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Réus e testemunhas são ouvidos por juiz no caso Júlio César

SENAC Novo Hamburgo

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Sapiranga – Doze testemunhas foram ouvidas na última segunda-feira (11), no Fórum de Sapiranga, pelo juiz da Vara Criminal da Comarca da cidade, Ricardo Petry Andrade. O objetivo da audiência de julgamento foi esclarecer o que de fato ocorreu e quem são os culpados pela morte do jovem sapiranguense Júlio César da Silva, então com 28 anos, sequestrado no dia 21 de novembro de 2016 em seu escritório, localizado na Rua Major Bento Alves, bairro Sete de Setembro.

O pai da vítima, Paulo Jair da Silva, 63 anos, bem como empresários e populares intimados pela justiça, deram suas versões dos fatos na audiência. Além deles, o delegado da Polícia Civil de Sapiranga, Fernando Pires Branco, e parte de sua equipe, que estiveram a frente das investigações, também testemunharam.

Guilherme Pilger

Os réus do caso, André Norberto Reinheimer , o “Bebidinha”, 33 anos, e Régis Adriano da Luz, 41 anos, foram trazidos da Penitenciária Estadual do Jacuí, em Charqueadas, para assistir a audiência. Eles permaneceram vigiados todo o tempo pela equipe da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) do Rio Grande do Sul.

Outro réu do caso, Eloir Sartori Quiestes, o “Bichinho”, de 43 anos, também compareceu na audiencia. Após ter sido preso de janeiro a abril deste ano, ele foi solto por decisão judicial e responde em liberdade.

Após quatro horas e meia, a audiência foi interrompida antes mesmo dos réus serem interrogados pelo juiz, a pedido do advogado de Bebidinha, Dr. Cláudio Rodrigues Neto. O advogado pediu que o interrogatório dos réus seja feito somente após algumass perícias estarem concluídas.

Ministério Público acredita em pena de 30 anos para réus

“Para o Ministério Público não há dúvidas. No nosso entendimento, a tese sustentada na denúncia quanto ao crime de extorsão mediante sequestro, que resultou na morte de Júlio, restou confirmada pela prova produzida na instrução do processo, e o Ministério Público está confiante na condenação dos réus”. É o que diz o promotor de Justiça, Sérgio Cunha de Aguiar Filho, que falou com exclusividade para o Jornal Repercussão após a audiência.

O Promotor de Justiça também não acredita na hipótese de habeas corpus, “pois o Ministério Público buscou dar o andamento mais rápido possível à instrução, sendo que a designação de nova audiência decorreu de pedido da defesa de um dos réus. Acreditamos fortemente que eles permanecerão presos, até porque, essa audiência foi muito favorável para a acusação. Em relação aos crimes apurados, há elementos suficientes que confirmam a tese do MP que vem sendo defendida, da prática de extorsão mediante sequestro, seguida de morte”, frisou o promotor.

“Notamos também que algumas testemunhas relutaram em tratar de detalhes do caso, o que de certa forma é comum. De um modo geral, as pessoas não querem se envolver, embora cobrem medidas contra impunidade.”, salientou Filho.

Com a pauta sendo designada pelo juiz, o promotor acredita que a próxima audiência, com o interrogatório dos réus, possa ser realizada já no início de 2018. Aguardaremos pelas perícias do Instituto Geral de Perícias (IGP) para o processo ter continuidade. Pelo respeito à família e amigos do Julio, iremos cobrar do IGP que enviem essas perícias o mais rápido possível”, disse o promotor.

Sérgio Cunha de Aguiar Filho ainda disse ter certeza que os réus podem pegar cerca de 30 anos de prisão. “Esperamos uma pena próxima a 30 anos de prisão havendo a condenação dos réus”, pontuou.

Pai de Júlio se emociona durante depoimento

A primeira testemunha a ser ouvida na audiência de segunda-feira (11) foi Paulo Jair da Silva, o pai do jovem assassinado Júlio César. Em detalhes, ele relatou para a Polícia todos os fatos que aconteceram desde o dia do sumiço do seu filho. O pai do jovem chorou por várias vezes durante o depoimento, fazendo o juiz Ricardo Petry Andrade interromper o momento.

Ao juiz, Paulo Jair da Silva confirmou que emprestou R$200 mil para André “Bebidinha”. “Um empresário me procurou e disse que o seu amigo, o André, precisava do valor emprestado. Eu emprestei. O Júlio ainda me alertou que eu não deveria ter emprestado, pois o André não era uma boa pessoa”, disse o pai do jovem para o juiz.


Após sequestro, André disse conhecer bandidos

Dias após o sequestro, o pai de Júlio confirmou ter sido procurado por André “Bebidinha”. “Ele disse que estava em um rodeio e, do nada, um homem perguntou se ele era de Sapiranga e que sabia quem estava com o Júlio. Então, o André me disse que intermediaria esse resgate. Ele dizia que os criminosos queriam R$ 1 milhão para liberar o Júlio. Mas ele caiu na armadilha feita pelos policiais, inclusive com interceptações telefônicas. O André inclusive já perguntava detalhes sobre a minha família e meus filhos para outras pessoas. Ficamos sabendo disso”, disse Paulo Jair.

