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Propriedade em Sapiranga é referência em energia limpa e produção orgânica



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Sapiranga – Sr. Rubem Harff, 63 anos, produtor rural de Sapiranga, é hoje referência em sustentabilidade e agroecologia na região. “Hoje estou mais motivado do que nunca”. É dessa maneira que o agricultor se define, empolgado com toda a história construída e conhecimento adquirido ao longo de uma vida dedicada à plantação de alimentos, e já oito anos na produção exclusiva de orgânicos.

O local tem recebido diversos estudantes locais e de Universidades, assim como outros agricultores, visando a troca de conhecimento. “Uma vez passou uma excursão de Minas Gerais por aqui”, lembra Harff. Como a propriedade é unidade de referência do projeto VerdeSinos (projeto executado em propriedades privadas objetivando, entre outros, a recomposição da mata ciliar), a propriedade entra na rota de entidades e instituições envolvidas com as áreas de ecologia, sustentabilidade, meio ambiente e natureza. Grupos de alunos que querem aprender a fazer uma horta orgânica também visitam o local.

O Sr. Rubem é produtor orgânico certificado. “Meu sistema de produção não é aquele básico, existe todo um conhecimento que já se adquiriu ao longo dos anos, onde se trabalha a vida no solo”, explica. Para manter a saúde do solo, folhas, plantas aquáticas, minhocas e galhos são mantidos sobre a terra. “Com uma planta equilibrada não vai ter problema de praga ou doença”, ressalta.

Energia Solar faz parte de todo um sistema ecológico e sustentável desenvolvido

As placas de energia solar instaladas há cerca de um ano na propriedade vão ao encontro do processo de produção adotado por Harff, de não agredir o meio ambiente. “Energia solar é apenas uma parte de tudo o que eu tenho aqui. Eu fiz pela questão ambiental e pelo fato de eu estar envolvido nessa área de ecologia. Me senti na obrigação de testar”, pontua Rubem, que foi o primeiro pequeno agricultor da região a instalar a tecnologia na propriedade. Hoje, toda a energia consumida no local é gerada através da luz solar.

Produtos são vendidos na feira

Sr. Rubem prega que o mais importante nessa cadeia de sustentabilidade é o consumidor conhecer o produtor. “Ele precisa saber de onde veio, como foi produzido. A propriedade está aberta, eu mostro como faço. Precisa dessa aproximação”, defende o agricultor, que hoje foca no plantio de folhosas, como alface, rúcula, raditi, chicória, couve. Os produtos podem ser encontrados na sua banca, aos sábados, na Feira do Agricultor de Sapiranga. Grande parte da produção é vendida para restaurantes, assim como para a Secretaria Municipal de Educação. Ele também atende o consumidor que o visita diretamente na propriedade, na Rua Harff, 400. (logo após o Centro de Estudos Ambientais – CEMEAM, Rua São Jacó). Harff ainda esclarece que o preço mais alto para orgânico é passado. “Muito do que eu faço, eu tenho ajuda da natureza. Hoje eu gasto menos do que gastava antes. É mais caro se for comprar no comércio, que explora, agora se comprar direto do produtor, pelo menos no meu caso, é o mesmo preço ou até menos”, enfatiza.


Solo equilibrado não precisa de agrotóxico

Questionado sobre uso de veneno, Sr. Rubem explica que apenas utilizaria se continuasse no sistema desequilibrado, pois uma vez equilibrado, a planta se torna resistente. Os problemas, segundo ele, ocorrem quando são utilizados agrotóxicos, adubos, tratores, o que destrói a natureza. “Meu sistema de produção orgânica é dentro do sistema ecológico, que é o sistema da natureza. Em muitos aspectos eu deixo a natureza me ajudar, trabalhar para mim”, explica. Harff ainda rebate uma crença que ele mesmo tinha, a de lavrar a terra, prática que, na verdade, destrói a estrutura do solo. “Hoje resolvo o problema do solo batido não com arado, mas com as minhocas, folhas, galhos, cascas, capim, plantas aquáticas do açude, que limpam a água, tirando o esterco dos peixes”, explica. O plantio é feito diretamente sobre toda essa matéria orgânica. Ele ainda complementa, empolgado. “Essas outras pulverizações, inseticidas, isso não existe mais, isso é passado”, destaca. Harff conta ter aprendido muito mais sobre plantio durante estes últimos oito anos. “Isso foi muito mais imporante. Hoje eu tenho outra visão de como funciona o solo. O equilíbrio da natureza”, salienta.

Emater e Agricultura avaliam

Para Valdes Cavalheiro de Araújo, secretário de Agricultura de Sapiranga, a propriedade de Harff é um belo exemplo a ser seguido. “Energia solar é uma forma alternativa e limpa de geração de energia, sem queima, alagamentos ou outro dano. A produção orgânica é uma prática que vem ganhando milhares de adeptos e nós, da Administração, temos procurado dar incentivos para a mudança”, salienta. Mateus Farias de Mello, chefe do escritório da Emater em Sapiranga, reforça que a entidade ajuda os agricultores com orientação técnica de cultivo, soluções, assim como na difusão da tecnologia entre os agricultores. “A energia solar hoje é muito importante em propriedade familiar para, principalmente, redução da poluição. E efeito de redução de custo direto ao agricultor”, cita Mello.

Texto e fotografia: Sabrina Strack

Criação de Sites Porto Alegre

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