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Primeiras funcionárias registradas em Sapiranga


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Sapiranga se emancipou em 28 de fevereiro de 1955. A educação foi uma prioridade de Edwin Kuwer, tanto que as primeiras funcionárias contratadas após a emancipação foram duas professoras. A data de admissão de ambas, conforme registros da prefeitura, é dia 01/03/1955, ou seja, um dia após a emancipação. O Jornal Repercussão foi conversar com Ivonne Loth Peters, de 90 anos, e Izaura Silva da Silva, 87 anos. O momento oportunizou muitas lembranças e histórias.

Ivonne, uma pessoa de muita fé em Deus, que adora crianças e sempre gostou de ensinar, conta que, desde o início, preferia lecionar aos pequenos da segunda série. “Eram muito queridos”, conta. Ela lembra das dificuldades enfrentadas logo após a emancipação. “No início era muito complicado, porque não tínhamos nada, nem papel para anotar. Não foi fácil, a rivalidade política era muito grande”, recorda. Ela, além de lecionar já antes da emancipação, foi a primeira coordenadora de educação na cidade. Ajudou a estruturar o setor dentro do município. Permaneceu por quatro anos, até o fim do mandato de Kuwer. Após, em 1960, foi chamada para lecionar na Escola Duque de Caxias, cujo diretor era o professor Lucio Fleck, pessoa da qual recorda com carinho. “Seu Lucio era muito exigente e tinha um domínio de classe que os alunos se calavam quando ele entrava”, relembra, saudosa.



Quando completou 30 anos de serviço, optou por parar e aproveitar o tempo para viajar com o marido, Waldomiro Peters, já falecido. Sua morte a afetou bastante, pois foi um episódio traumático. Ele foi atropelado, na frente de casa, por um motorista alcoolizado. “Foi muito triste pra mim, ele foi um grande parceiro”, diz. Eles viajaram por diversos países pela Europa, Estados Unidos e Canadá. “Viajamos nós dois, foi muito bom”, afirma.

Sobre o último dia na escola, lembra com carinho. “Choraram tanto que me fizeram chorar também no dia da despedida”, contou, com os olhos já marejados. Dona Ivonne foi ainda uma das fundadoras da Apae e Liga de Sapiranga. Para ela, a cidade sempre procurou melhorar e evoluir. “Todos os prefeitos que assumiram foram dedicados”, pontua Ivonne, que deixa uma bonita mensagem: “Que as pessoas se voltem mais para Deus e busquem em Jesus orientação para a sua vida”, declara.

Professora Izaura Silva da Silva, 87 anos
História de vida, assim como a de Ivonne, que inspira e motiva

A sra. Izaura Silva da Silva, de 87 anos, iniciou sua carreira lecionando em Sapiranga, quando ainda pertencia à São Leopoldo. Trabalhou nas localidades conhecidas, à época, como Padre Eterno e Fazenda Leão. Também, no Almeida Júnior e, por fim, foi chamada para lecionar na Escola Duque de Caxias. “Gostei tanto de lá, para mim foi o céu, fiquei com uma pena de parar, fazia o que eu gostava, era um prazer”, conta Izaura, que preferia as turmas da terceira ou quarta série. “Da terceira pra cima, a gente tem mais diálogo com o aluno, eu preferia”, explica, lembrando que no início da carreira, ainda antes da emancipação, lecionava para turmas que abrigavam crianças do pré até a quinta série, todas na mesma sala de aula.


Na época, Dona Izaura conta que nem máquina de escrever existia. “Tinha que fazer tudo manual, e com tinteiro, porque não tinha caneta como as de hoje”, destaca. E na época, as provas no fim de cada ano, vinham de São Leopoldo e eram aplicadas por uma banca examinadora. “Coitadinhas das crianças, não estavam acostumadas com a letra script, porque só usavam a cursiva, e ainda vinham uns 3 ou 4 professores, todos estranhos”, recorda.

Ela trabalhou por 24 anos no Duque, sob a direção do professor Lucio Fleck. Dona Izaura também, assim como a Sra. Ivonne, lembra dele com muito carinho. “Bondosa pessoa, educadíssima, inteligente, de fino trato, 24 anos de plena comunhão com ele. Era uma pessoa boa, gostei demais de trabalhar com ele”, relembra.

Dona Izaura se aposentou com 31 anos de magistério. Mas, após pedidos da diretoria da escola, trabalhou mais quatro anos no Duque. Depois, atuou por mais 35 anos no comércio da família. “Foram 70 anos de serviço. Não sinto falta porque leio bastante, adoro ler. Mas ficar parada, de jeito nenhum”, declara.

Ela ainda se distrai fazendo crochê. “Quando eu tenho tempo faço crochê. Em primeiro lugar é a leitura. Ler pra mim é um prazer”, diz, ressaltando que gosta mais de ler livros que falem sobre a vida eterna e da vida de Cristo.

Hoje, Dona Izaura revela que não gosta de sair de casa. “Nunca gostei. Quando lecionava lá no Padre Eterno, minha irmã sempre queria sair e eu chorava porque não queria ir junto”, relembra. “Prefiro estar em casa, ler meus livros, descansar a hora que eu quero, comer a hora que eu quero. Olhar as notícias, gosto de silêncio”, pontua. Izaura finaliza pedindo para as pessoas lerem e confiarem em Deus.

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