Região – Com o coração dilacerado, ela se despediu pela última vez do amor da sua vida. Sauane Rangel, de 32 anos, é esposa do operador de máquinas Marcelo dos Santos Silvestre, de 38 anos, que faleceu no dia 1º de setembro, enquanto se deslocava para o trabalho. Ele havia saído de Nova Hartz, onde residia, para ir ao trabalho em uma empresa de Campo Bom, quando um veículo Corsa atingiu a traseira da sua moto, na RS-239, no trecho de Araricá.
No impacto, Marcelo feriu levemente o tornozelo, mas o rapaz que estava na sua carona, sofreu fraturas no braço e perna. Logo após o acidente, Marcelo ligou para a esposa Sauane Rangel, 32 anos, contando do acidente e tranquilizando ela de que estava tudo bem. O que Sauane não esperava é de que logo após a ligação, Marcelo seria atropelado por uma pick-up Montana, cujo motorista não parou com as sinalizações. A esposa do amigo ferido e Sauane chegaram no local do acidente minutos após a ligação de Marcelo. “Quando cheguei, o amigo estava no chão e ele já dentro da ambulância, não tinha mais vida ali, o carro veio e passou por cima dele. Não temos detalhes ainda, já tinha sinalização, ambulância, bombeiros, não sei como isso foi acontecer. No hospital, tentaram reanimar ele, mas não conseguiram”, contou ela, entre lágrimas. O sepultamento de Marcelo aconteceu no dia seguinte, em Campo Bom.
“Sempre no coração”
Sauane tenta encontrar forças para seguir em frente. As lembranças dos 18 anos de relacionamento com Marcelo são o que acalentam um pouco do sofrimento. “Quando começamos a namorar, eu tinha 14 anos e ele 19 anos. Por muitos anos, moramos em Campo Bom, até nos mudarmos para a nossa casa própria em Nova Hartz (no bairro Campo Vicente)”, conta Sauane, que agradece todos os dias por ter escolhido a melhor pessoa para viver e construir sua família. “Ele era um ótimo pai, fazia de tudo por nós, nunca deixou faltar nada. Com certeza, escolhi o pai certo, o melhor parceiro; vou carregar para sempre no meu coração”, disse.
“Nosso líder de torcida”
Marcelo é lembrado como uma pessoa alegre, que contagiava todos. “Perto dele não tinha tristeza. Sempre digo, ele era nosso líder de torcida”, disse Sauane, que está passando alguns dias na casa dos pais. “Eles estão sendo tudo pAra mim, me ajudam em tudo”. Apaixonado por futebol, Marcelo também era bastante conhecido. Jogava há 13 anos no time Família Águia Azul, de Campo Bom, que realizou bonita homenagem de despedida. Por muitos anos, Marcelo e a esposa moraram no bairro Operária. Com o filho pequeno diagnosticado com autismo, Sauane havia parado de trabalhar para se dedicar aos cuidados junto das terapias. “Vou precisar buscar forças, não sei onde, para conseguir seguir”.
Em 2025, 11 pessoas morreram na rodovia
O trânsito na RS-239 é um dos mais violentos e fatais da região. De janeiro a agosto de 2024, conforme estatística do Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM), 12 pessoas morreram. Neste ano, no mesmo período, foram nove vítimas fatais. Nos últimos dias, mais duas pessoas morreram em acidentes registrados em Sapiranga e Araricá (chegando a 11 no ano). No ano passado, oito mortes ocorreram em Sapiranga e Novo Hamburgo (quatro em cada). Neste ano, Sapiranga segue sendo o trecho com maior número de óbitos, outros quatro. No mesmo período, houve aumento nos acidentes com danos materiais, de 32 para 50. Nos sinistros com lesões corporais leves ou graves, de janeiro a agosto do ano passado, foram registrados 104 casos. Neste ano, subiu para 120 ocorrências. Para tentar frear a acidentalidade, uma das medidas que entrou em vigor, nos trechos com mais mortes, foi a redução da velocidade permitida, de 80km/h para 60km/h.


















































