Região – A tradição gaúcha do churrasco tem sido duramente afetada pelo preço da carne bovina, principal alimento da prática. O produto encara altas há, pelo menos, 12 meses, e exige alternativas dos assadores. Porém, outro elemento protagonista nestas atividades enfrenta oscilações de preço: o carvão.
O produto inflamável é o que dá início aos preparativos e garante o cozimento dos alimentos depositados sobre a churrasqueira. Por isso, a necessidade de procurar opções mais baratas ou pacotes em menor escala, já que o carvão costuma ser vendido em grupos de 3 a 5 quilos.
Nossa equipe realizou uma pesquisa de preço por supermercados da região. Nos vales do Sinos e Paranhana, a diferença maior é no oferecimento de marcas diferentes, mas há, também, análise sobre os valores. Em um estabelecimento de Campo Bom, por exemplo, o pacote de 3 Kg sai por R$ 23,60, enquanto em Parobé, os mesmos R$ 23,00 garantem um pacote de 4 Kg.
Os responsáveis pela produção, no entanto, apresentam perspectivas diferentes. Dois produtores de carvão do Vale do Sinos foram consultados. Um deles, afirma não ter tido alterações no valor do produto que oferece, seguindo a mesma faixa desde 2021.
Já o segundo produtor manifesta que fatores como a escassez da lenha de acácia (planta de onde costuma se fazer o carvão), e o aumento de preço de outros componentes, como a embalagem utilizada para estocar o produto, encarecem o oferecimento final.
Acácia encarecida
Os dois trabalhadores do setor agro atuam com produção própria de acácia, posteriormente convertida em carvão, e também compram a lenha de outros produtores. Esse é um dos motivos que pode prejudicar o bolso do consumidor final, já que a produção, por vezes, é composta por um trabalho terceirizado.
O carvoeiro que confirma a diferença financeira cita que alguns agricultores têm optado pela plantação de eucalipto, opção menos qualificada para produção de carvão. Ele também afirma que o preço da acácia aumentou: de R$ 70,00, para R$ 200,00 em 3 anos o valor do metro.
Processo pode levar meses
A produção do carvão possui algumas etapas. Após a coleta da lenha, seja de acácia ou eucalipto, alguns produtores optam por retirar a casca para resultar em um melhor carvão. Este processo exige 3 meses para que a lenha seque.
Depois, o material é levado para um forno de incineração, onde a lenha fica por até uma semana. Depois da queimada, são mais 7 dias para que o produto esfrie, possa ser ensacado e, por fim, comercializado.
Por Bruno Morais


















































