ficam anos e chegam a falecer”, diz ela, ressaltando a importância da divulgação e campanhas de incentivo à doação. “A perspectiva não é de morte, é vida”, destaca Elizete, ressaltado que a doação é o maior gesto de amor, generosidade e humanidade que alguém pode oferecer a outro ser humano. “É dar vida e esperança a outras famílias”, completa.
Comunidade escolar reconhece a importância de falar mais sobre o assunto
“O ‘sim’ à doação é a maior prova de amor ao próximo que podemos deixar. Mas, para que esse amor aconteça, a nossa família precisa saber da nossa vontade. No momento da despedida, é o diálogo que conforta e garante que o nosso desejo de salvar vidas seja respeitado”, Sandra Heck, professora
“Ao promover essa discussão na escola e incentivar os estudantes a compartilhá-la com suas famílias e comunidade escolar, o projeto busca contribuir para uma cultura de solidariedade e generosidade, capaz de transformar perdas em novas possibilidades de vida”, Sabrina Dornelles, professora
“O desafio é as famílias se conscientizarem antes da morte, dado o momento de dor e luto. Também há muita desinformação e fake news sobre a captação do órgãos. Existem questões pessoais e religiosas que envolvem a não doação, mas o principal obstáculo é a desinformação”, Elizete Lacerda, transplantada
“Eu acho o projeto muito importante, pois mais pessoas ficarão vivas. Eu nunca tinha estudado sobre o assunto. Com esse projeto, vamos fazer com que as pessoas conversem mais sobre o assunto e o número de doadores pode aumentar”, Thalles Mattos da Rosa, aluno
“Eu nunca tinha falado antes sobre a doação de órgãos, inclusive, agora, já conversei com o meu pai sobre o projeto que estamos desenvolvendo na escola. É muito importante falar sobre isso para salvar vidas”, Giovanna Dallabrida, aluna
















































