A falta de saneamento dentro de uma escola vai muito além da infraestrutura. Afeta a saúde, a frequência às aulas e as oportunidades de aprendizagem de crianças e adolescentes.
Estudo do Instituto Trata Brasil aponta que jovens sem acesso adequado ao saneamento chegam ao final da adolescência com atraso escolar médio de 1,8 ano em relação àqueles que contam com os serviços. Em 2024, mais de 100 mil crianças brasileiras de até 9 anos foram internadas por doenças associadas ao saneamento inadequado.
Dados do Censo Escolar compilados pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) ajudam a dimensionar o desafio: 647 mil estudantes da rede pública brasileira frequentam escolas sem água potável e 357 mil estudam em locais sem esgotamento sanitário. É sobre essa realidade que a Corsan vem atuando no Estado. Em parceria com a Secretaria Estadual da Educação (Seduc) e integrada ao projeto nacional Sede de Aprender, a Companhia mapeou 6.789 instituições de ensino nos 317 municípios atendidos.
Desse universo, 4.676 escolas já estão integradas aos sistemas da Corsan. São 3.712 abastecidas pela rede de água e 964 também conectadas à rede de esgoto. As primeiras intervenções permitiram conectar 289 escolas ao esgotamento sanitário e substituir, em 23 unidades, poços irregulares ou com problemas de qualidade pelo abastecimento da rede pública. “Quando levamos água de qualidade e uma solução adequada para o esgoto a uma escola, estamos fazendo muito mais do que uma obra. Estamos criando condições para que crianças adoeçam menos, estejam mais presentes em sala de aula e tenham um ambiente adequado para aprender. Saneamento é saúde, educação e oportunidade”, afirma a presidente da Corsan, Samanta Takimi.
Diagnóstico e respostas
O trabalho começou em 2024, com 1.369 escolas estaduais, e foi ampliado em 2025 para mais instituições públicas e privadas. No mesmo ano, ganhou nova dimensão com a adesão da Aegea ao acordo de cooperação do Sede de Aprender, iniciativa criada pelo Ministério Público de Alagoas e ampliada pelo CNMP.
A partir dos dados do Censo Escolar, as informações são verificadas e cada unidade recebe um diagnóstico técnico. A resposta varia conforme a realidade encontrada: conexão à rede existente, extensão da infraestrutura ou desenvolvimento de uma solução específica. “Estamos olhando escola por escola porque as necessidades são diferentes. O importante é transformar o diagnóstico em uma resposta concreta para aquela comunidade escolar”, explica Samanta.
A expansão segue o avanço das redes municipais previsto para a universalização do saneamento. A projeção é passar de 983 escolas conectadas ao sistema de esgoto em 2026 para 1.615 em 2029, 2.477 em 2031 e 2.959 em 2033.
Alunos capacitados
O trabalho também chega às salas de aula. Por meio da Patrulha contra os Vilões do Esgoto, crianças aprendem sobre preservação dos mananciais, ciclo da água, esgotamento sanitário e descarte correto de resíduos. A iniciativa já passou por 23 cidades, capacitou 200 professores e envolveu diretamente 9 mil estudantes de 51 escolas.
ESCOLA QUE MULTIPLICA
Ao compreenderem o saneamento e acompanharem as transformações na própria escola, crianças e adolescentes também levam esse conhecimento para casa. Assim, cada escola atendida pode se tornar um ponto de multiplicação de consciência ambiental para famílias e comunidades. Porque garantir saneamento nas escolas não significa apenas levar água e esgoto até seus portões. Significa criar condições para aprender, cuidar da saúde e formar uma geração mais consciente sobre a proteção da água e do meio ambiente.















