Defesa de André quer a conclusão das perícias

A audiência desta segunda-feira foi interrompida antes mesmo dos réus serem interrogados pelo juiz. O advogado de André “Bebidinha” pediu que sejam concluídas as perícias de vozes e dos telefones dos envolvidos para, somente após, ocorrer o interrogatório perante o juiz. A perícia de vozes já dará um indicativo se era ou não André “Bebidinha” ou Régis Adriano um dos sequestradores, que passou a ligar para a família exigindo o resgate, logo após Júlio ter sido sequestrado. “Acho importante termos as perícias prontas. É uma parte fundamental do processo”, disse o advogado Claudio Neto.

Advogado de André “Bebidinha” diz que avaliará se pedirá o habeas corpus

Em entrevista exclusiva para a reportagem do Jornal Repercussão, o advogado do réu André Reinheimer, Dr. Cláudio Rodrigues Neto, disse acreditar na inocência do seu cliente e explicou que aguarda as perícias. “Temos quatro provas técnicas e de órgãos isentos que ainda faltam ser apresentadas, que são a perícia de vozes, a perícia dos telefones de André e do Régis Adriano, e ainda os relatórios das estações bases de frequências de rádio. Essa última questão irá apontar se no dia que o Julio sumiu, os celulares de Júlio, André e dos outros réus estavam localizados na mesma região. O meu cliente jura inocência no crime”, frisou o advogado.

Para a reportagem, Cláudio Rodrigues Neto ainda salientou que irá avaliar a possibilidade de solicitar a soltura de André “Bebidinha” ao juiz, por meio de um pedido de habeas corpus. “Estou avaliando essa possibilidade, uma vez que não se pode dizer que o excesso de prazo foi produzido por nós da defesa, mas sim, é uma obrigação do Estado fornecer”, pontuou.

Questionado pelo Repercussão, de que forma procederia caso as perícias em questão indicassem a participação de seu cliente, André “Bebidinha”, no caso, o advogado foi taxativo. “Tenho um nome a zelar e estou confiando no que o meu cliente diz. Mas, se for provada a participação dele, renuncio à defesa e abandono o caso”, disse Cláudio Rodrigues Neto.

“IGP já deu indicativo de ser a voz de André em ligações”, afirma delegado

O delegado da Polícia Civil de Sapiranga, Fernando Pires Branco, crê na condenação de André Reinheimer e Régis Adriano da Luz. “Em interceptações telefônicas que fizemos logo após o sequestro do Júlio, ficou clara a participação de Bebidinha e seu amigo no caso. Eles armaram uma situação em uma quarta-feira à noite e não contavam que fossem surpreendidos por nós”, frisou o delegado.

De acordo com Fernando Pires Branco, a perícia das vozes em ligações dos sequestradores deve confirmar a tese sustentada pela Polícia de Sapiranga e pelo Ministério Público. “O IGP ainda não concluiu a perícia de voz nas ligações, mas já deu o indicativo de ser a voz do André “Bebidinha” nas ligações telefônicas”, explicou Branco.

Creio que ainda sem a perícia pronta, mesmo tendo somente ainda o depoimento das testemunhas ouvidas e outros fatos em comum, já é possível afirmar a participação deles no crime. A Polícia Civil de Sapiranga trabalha desde o ano passado com força para elucidar o ocorrido. Acreditamos que o Eloir Quiestes, o Bichinho, também tenha ligação com os fatos”, salientou o delegado.

Outros policiais da equipe de Branco, que também participaram das investigações, foram ouvidos. Destaque ainda para o depoimento do chefe do setor de Investigação da Polícia Civil de Sapiranga, Carlos André Medeiros, que inclusive deu sua opinião sobre o caso para o juiz. “Temos informações que o Régis Adriano já efetuou roubos na serra e era rastreado pela Polícia de Gramado. Para mim, ele tem ligação com a quadrilha “Os Manos” e foi o comparsa de André”, disse Medeiros.

Relembre o caso do sequestro e da morte do jovem Júlio César da Silva

21 de novembro DE 2016
Júlio é capturado na sua imobiliária, na Rua Major Bento Alves.

21 de novembro 2016 à noite
O pai de Júlio, Paulo Jair da Silva, procurou a polícia. Declarou que tentou contato com o seu filho na parte da tarde do dia 21 e um desconhecido atendeu o telefone de Júlio, passando a exigir resgate.

27 de novembro de 2016
O corpo de Júlio foi encontrado em estado já de decomposição no Loteamento Altos da Floresta, em Estância Velha.

7 de dezembro de 2016
A confirmação técnica de que era o corpo de Júlio veio neste dia, através do exame da arcada dentária.

Entre 7 e 10 de dezembro de 2016
Polícia Civil de Sapiranga monta operação para pegar criminosos. Foram presos quatro homens, sendo dois deles liberados dias após por não terem qualquer participação no crime. André Reinheimer, o “Bebidinha”, e Régis Adriano são presos e permanecem reclusos até o momento.

10 de dezembro de 2016
Júlio César da Silva é sepultado no Cemitério do bairro Oeste, em Sapiranga, sob forte comoção. Centenas de pessoas estiveram presentes.

Janeiro a abril de 2017
Eloir Quiestes, o Bichinho, também é preso. Já em abril, o mesmo é absolvido e solto.

Maio de 2017
Eloir Quiestes é recolocado como réu no caso pela Justiça.

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