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Operação põe na cadeia quadrilha e apreende cifra milionária


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Sapiranga – Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, 9, o delegado Fernando Pires Branco, da DP de Sapiranga, detalhou a megaoperação deflagrada na cidade, que recebeu nome de Washing Machine, em alusão ao crime de lavagem de dinheiro, crime que a investigação visa combater.

Tudo começou no fim do ano passado, quando um roubo a um bar chamou a atenção dos policiais, quando descobriram que os criminosos utilizaram camisetas da Polícia Civil (PC). Desde então, os policiais passaram a investigar o fato. Em menos de 30 dias depois, aconteceu uma tentativa de homicídio em que os criminosos, novamente estavam fardados como policiais. “Nós então começamos a investigar o que estava acontecendo. Só que conforme nós íamos investigando, o negócio começava a aumentar”, conta o delegado Branco.



Foi a partir do aprofundamento da investigação que os policiais descobriram a formamação, em Sapiranga e região, de um esquema em que os maquineiros locais (indivíduos que fomentam os jogos de azar através de máquinas caça-níquel) estavam se associando com a Facção Os Manos. “Na verdade, Os Manos começaram a exigir uma parcela dos lucros dos maquineiros e passaram a atuar como seguranças desses maquineiros”, explica Branco. O que acontecia então era que esses maquineiros tinham que ceder pelo menos metade do lucro para a facção. Quem não concordasse, não tinha a permissão dos Manos para trabalhar nesse ramo. Após investigação e diversas diligências, a PC de Sapiranga descobriu que o esquema vinha ocorrendo em diversas outras cidades, como Campo Bom e Nova Hartz.

Oito presos até agora. Operação continuará…

O delegado de Sapiranga, Fernando Branco, fez questão de frisar que a ação desta quarta-feira, 9, não se trata apenas de apreender máquinas caça-níqueis. “Fica evidente que hoje em dia os maquineiros se associaram com facções criminosas. Se trata de uma investigação que busca atingir o crime organizado, porque hoje os exploradores dos jogos de azar se uniram ao crime organizado para realizar sua atividade ilegal. Esse é o nosso foco”, salienta.

Outro ponto revelado durante a entrevista foi que o grupo investigado é violento, constatação ocorrida após acesso, autorizado judicialmente, a conversas de WhatsApp. “Numa conversa que me chamou atenção eles falam, dois dos indiciados, que o chefe deles vendeu 90 pistolas glock em dois dias, ou seja, é um grupo com considerável poder de fogo”, destaca o delegado.

A ação de hoje, nas palavras de Branco foi exitosa. “O inquérito e apurações continuam. Agora temos o nosso prazo legal para encerrar o inquérito e remeter ao judiciário para o indiciamento” , explica. Dos 21 mandados de prisão temporária, oito pessoas foram presas até agora. As diligências continuam e mais prisões devem ocorrer nesta quinta-feira, 10.

Eles disseram

Emerson Wendt, Chefe da Polícia Civil Gaúcha.
“Hoje em dia não se combate crime organizado sem necessariamente se trabalhar a questão efetiva da descapitalização dos criminosos. Só assim a gente dificulta cada vez mais o trabalho dos criminosos em se reorganizar”


Fábio Motta Lopes, Diretor do Departamento de Polícia Metropolitana.
“Dá gosto de ver esse ataque patrimonial. É preciso a descapitalização das organizações criminosas. Somente dessa forma a gente vai trazer resultados melhores para a sociedade”

Rosalino Constante Seara, Diretor da Delegacia de Polícia Regional Metropolitana 3ª DPRM.
“O nosso trabalho na 3ª DPRM é esse, em cima do crime organizado, para que consigamos desestruturar aquelas quadrilhas que realmente tem feito um grande mal para nossa sociedade”

Fernando Pires Branco, delegado da DP de Sapiranga.
“O inquérito e apuração continuam. Há farta documentação, que foi apreendida, que tem que ser analisada para tomar as medidas cabíveis”.

Fomento ao crime organizado  

Emerson Wendt parabenizou a equipe do Delegado Branco pelo trabalho de fôlego. “Porque além de combater o crime organizado, combate o efeito principal que é a questão da lavagem de dinheiro”, pontua. Ele ainda salienta, em relação a essa operação, o trabalho da inteligência, fundamental para a operação deflagrada nesta quarta-feira e criticou os indivíduos que jogam em caça-níqueis. “Na verdade, quem joga hoje nessas máquinas acaba fomentando diretamente a questão do crime organizado no Rio Grande do Sul, essa é a grande verdade”, reiterou Wendt. Outro fato que chamou a atenção da equipe de investigação foi a violência e a quantidade de possíveis envolvidos. “Em outra conversa interceptada, eles dizem que iam mandar encher de bala um outro indivíduo”, relata Branco. Na conversa, um dos criminosos ainda menciona o fato dos caça-níqueis serem todos dos Manos e que possuíam três mil pessoas na rua para manter o negócio. “Não sei se foi superestimado, mas o fato é que eles estão realmente numerosos”, salienta o delegado.

Criminosos usavam roupas da PC

Durante a apresentação da Operação, o Delegado de Sapiranga também destacou o fato de que os criminosos usavam, com frequência, roupas da Polícia Civil. Imagens registradas pela delegacia de Xangri-lá mostram vários dos presos desta quarta-feira indo até um bar, recolhendo as máquinas caça-níqueis, fardados com roupas da Polícia Civil. Mesmo grupo que atuou aqui em Sapiranga e que cometeu um homicídio em Canela”, revela Branco.

Texto e fotografia: Sabrina Strack

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