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Sapateiro de Campo Bom que conserta calçados relembra histórias e trajetória de quase 50 anos


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Campo Bom – Campo Bom é conhecida por ter se desenvolvido através da indústria do calçado. Muitos profissionais atuaram neste segmento por anos, alguns em grandes fábricas, outros por conta, em um oficina própria de fabricação ou conserto. Silvio Reichert, 69 anos, é uma das pessoas que fez do calçado o seu ganha pão, e que com isso conseguiu sustentar seus dois filhos.

Silvio é um ícone do município e do setor calçadista, pois, de 60 anos de existência de Campo Bom, 50 deles tiveram o senhor ao lado (foto) como sapateiro.



Aposentado deste 1994, Reichert não parou de trabalhar no meio, e conta como foi o início de tudo.

“Fiz 14 anos e comecei a trabalhar no Reichert (Calçados Reni), com três meses fui para o Schmidt, onde fiquei até ir para o quartel em 1968, mas meu padrinho, Sady Schimidt, não queria que eu fosse, pois estava iniciando a exportação na empresa e eu já era chefe naquela época”, relembra Silvio Reichert.

“Eu podia ter jogado no Esporte Clube Aimoré”

O sapateiro conta que na época do quartel eram montadas seleções de futebol para competir com outros quarteis. “Eu jogava no 15 de Novembro, e eu tinha um primo que era do quartel que me viu jogar. Então fui para a seleção do quartel, depois eu iria direto jogar no Aimoré. Eles tinham uma parceria. Mas me machuquei. Então não pude seguir carreira no quartel, nem no futebol”, explica.


O sapateiro, que atuou por muitos anos, conta ainda da decisão de abrir a sapataria. “Já tinha uma sapataria na Voluntários da Pátria, e estava à venda. Eu me uni com meu sogro. Eu iria sair da empresa. Ele vendeu uma vaca. Então cada um entrou com Cr$ 500”, conta Reichert.

Aluguel caro, pagamento à vista

Silvio trabalhou anos no mesmo local. Sabia montar sapatos, mas aprendeu também a consertá-los. “Naquela época montavam-se todas as peças, palmilha de borracha, forro de couro, salto de madeira. Hoje em dia vai em uma loja e compra todos os materiais. As pessoas preferem comprar outro a consertar. Trabalho em casa pois o aluguel era caro no centro e o serviço escasso. As pessoas reclamam quando digo que cobro adiantado, mas uma lata de cola custa R$ 30,00. As pessoas deixam o serviços, e as vezes nunca mais vem buscar, por isso adiantado”, conta, mostrando uma caixa cheia de recibos e uma prateleira cheia de calçados de muitos anos.

Texto e fotos: Taylor Abreu

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